27 de set de 2009

Crise diplomática: Do Vinicius ao Jonas Brothers

Pedindo abrigo na embaixada em Honduras, será que eu escapo da festa?
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É grave crise. Ao que parece, chegou-se a um impasse e, gradativamente, estão se esgotando todas as possibilidades de resolver o problema pelas vias diplomáticas. Não, não estamos falando de Honduras, mas da prima golpista da patroa, que marcou a festinha de aniversário do filho de um ano para esse domingão à tarde, dia e horário de futebol. E a patroa, é claro, quer que eu vá junto.
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Devo admitir que, ainda que o Flamengo não estivesse jogando, eu não morreria de amores pelo programa. Nunca fui fã de festas de criança. Nem quando eu era criança. Minha mãe ainda lembra, horrorizada, de quando eu mostrei a língua e dei um chute bem dado na canela do animador vestido de Mickey, acho que foi no meu aniversário de cinco anos. Foi desagradável, o cara apertou minha bochecha, algo que eu sempre odiei, e de forma reiterada. No final das contas, o meu kichute foi parar na canela do Mickey Mouse, que chegou a soltar um palavrão, segundo testemunhas próximas. A festa acabou mais cedo, com o aniversariante arremessando brigadeiros e trocando impropérios com um personagem de desenho animado. Bem pastelão.
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Outra coisa que me incomoda muito é a indigência da qualidade musical. Vocês podem achar que é rabugice pura, mas a criançada de hoje escuta muita porcaria. Pra começar que música infantil propriamente dita não existe mais. As crianças em geral, principalmente as meninas, já se consideram grandes demais e consomem avidamente produtos que seriam pra jovens e adolescentes. Normalmente ouvem boy bands, principalmente as da própria Disney, como os jonas brothers da vida.
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Vocês vão entender o meu drama. Eu tive oportunidade recentemente de re-adquirir uma das minhas melhores recordações de infância. Eu já tinha em LP (porra, Da Silva, tu é velho, hein?), e agora comprei em CD, a trilha sonora de um especial infantil produzido pela Globo, décadas atrás, vocês já devem ter ouvido falar, chamava-se Arca de Noé.
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Pra vocês terem idéia do quanto a gente despencou de nível cultural, basta olhar os artistas participantes. Sim, era música para crianças, mas com participação de Alceu Valença, MPB-4, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Marina Lima, Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros. Com músicas de Vinicius de Moraes. Hoje em dia, acho que é intelectual demais até pra muitos adultos.
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Pra piorar, a tal prima já manifestou a intenção de não servir cerveja no aniversário. Sabe como é, festa de criança, não seria adequado. Sei. Quer dizer que cerveja não é adequado, mas Hanna Montana é?
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De Vinicius de Morais a Jonas Brothers, putz, nós descemos muito.
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18 de set de 2009

Nunca é tarde demais para uma loura

Essa aí também não deixa de ser uma loura gostosa
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Um belo dia eu estava assistindo um clipe antigo do Black Eyed Peas (Acho que era Shut Up) e dando uma conferida das mais gulosas na Fergie, que naquela época estava no auge da forma. E lá estava ela, com uma calça estupidamente justa, estalando de gostosa. Toda firme, nutritiva, tenra, macia e suculenta, parecia um Chester da Perdigão.
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Eu devo ter dado algum sinal, sei lá, devo ter feito uma cara muito tarada ou devo ter deixado claro em alguma outra parte da minha anatomia que eu estava imaginando aquele filezão lá em casa. O fato é que uma amiga que assistia o videoclipe ao meu lado não só percebeu as minhas intenções como ainda se deu ao requinte de cortar o meu barato:
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_ Nem adianta, Da Silva. Você é muito novo pra ela.
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Num primeiro momento, não entendi o comentário. Ela podia citar milhões de razões para a Fergie ignorar a minha existência, como por exemplo, os milhões de reais de diferença entre a minha conta bancária e a dela. Ou a distância geográfica. Mas não entendi porque a idade seria exatamente um problema. Eu ando pelos trinta e poucos, a Fergie nasceu em em 1975, nossa diferença de idade é mínima.
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O pior é que a danada também percebeu, só de olhar pra minha cara, que eu não entendi o comentário. Em resposta, ela só pediu para olhar de novo para a tela. Já era um outro clipe, agora era o My Humps. Foi aí que eu entendi exatamente o que ela quis dizer com aquele papo de eu ser muito novo para dar conta da Fergie.
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A cantora é um típico exemplar do que os americanos chamam de Dumb Blondie, aquelas loiras de cinema com um (falso) jeito de boba, gostosas pra cacete, falando com vozinha de criança. Não é a toa que são o sonho de consumo da taradice masculina da terceira idade. Todo tiozão, quando sente o desabrochar da impotência, sonha em ter uma dessas a tiracolo chamando de ele de papi ou coisa parecida. O exemplo mais bem acabado é a Marilyn Monroe cantando parabéns e quase esfregando a bochechuda na cara do presidente Keneddy durante o aniversário dele.
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No fundo, o comentário foi um elogio. Ela quis dizer que eu ainda não estou nessa fase de querer compensar os cabelos brancos ou perdidos com a companhia de garotinhas. Sinceramente, eu espero não chegar a esse ponto, mas muita gente diz que é inevitável. E o pior é que, se eu chegar lá, a Fergie realmente vai estar muito velha pra mim.
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Todo esse texto foi a penas um preâmbulo pra lamentar o quanto as mulheres podem se destruir pela escravidão aos ditames da moda e da vaidade. Evidentemente, meu interesse carnal pela Fergie não se extinguiu, mas ele sofreu um severo abalo diante do que a cantora fez com a própria cara, provavelmente por um Botox exagerado ou algum outro tratamento estético desastroso. Se você olhar esse anúncio da C&A em que ela parece que está com uma bola de pingue-pongue em cada lado da cara vai entender o que eu estou dizendo. Se ela se deixasse envelhecer naturalmente ainda seria uma coroa de parar o trânsito. Mas preferiu parecer que sofreu um acidente de trânsito. Aí fica difícil.


7 de set de 2009

Olhos famintos e a semana da pátria

Eu vou pegar Vossa Excelência lá fora!

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Eu lembro exatamente onde eu estava quando vi as imagens daquela sessão no Senado em que o Collor deu a primeira grande surtada: Tomando uma Bohemia encostado no balcão do Parnasiano, em São Cristóvão, um dos meus bares credenciados. E comecei a achar que estava bebendo demais quando o Collor, espumando de raiva, com o dedo em riste e aqueles olhos esbugalhados, disse pro Pedro Simon que engolisse, e digerisse as palavras (“engula e digira!”).

* Como todos sabem, a imagem não era um delírio alcoólico deste Ogro, ela realmente aconteceu. E nem foi o pior de tudo, já no dia seguinte teve aquela outra com o Tasso Jereissati e o Renan Calheiros chamando-se, entre outras coisas, de cangaceiro e coronel de merda, além de entrarem numa infindável discussão sobre quem tinha os dedos mais sujos. *

O meu primeiro pensamento foi sentir-me um babaca, já que eu, ainda moleque, me dispus a perder uma manhã de sol para ir a uma passeata no Centro do Rio exigindo que aquele psicopata do Collor pedisse pra sair. Eu só não posso dizer que fui um cara-pintada porque acordei muito em cima da hora e não deu pra catar nenhuma roupa preta ou tinta. Eu estava mais para um cara-remelenta, que tinha acabado de acordar. Tudo isso pra, mais de quinze anos depois, ver o Fernandinho fazendo e acontecendo, estragando o meu dia e fazendo a minha cerveja descer quadrada. * Putz, assim fica foda de postar alguma coisa patriótica nesse sete de setembro. Pra não dizer que eu não tentei, segue aí o link do Hino Nacional versão remix by Vanusa, sucesso do You Tube dessa semana. E eu que achava que as piores interpretações do Hino eram dos jogadores da Seleção.

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