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19 de jan. de 2010

Fazendo alguma coisa de útil


Se aprume, seu cabra! Levanta daí e vai fazer alguma coisa que preste!
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Sinceramente, eu não tenho problemas. Tudo bem, meu colesterol é pornográfico de alto, estou enfiado no meu cheque especial até o talo, não tenho tempo pra porra nenhuma e o Obina voltou pro Flamengo. Ainda assim, eu digo que não tenho problemas. Pelo menos é a conclusão que eu cheguei vendo aquela doideira em que se transformou o Haiti depois do terremoto de terça-feira. Aquele pessoal, sim, tem problemas. Muitos.
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Nesse exato momento, o Haiti não tem socorro, não tem luz, não tem água, não tem comida, telefone, remédios, abrigo, segurança, enterro para os mortos, governo, em suma, não tem país. Não tem nada.
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Se quiser algum ponto de partida pra ajudar em alguma coisa, tem duas contas para receber doações, uma é no Banco do Brasil, para a embaixada do Haiti (agência 1606-3, conta 91000-7), e a outra é na Caixa Econômica Federal, para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (agência 0647, conta 600-1, operação 003). Só não esquece de acompanhar as notícias pra ver como esse dinheiro está sendo aplicado, sabe como é.
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21 de nov. de 2009

A volta do morto-vivo

Michael Jackson, em uma foto muito antiga. Ou muito recente, sei lá, acho que dá na mesma.
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Putz, foi penoso. Um período infernal no trabalho somado a uma doída adaptação a essa desgraça chamada horário de verão deixaram esse blog inviável por semanas. O blogueiro, coitado, se arrasta pela casa e de casa para o trabalho como um morto-vivo, num estado similar ao sobrevivente de uma ressaca épica. O que nos leva, aliás, a uma constatação tão escrota quanto paradoxal: eu nunca me senti tão mal bebendo tão pouco. Sim, porque o expediente nos meus bares habituais ficou severamente prejudicado.
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Tomei um susto me olhando no espelho, ontem. Pálido e com olheiras, eu estava parecendo uma dessas criancinhas de filme de terror japonês. O fato é que eu nunca fui tão Ogro quanto agora, seja no humor ou na aparência.
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Em todo esse tempo de ausência do blog, muita água rolou embaixo da ponte. A energia elétrica já faltou sem explicações convincentes dos governantes, os tiroteios no Rio de Janeiro continuam com assiduidade religiosa (com direito a derrubada de helicóptero), e, em São Paulo, neguim já tá vaiando até mulher gostosa de minissaia. O que salva é que a temporada pré-carnavalesca (com escolhas de sambas, lançamento de CD e ensaios) já está bombando. Sem falar no Flamengo de Andrade que, independentemente do desfecho do Brasileirão, está jogando o fino, disparado o melhor futebol do Brasil.
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Esse final de semana, entretanto, vai dar pra desanuviar um pouco. A patroa está momentaneamente destacada, passando uns dias na casa da mãe, que se recupera de uma cirurgia. Por conta disso, o Ogro aqui está liberado para ver futebol, coçar o saco, arrotar e andar de ceroula à vontade enquanto a bagunça impera por essas bandas. Vai ser o feriadão inteiro assistindo filmes de gângster (Scarface, o Poderoso Chefão, Os Intocáveis), vendo futebol e fazendo refeições sadias e balanceadas, como pizza, ovo frito, cerveja e miojo.
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Só vou precisar reunir forças para limpar a bagunça na segunda de manhã antes de ir trabalhar. Sabe como é, pra não correr o risco de ver cantar o rolo de pastel e eu passar de morto-vivo a morto-morto.
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20 de out. de 2009

Quem souber me explica

Pode crer, cinema é a maior diversão...
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Cinema sempre foi um dos meus programas preferidos. Ainda mais agora em que eu já deixei pra trás a época das casas noturnas, espantado com os altos preços e com a violência imperante. Ver um filme, dependendo do cinema, ainda é um programa barato se comparado com algumas peças de teatro ou shows. E, se o preço, o tempo ou a distância não permitirem a ida ao cinema, sempre haverá a videolocadora.
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A sétima arte, pra mim, tem duas funções básicas, e em função do meu estado de espírito na ocasião, eu busco uma ou outra. Resumindo, filmes servem pra duas coisas:
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A primeira, como não poderia deixar de ser, é botar o tico e o teco para trabalhar. É quando eu procuro ver filmes que fazem pensar, que fazem refletir. Pode ser um documentário sobre algum grande tema da atualidade ou sobre a vida de algum grande artista. Pode ser um thriller político, um suspense com roteiro bem amarrado e com um final surpreendente, ou um filme alternativo com exercícios de estilo que dialoguem com outras formas de arte.
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Nessa linha, eu gosto dos suspenses do Hitchcock, nos filmes politicamente inquietantes do Spike Lee e do Oliver Stone e de alguns filmes fora do grande circuito hollywoodiano. É impressionante como tem vindo coisas boas de alguns lugares inesperados, como do Irã, da Argentina. Sem falar no cinema nacional, de onde sempre surgem filmes bons, principalmente quando tratam da nossa realidade. Fora alguns documentários musicais excelentes como o Buena Vista Social Club e as cinebiografias de Cartola, Vinicius de Morais, Wilson Simonal.
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A outra grande utilidade de qualquer filme é a extrema oposta: Meter o pé na jaca, com objetivo puro e simples de divertir. Pra isso valem todos os filmes de Ogro em geral, a começar pelos filmes de ação que eu vi a minha infância inteira, como todos os Rockys, Rambos e Duros de Matar. Sem falar nos épicos, com aquelas batalhas campais enormes e cheias de figurantes, e nos clássicos, como os de gângster e os de faroeste.
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Aqueles das antigas, como O poderoso Chefão, os Intocáveis e Scarface. Eu também gosto dos filmes de ação absolutamente inverossímeis do John Woo (MI-2, A Outra Face) e de adaptações de heróis de quadrinhos. Gosto de todos os filmes do Quentin Tarantino e do Clint Eastwood Além, de comédias, principalmente as mais sem noção, como Borat e as do Monty Python.
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Tem alguns poucos filmes que aliam as duas coisas, como os documentários do Michael Moore, os clássicos do Charles Chaplin e alguns poucos filmes de ação, como V de Vingança, mas é raro.
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Fica combinado assim: Filme é com conteúdo pra fazer pensar ou com sangue e bagaceira pra se divertir.
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Assim, alguém me explica, pelamordedeus, por que cargas d’água as mulheres (com as devidas exceções, evidentemente) gostam tanto de filmes que não fazem uma coisa nem outra, como as malfadadas comédias românticas? Dos filmes da Meg Ryan ao Sex and the City, são horas de discussão de relação, fala sério. Não satisfeitas em criar fantasmas e traumas para os próprios relacionamentos, elas ainda têm que assistir filmes em que outras mulheres fazem isso? Quem tiver uma boa resposta, eu passo a palavra.
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4 de out. de 2009

Que comecem os jogos!

Etilismo livre sem barreiras: Será que vira esporte olímpico até 2016?
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Bom, a essa altura, o mundo inteiro (literalmente) já sabe que o Rio foi escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Teve festa em Copacabana, o Lula já chorou e aquele bando de malucos fantasiados (que são mais ou menos os mesmos que você vê no Maracanã ou no Largo da Carioca) já deu vazão ao seu desejo patológico de aparecer. Tudo dentro da mais perfeita ordem, ou pelo menos do que a gente entende por ordem em terras cariocas.
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Sei não, eu queria me entusiasmar mais com esse troço. Eu tenho um desconfiômetro ativo demais, talvez seja o tal legado dos jogos Pan-Americanos, algo que foi muito alardeado e ficou só na promessa. Quem não é do Rio de Janeiro não sabe, mas a única grande instalação esportiva construída para o Pan e que continuou sendo utilizada regularmente depois é o Estádio Olímpico João Havelange, vulgo Engenhão (o nome deve-se ao bairro, o Engenho de Dentro). No mais, tem um velódromo, um stand de tiro e um parque aquático novinhos em folha, que estão fechados desde que acabou o Pan. A pista de equitação e a arena do basquete já receberam um ou dois eventos e só.
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Fora a penca de problemas a serem resolvidos. Todos relacionados ao transporte e a segurança basicamente, além da despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía de Guanabara. Mas até nisso o Rio dá sorte, pois basta ficar alguns dias sem chover que muitos desses acidentes geográficos já ficam limpos naturalmente.
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Evidentemente que nós confiamos que nossas autoridades, com o empenho e honestidade que lhe são inatas, acharão formas criativas de maquiar todos os nossos problemas por quinze dias, de maneira a que tudo funcione maravilhosamente durante os Jogos e volte a ser como antes tão logo se apague a pira. No mais, é só deixar os gringos embasbacados com a paisagem. Afinal, o Rio de Janeiro continua um lugar muito bonito, pois as belezas naturais (graças a Deus!) não precisaram ser feitas pelas autoridades.
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Termino esse post palpiteiro com um exercício de adivinhação: Como eu estarei em 2016? Com mais barriga e menos cabelo, certamente. Com filhos, pelo menos essa é a idéia. Talvez com carro, mas isso eu ainda preciso pensar (Mais que as razões financeiras, eu não tenho carro por uma resolução pessoal, um dia eu ainda conto minhas tristes desventuras a bordo do meu finado Ogromóvel).
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Duas coisas, entretanto, eu posso afirmar com 110% de certeza: Eu ainda serei Flamengo. E estarei longe de tomar a saideira.
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Pra fechar com chave de ouro, essa charge satirizando a campanha do Obama já está correndo a Internet, excelente.
Nem Obama nem Lula. O Mussum é que era o cara!
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27 de set. de 2009

Crise diplomática: Do Vinicius ao Jonas Brothers

Pedindo abrigo na embaixada em Honduras, será que eu escapo da festa?
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É grave crise. Ao que parece, chegou-se a um impasse e, gradativamente, estão se esgotando todas as possibilidades de resolver o problema pelas vias diplomáticas. Não, não estamos falando de Honduras, mas da prima golpista da patroa, que marcou a festinha de aniversário do filho de um ano para esse domingão à tarde, dia e horário de futebol. E a patroa, é claro, quer que eu vá junto.
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Devo admitir que, ainda que o Flamengo não estivesse jogando, eu não morreria de amores pelo programa. Nunca fui fã de festas de criança. Nem quando eu era criança. Minha mãe ainda lembra, horrorizada, de quando eu mostrei a língua e dei um chute bem dado na canela do animador vestido de Mickey, acho que foi no meu aniversário de cinco anos. Foi desagradável, o cara apertou minha bochecha, algo que eu sempre odiei, e de forma reiterada. No final das contas, o meu kichute foi parar na canela do Mickey Mouse, que chegou a soltar um palavrão, segundo testemunhas próximas. A festa acabou mais cedo, com o aniversariante arremessando brigadeiros e trocando impropérios com um personagem de desenho animado. Bem pastelão.
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Outra coisa que me incomoda muito é a indigência da qualidade musical. Vocês podem achar que é rabugice pura, mas a criançada de hoje escuta muita porcaria. Pra começar que música infantil propriamente dita não existe mais. As crianças em geral, principalmente as meninas, já se consideram grandes demais e consomem avidamente produtos que seriam pra jovens e adolescentes. Normalmente ouvem boy bands, principalmente as da própria Disney, como os jonas brothers da vida.
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Vocês vão entender o meu drama. Eu tive oportunidade recentemente de re-adquirir uma das minhas melhores recordações de infância. Eu já tinha em LP (porra, Da Silva, tu é velho, hein?), e agora comprei em CD, a trilha sonora de um especial infantil produzido pela Globo, décadas atrás, vocês já devem ter ouvido falar, chamava-se Arca de Noé.
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Pra vocês terem idéia do quanto a gente despencou de nível cultural, basta olhar os artistas participantes. Sim, era música para crianças, mas com participação de Alceu Valença, MPB-4, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Marina Lima, Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros. Com músicas de Vinicius de Moraes. Hoje em dia, acho que é intelectual demais até pra muitos adultos.
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Pra piorar, a tal prima já manifestou a intenção de não servir cerveja no aniversário. Sabe como é, festa de criança, não seria adequado. Sei. Quer dizer que cerveja não é adequado, mas Hanna Montana é?
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De Vinicius de Morais a Jonas Brothers, putz, nós descemos muito.
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7 de set. de 2009

Olhos famintos e a semana da pátria

Eu vou pegar Vossa Excelência lá fora!

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Eu lembro exatamente onde eu estava quando vi as imagens daquela sessão no Senado em que o Collor deu a primeira grande surtada: Tomando uma Bohemia encostado no balcão do Parnasiano, em São Cristóvão, um dos meus bares credenciados. E comecei a achar que estava bebendo demais quando o Collor, espumando de raiva, com o dedo em riste e aqueles olhos esbugalhados, disse pro Pedro Simon que engolisse, e digerisse as palavras (“engula e digira!”).

* Como todos sabem, a imagem não era um delírio alcoólico deste Ogro, ela realmente aconteceu. E nem foi o pior de tudo, já no dia seguinte teve aquela outra com o Tasso Jereissati e o Renan Calheiros chamando-se, entre outras coisas, de cangaceiro e coronel de merda, além de entrarem numa infindável discussão sobre quem tinha os dedos mais sujos. *

O meu primeiro pensamento foi sentir-me um babaca, já que eu, ainda moleque, me dispus a perder uma manhã de sol para ir a uma passeata no Centro do Rio exigindo que aquele psicopata do Collor pedisse pra sair. Eu só não posso dizer que fui um cara-pintada porque acordei muito em cima da hora e não deu pra catar nenhuma roupa preta ou tinta. Eu estava mais para um cara-remelenta, que tinha acabado de acordar. Tudo isso pra, mais de quinze anos depois, ver o Fernandinho fazendo e acontecendo, estragando o meu dia e fazendo a minha cerveja descer quadrada. * Putz, assim fica foda de postar alguma coisa patriótica nesse sete de setembro. Pra não dizer que eu não tentei, segue aí o link do Hino Nacional versão remix by Vanusa, sucesso do You Tube dessa semana. E eu que achava que as piores interpretações do Hino eram dos jogadores da Seleção.

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19 de jul. de 2009

Menopausa transviada

Roberto Carlos na década de 60. De 1860.
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Sei que a minha opinião é polêmica, já estou até preparado para ouvir uma esculhambação. Mas Nelson Rodrigues já disse que toda a unanimidade é burra. Assim, eu tenho que admitir que ao contrário da imensa maioria da galera com quem eu convivo, dentro e fora da web, não consegui compartilhar de toda essa emoção do show do Roberto Carlos no Maracanã.
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Pra começo de conversa, eu não gosto de shows no Maracanã. Aquilo ainda é um estádio de futebol e o que esses shows fazem com a grama deveria ser punido pela lei de crimes ambientais. Quem assistiu ao Flamengo x Palmeiras da quarta-feira seguinte, disputado em um estranho gramado quadriculado e colorido, vai entender o que eu estou dizendo.
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Sem falar que poucas coisas podem ser tão ridículas quanto a tietagem descontrolada. Eu sempre olhei com absoluta desconfiança qualquer coisa que atraia um bando de adolescentes gritando e chorando, sejam boy bands ou a seleção de vôlei do Bernardinho. Só Deus sabe o que eu passei quando tive que levar minha sobrinha ao show daquela banda de irmãos de cabelinho engomado fabricada pela Disney (Jonas Brothers, eu acho). E, convenhamos, uma coisa que já fica ridícula com adolescentes, não vai ficar melhor com as avós delas. O show do Maracanã foi uma verdadeira celebração da menopausa, com direito a hordas de senhoras sexagenárias com os hormônios fora de controle.
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Isso tudo pra não falar do artista em si. Eu acho que nunca dividi isso com vocês, mas o Roberto Carlos morreu para mim no dia 21 de Abril de 2007. A data, inesquecível, foi quando eu assisti aquele documentário sobre o Cartola, Música para os olhos. A certa altura do filme, o grande gênio que era o Cartola revela, todo humilde, que gostaria que um dia o Roberto Carlos gravasse uma música sua. O pedido nunca foi atendido. Mas o pior veio depois.
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A razão para a negativa, revelada no mesmo filme, foi tão escrota que me deu vontade de arrancar a tal perna mecânica do Roberto e bater nele com ela. A música que a gravadora guardou para o RC gravar seria a imortal As Rosas não falam, que talvez seja a mais linda do Cartola. Roberto Carlos recusou a idéia de gravar a música alegando uma ridícula questão de princípios, pois pra ele as rosas falam, sim. O que eu sei é que se as rosas falassem mesmo, as roseiras que a patroa rega aqui em casa teriam mandado ele ir à merda.
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Por essas e outras eu deixei o Robertão de lado, com o perdão da Cruela, que, apesar de ser fanzoca do Rei conta com o meu amor incondicional.
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4 de jul. de 2009

Domingos de ontem e hoje

Esses aí acabam com qualquer domingo...
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Quem olha pra mim hoje em dia, talvez não acredite. Afinal eu tenho medidas de ogro literalmente, com a altura e força que fazem qualquer um pensar duas vezes antes de me falar algum desaforo. Eu fazia até um razoável sucesso com a mulherada antes de a minha barriga prosperar e do meu cabelo começar a mostrar tendências suicidas. Mas o fato é que eu não nasci desse tamanho. Sim, eu já fui um pirralho, um moleque (dos mais endiabrados, por sinal) na distante década de 80.
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Naquela época, o domingo era, disparado, o melhor dia da semana, ou pelo menos o mais divertido. Em grande parte por conta de seis pessoas, que faziam o meu domingo televisivo interessante o suficiente para deixar a bola de lado ou desligar o meu Atari (Atari? Pô, Da Silva, tu é velho, hein!). Qualquer um que tenha sido criança no subúrbio do Rio de Janeiro, nos anos oitenta, vai se lembrar dessas seis pessoas com facilidade.
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Pela ordem em que se apresentavam, o primeiro responsável pelos grandes domingos da minha infância atendia por Arthur Antunes Coimbra. Ou simplesmente Zico, o Galinho de Quintino. Os jogos do Flamengo eram o espetáculo por excelência da tarde de domingo com o Galinho e seus companheiros jogando o fino. Prato cheio para quem gostasse de futebol, independente de que time para qual o telespectador torcesse.
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Um pouco depois, às sete da noite, era de lei sentar com a família inteira para ver os Trapalhões. Criativo, inteligente e iconoclasta até a medula, era uma ótima pedida de diversão levinha, não só para as crianças. Por sinal, eu tenho pena das crianças mais novas, que só conhecem o Renato Aragão através desse substrato desidratado de pó de fezes que é a “Turma do Didi”. Impressionante como um sujeito consegue escarrar tanto em cima da própria biografia. Melhor fizeram o Mussum e o Zacarias, que não viveram pra tomar parte disso.
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Como os Trapalhões eram quatro, só restou um grande fornecedor de domingos felizes da minha molequice. E ele morreu nesses dias. Se você que está lendo isso agora só tem vinte anos, provavelmente não vai entender porque tanta celeuma em torno da morte desse sujeito sem nariz, de cara ossuda e incolor sobre o qual recaem acusações de pedofilia. Mas, acredite, Michael Jackson era um artista absolutamente fuderoso e fez a festa no domingo televisivo durante muito tempo.
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Praticamente todos os programas de auditório tinham concursos de covers do cantor, sem falar nos videoclipes que sempre estreavam em rede nacional no Fantástico, com audiências comparáveis a finais de Copa ou último capítulo de novela. Se você, amiguinha adolescente que lê o Ogro Online sem a sua mãe saber, acha que essas boy bands que você gosta fazem sucesso, você não sabe o que é fazer sucesso. O álbum Thriller vendeu porrilhões de cópias e os meios de comunicação inundavam nossas casas de Michael Jackson o dia inteiro. E ninguém enjoava! A molecada se arvorava em fazer aquele bendito moonwalk com o mesmo empenho que imita o penteado do Ronaldinho ou usa lancheiras desses heróis de desenho japonês. Michael Jackson foi uma pandemia muito maior que a gripe suína. E muito mais sadia.
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Me peguei pensando nisso, depois do último domingo na casa da sogra, enchendo o bucho de macarrão e assistindo ao Raul Gil. Nossa, os domingos pioraram muito.
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26 de jun. de 2009

Pagando pra ver

Invisível? Cês tão de sacanagem.
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Taí, ninguém pode dizer que eu não dou uma moral pra patroa, nem que eu não sou um marido justo, ou que eu não sei ouvir e respeitar as opiniões de minha companheira. Contrariando as minhas preferências cinematográficas reveladas alguns dias atrás, deixei minha cara-metade escolher o filme e acabamos numa comédia romântica. Assistimos “A mulher invisível”, filme com Selton Melo e Luana Piovani. E o pior é que a experiência me saiu melhor que a encomenda.
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A essa altura, todo mundo já conhece a sinopse. Depois de ser traído e largado pela esposa, sujeito engrena um relacionamento com uma mulher perfeita. Bonita, gostosa, provocante, inteligente, ótima dona-de-casa, e compreensiva com todos os seus gostos e atitudes. Capaz de relevar traições e assistir, com conhecimento de causa, a um futebolzinho. Pena que a perfeição de lingerie só existe na imaginação do cara, o que o coloca em situações de um ridículo hilariante.
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Tenho que admitir, entretanto, que saí do filme encucado. A maioria dos comentários que eu li sobre o filme trazia uma psicologia de botequim das mais rasteiras, onde a personagem de Luana Piovani é apresentada como não podendo ser de carne e osso, como sendo um arquétipo da mulher ideal para qualquer homem, que só existe na imaginação. Até admito que não se um encontra um corpo como aquele em qualquer esquina. Mas, putz, se uma mulher bonita, capaz de relevar nossas bobagens, curtir um futebol conosco e nos dar uma mãozinha com a casa só existe na imaginação, então este mundo está perdido. Me recuso a crer que tais mulheres sejam tão invisíveis e tão irreais assim.
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De qualquer forma, fecho inteiramente com a outra grande lição do filme, que aliás passou quase despercebida (como passaria despercebida qualquer coisa diante da Luana Piovani de calcinha): O hábito de ler e escrever ajuda muito a pôr ordem na maluquice (quem assistiu ao filme entenderá o que estou dizendo). Talvez seja esta a maior razão de eu estar agora diante de uma tela de computador.
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Aguentei esse tempo todo fazendo uma análise fundamentada do filme, mas agora não dá mais, eu tenho que desabafar. CARALHO, a Luana Piovani está estalando de GOSTOSA, um açougue completo, com peito, lombo e coxa de primeira. Ela tá que é pura saúde, com vitaminas, proteínas e sais minerais, parece um composto nutricional, um desses shakes pra marombeiro. E o pior é que ela existe de verdade.
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23 de mai. de 2009

Pequenas e grandes batalhas

Dilema clássico da relação. Se você é homem casado, noivo, namorado, companheiro ou tem qualquer forma de relacionamento estável com uma mulher já passou por esse dilema típico dos casais em momentos de lazer. Filme Ogro ou filme mulherzinha?
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Vocês vão entender o que estou dizendo diante da situação prática: Domingão. Você acordou tarde, deu uma bela trepada matinal, e depois de malhar o páuceps, tomou aquele puta café da manhã, típico de hotel fazenda, com bolo, ovo mexido e tudo mais. Leu o jornal, viu todos os programas de esporte possíveis e imagináveis durante toda a manhã. No almoço, comeu como um Ogro e tirou uma sesta pesada, só acordando para ver o futebol acompanhado da cerveja de praxe.
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Na etapa seguinte é que começa o problema. A continuação lógica da programação dominical seria um filme, mas não qualquer filme. Eu não sei bem definir o meu gênero preferido, alguns chamam de épico. Eu acho o termo meio inadequado, na medida em que este se refere a sagas heróicas em geral. O meu gosto é mais específico. Pra resumir, eu gosto daqueles filmes com mega batalhas campais, onde, depois de um discurso motivacional dos seus líderes, os dois exércitos erguem espadas, gritam (o grito é importante, sem ele não teria a mesma graça) e correm a se estripar. O sangue jorra, a cerveja desce e o cérebro fica descansando em cima da estante, depois de ter trabalhado muito a semana toda.
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Vocês sabem como é, filmes como Coração Valente, Gladiador, A Cruzada, Tróia ou 300, embora a este último eu faça ressalvas pela forte mensagem GLS subliminar. Nada contra, este é um blog sem preconceitos, mas ela prejudica a própria coerência histórica do filme. Por mais que os gregos prezassem a beleza física, não dá pra engolir que qualquer exército vá para uma batalha travada com armas perfuro-cortantes trajando uma sunga e uma capa. No contexto do filme, uma armadura seria tão necessária quanto água, comida ou espadas e escudos.
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De qualquer forma, o filme épico é o desfecho perfeito do Domingão etílico-futebolístico. Ou seria, se sua cara-metade não estivesse a fim de ver Divã, Ele não está tão afim de você, ou qualquer outra melosidade do gênero. Afinal, a coisa mais chata do mundo depois de discutir a relação é ver filmes com pessoas discutindo suas relações.
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Não preciso dizer que você não vai discutir, com mulher não se discute. A gente nunca ganha, mesmo. Você pode tentar negociar, adiar, fingir doença ou, se tudo mais falhar, apelar para os subornos de praxe, como flores ou jóias. O que, em algumas vezes, não vai adiantar. E convenhamos, se você garantiu as primeiras etapas do domingo (mencionadas no segundo parágrafo) você pode ceder em relação ao filme de vez em quando.
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16 de mai. de 2009

Bobagens da semana

Bizarro. Mesmo com o monte de besteiras que toma os jornais, não há dúvida de que essa campanha do Xixi no Banho, promovida pelo pessoal do SOS Mata Atlântica é uma forte concorrente ao título de maior bobagem das últimas semanas. Vocês já devem ter ouvido falar, é uma campanha ecológica que incentiva as pessoas a mijar (quem faz xixi é mulher ou criança) durante o banho, de maneira a usar menos a descarga e economizar a água doce do planeta.
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O negócio já começa estapafúrdio, na medida em que condiciona uma necessidade fisiológica a uma necessidade social. Eu posso não estar com vontade de mijar durante os meus dois banhos diários, um quando eu saio de casa pela manhã, e outro à noite, quando eu chego. E, mesmo que eu esteja em casa, os dois atos podem não coincidir. A não ser que eu resolva tomar banho cada vez que eu tiver vontade de mijar, o que pode acabar com a água do planeta numa única tarde de cervejada.
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O pior é que, numa hipótese muito otimista, o sujeito que levar a campanha a ferro e a fogo não vai economizar mais do que uma descarga ao dia. Muitas pessoas já mijam no banho naturalmente, o que torna a campanha inútil e com resultados potencialmente desprezíveis. Deve ter alguém nessas ONGs precisando muito justificar algum dinheiro de patrocínio, não tem outra explicação.
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O mais escroto é que os caras que tiveram essa idéia genial poderiam evitar um grande consumo de energia elétrica e muitos danos à natureza se fizessem algumas simples alterações no site da campanha. Como o bicho é repleto de animações e efeitos sonoros, ele é pesadíssimo, levando um tempo maior para abrir e fazendo o internauta gastar mais luz. Tudo isso para conseguir um ganho estético pra lá de duvidoso, com animações protagonizadas por simpáticas gotinhas de urina saltitantes. Ridículo.
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Ao que parece, o lema da campanha é xixi no banho e cocô nos meios de comunicação.
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Ao escrever esse anti-manifesto contra essa campanha ridícula, eu pude perceber uma outra coisa igualmente ridícula (e igualmente inútil): Vocês já repararam nos acessos de moralismo do Word 2007?
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Explico melhor. Vocês já sabem que o Word tem algumas funções de correção. Quando a ortografia da palavra está errada, ela aparece sublinhada em vermelho e quando há algum erro na estrutura da frase, como um erro de concordância, ele aparece sublinhado em verde. Nos dois casos, o programa oferece sugestões de correção para que você faça a substituição pela forma correta da palavra ou da expressão. Até aí, nenhuma novidade.
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O ridículo aparece em determinadas expressões que poderiam ser consideradas como agressivas, ou de baixo calão. Se você escrever a palavra “mijar”, por exemplo, ela vai aparecer sublinhada em verde, como se estivesse errada. Ao acessar as sugestões de correção, você vai encontrar o verbo “urinar”. O mais engraçado é se você tentar usar o verbo trepar, cuja substituição sugerida é “ter relações sexuais”.
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Santa babaquice, será que não viram que, apesar de sinônimas, essas expressões serão usadas em contextos absolutamente diferentes e quase nunca intercambiáveis? O fato é que ainda se gasta muito tempo, papel e memória de computador com bobagem.
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E pensar que todos esses recursos humanos e materiais poderiam ser usados para alguma causa nobre como encontrar a cura pro câncer, acabar com o analfabetismo ou ensinar os atacantes do Flamengo a chutar em gol.
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23 de abr. de 2009

Salve Jorge!

Hoje o dia foi do Ogro aqui. Acabo de tomar uma gelada lá em Quintino, diante da Igreja de São Jorge, ritual que pratico religiosamente há mais de quinze anos. Todo dia 23 de Abril, dia de São Jorge lá estou eu.
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Quem não é do Rio não tem idéia de como fica a cidade. Pra começar que o dia de São Jorge é feriado oficialmente há alguns anos. E pode ser considerado o único feriado religioso digno de tal nome na cidade do Rio. É bastante comum que nos feriados de Corpus Christi ou da Semana Santa, os cariocas peguem a estrada, em direção à Região dos Lagos. O dia de São Jorge, ao contrário, é dia de igrejas lotadas e várias festas pela cidade toda.
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Eu vou tradicionalmente à Igreja Matriz de Quintino, por duas razões afetivas. A primeira é que foi lá que eu pisei numa Igreja pela primeira vez, no tempo em que eu ainda era um moleque endiabrado que as catequistas tentavam consertar, sem conseguir. Além disso, o bairro de Quintino Bocaiúva, no subúrbio do Rio, é uma espécie de Jerusalém rubro-negra, terra onde nasceu o nosso salvador. Zico, astro maior da história do Flamengo, é nascido e criado no bairro, o que torna obrigatória para qualquer torcedor uma visita de peregrinação.
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Como São Jorge, é padroeiro de várias escolas de samba, como o Império Serrano e a Mocidade Independente de Padre Miguel, são realizadas várias rodas de samba pela cidade toda. Em volta da Igreja, sempre tem barracas com comidas típicas, cerveja gelada e batucada da melhor qualidade. E, nunca é demais lembrar, pra a galera das religiões afro, São Jorge é Ogum, a quem se celebra com cerveja. Um motivo a mais pra mandar uma gelada pra dentro.
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Tomara que o Santo Guerreiro ajude a trazer uma energia positiva pra toda a galera que visita e dá uma força aqui pro Ogro Online. Axé pra todos, e Salve Jorge!
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5 de fev. de 2009

Parabéns do Ogro

Todo mundo que visita o pântano já conhece algumas das minhas preferências musicais, sendo o bom samba a maior de todas. Notem que eu me refiro ao samba mais raiz, mais tradicional. Aquele que vai de Noel ao Zeca, de Pixinguinha ao Fundo de Quintal, de Donga a Dudu Nobre e Diogo Nogueira. A tríade samba-cerveja-futebol é responsável por muitos momentos de alegria em meus trinta e poucos anos de ogrices bem vividas.
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Por outro lado, não tenho estômago para os falsos sambistas, aqueles pagodeiros mauricinhos, que cantam dores amorosas enquanto executam coreografias de gosto tão duvidoso quanto o figurino e o repertório. Grupelhos recém-saídos da adolescência, com músicas onde se ouve muito mais teclados do que cavaquinhos. Do Pique Novo ao Jeito Moleque, do Swing & Simpatia ao Sorriso Maroto, do Alexandre Pires ao Belo.
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Sou um grande apreciador do primeiro grupo, e tenho náuseas só de ouvir falar no segundo. Mas, pior do que ouvir os pagodeiros de araque é não saber distingui-los do samba propriamente dito, como muita gente faz. E eu sofro muito na mão de quem faz isso. Não é raro, numa loja de CDs, eu pegar da prateleira discos do Fundo de Quintal e do Jorge Aragão, perguntar o que mais a loja oferece e o vendedor me trazer um CD do Só Pra Contrariar (argh!).
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Por isso, eu quero aproveitar a ocasião e fazer uma declaração de amor a uma pessoa que aniversaria essa semana. Estou falando da Patrícia Migliani, ou simplesmente a Patty, atendente de uma das minhas lojas de CD preferidas. A Discoteca Harmonia, no Centro do Rio. A mulher que deve ter algum poder mutante, já que lê meus pensamentos e conhece meus gostos melhor do que eu mesmo.
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Meu amor pela Patty é notório e consentido pela patroa, que aliás, compartilha do mesmo sentimento. Afinal, só a Patty é capaz de me chamar quando eu passo lá do outro lado da calçada e desencavar, de algum canto obscuro da loja, uma raridade genial. Uma coletânea do Cartola, uma versão em CD remasterizada de um disco raríssimo do João Nogueira, ou algo do tipo. Quando eu passo por aquelas bandas e escuto aquela frase fatídica, “chegou uma coisa ontem que você vai adorar”, o mundo pára. Eu sei que vou sair da loja alguns reais mais pobre e alguns minutos atrasado para o meu próximo compromisso. Mas vou sair feliz, disso eu não tenho a menor dúvida
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O pior é que ela, além de saber tudo o que eu gosto e o que eu não gosto, também sabe o que eu tenho e o que eu não tenho. Não sei como, mas ela nunca me oferece nada repetido. Deve haver algum trabalho de espionagem, sei lá. Vai ver que alguém grampeou meu aparelho de som e tem cinco caras lá fora, dentro de uma van, ouvindo tudo o que eu ouço.
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Assim, vão os parabéns do Ogro para a Patty, que, por uma timidez boba, me proibiu de postar sua foto. O que é uma pena, pois a danada, além de todas as qualidades que eu enumerei, ainda encontra tempo para ser um pitéu. Não me venham com essa de que ninguém é perfeito. Ela é.
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19 de jan. de 2009

Top Five do Ogro: As cinco coisas mais irritantes (I)

Quem precisa de terapia? Não há coisa mais sadia do que botar pra fora tudo que nos aborrece, exorcizando nossos fantasmas e não levando desaforo pra casa. É isso que eu faço nesse momento com tudo o que me aborrece. Começando pela imprensa em geral. E, prometo a vocês, não vai parar por aí.
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Imprensa: As cinco coisas mais irritantes
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1) A pergunta coringa
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Vocês já devem ter observado que um jornalista, quando não tem o que perguntar, tem uma única pergunta a fazer: “Como é que você está se sentindo?”. Ou qualquer uma de suas variações, “qual é o seu sentimento...", “como é a emoção...”, etc. A pergunta é sempre a mesma, seja pro jogador que fez o gol do título, pra mulher que perdeu tudo na enchente, pro ganhador do Big Brother ou pro técnico do time que foi rebaixado. Irritante, afinal a resposta é óbvia em cada situação. Eu tenho fé que um dia um desses entrevistados vai se emputecer e mandar na cara do repórter: “É claro que estou muito feliz de ter perdido toda minha família no acidente, pena que você não estava junto.”
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2) A conversa de surdos
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Eu não entendo a insistência de alguns repórteres em conversar com pessoas alcoolizadas em situações em que não dá pra se escutar porra nenhuma, como shows de rock, festas, bailes de carnaval ou em plena avenida, diante de uma bateria de escola de samba. O entrevistador grita a pergunta no ouvido do entrevistado, que não entende nada e responde algo absolutamente sem sentido. Ao que o entrevistador faz sinal de positivo com a cabeça, porque também não está ouvindo nada. E você não entende porque ainda está assistindo aquilo.
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3) Batendo palma pra maluco dançar
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Outra coisa absolutamente incompreensível é, nas transmissões esportivas, a fascinação que as emissoras sentem por alguns sujeitos exibicionistas patológicos, lunáticos, tarados, dementes e paranóicos que querem aparecer na TV a qualquer custo. Quando não são aquelas placas cheias de erros (“Galvão filma nóis!”), são as performances e fantasias, uma mais bizarra do que a outra. Quanto mais grotesca a presepada, mais a transmissão dá destaque e vice-versa. A vontade é de fazer uma placa “Galvão, não filma eles!”.
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4) A histeria indignada (ou a indignação histérica, dá na mesma)
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Troço irritante são esses programas policiais sensacionalistas, tipo o Datena e o Wagner Montes, em que o apresentador anda de um lado para o outro esbravejando com a bandidagem, com os governos, com Deus e com o mundo. Pra, dois minutos depois, ficar calminho e fazer merchandising daquelas câmeras horrorosas da TecnoMania.
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5) O Galvão Bueno
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Precisa explicar?
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27 de dez. de 2008

TV em tempos de crise

Se o blogueiro tem uma alegria na vida é dar palpite. Pode ser sobre qualquer assunto, inclusive aqueles dos quais não entende patavina. Assim sendo, embora ninguém tenha pedido, aí vai um exercício de imaginação sobre como será o futuro próximo, em que as redes de tevê serão obrigadas a reduzir os custos por causa da crise.
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O negócio é seguir o exemplo do mercado, que já mostrou o caminho com a fusão do Itaú e do Unibanco. Para baratear suas produções milionárias, basta que as emissoras peguem duas atrações de grande apelo e juntem as duas numa só. Além de cortar custos, vai atrair a audiência das duas de uma única tacada! Aí, é só vender os breaks publicitários e faturar.
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Imaginem as seguintes fusões:
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Big Brother Brasil Urgente ( Brasil Urgente + Big Brother Brasil):
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Reality show nos mesmos moldes do Big Brother Brasil. Fechados numa casa, repletas de câmeras ficarão encarceradas as maiores celebridades criminosas do Brasil. Durante dois meses, o Lindemberg, o casal Nardoni, o Pimenta Neves, a Suzane Von Richtoffen e os irmãos Cravinhos e o Fernandinho Beira-Mar ficarão na casa mais famosa do país.
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O programa seria apresentado pelo José Luís Datena que apareceria na TV da casa falando com os participantes, que o saudariam com aqueles indefectíveis gritinhos de "u-hu!". O lado mais econômico é que dispensa a interatividade com o público, pois, no que depender dos participantes, sempre vai ter alguém sendo eliminado. Sem falar naquelas camisas do Datena pedindo o fim da impunidade, que seriam um sucesso de vendas.
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O vencedor ganha como prêmio a conversão de sua pena em doação de cestas básicas. A sentença-prêmio é entregue no dia da grande final pelo Ministro Gilmar Mendes e o vencedor já sai direto para posar para um ensaio sensual do Notícias Populares e do Jornal Meia Hora.
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Bem Favorita (A Favorita + Bem amigos):
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Vai resolver de tacada a questão da audiência na medida em que vai reunir o público masculino e o feminino em torno de uma mesma atração. Consiste apenas em analisar a novela, ao fim de cada capítulo, como se futebol fosse.
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Os crimes da Flora vão ser repetidos à exaustão, sob os mais variados ângulos, e, ao fim, o Arnaldo Cesar Coelho vai dizer que a regra é clara, a Flora não agiu em legítima defesa e o assassinato foi ilegal. Duro vai ser agüentar o Galvão Bueno torcendo pela Donatela.
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Zorra Eleitoral Total (Horário Eleitoral + Zorra Total):
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Nesse caso específico, não há muito que fazer. É só trocar o Zorra Total pelo Horário Eleitoral Gratuito, que, em regra, costuma ser bem mais engraçado. Basta manter as gostosonas seminuas do primeiro para ilustrar as criativas piadas proferidas no segundo.
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