23 de abr de 2009

Salve Jorge!

Hoje o dia foi do Ogro aqui. Acabo de tomar uma gelada lá em Quintino, diante da Igreja de São Jorge, ritual que pratico religiosamente há mais de quinze anos. Todo dia 23 de Abril, dia de São Jorge lá estou eu.
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Quem não é do Rio não tem idéia de como fica a cidade. Pra começar que o dia de São Jorge é feriado oficialmente há alguns anos. E pode ser considerado o único feriado religioso digno de tal nome na cidade do Rio. É bastante comum que nos feriados de Corpus Christi ou da Semana Santa, os cariocas peguem a estrada, em direção à Região dos Lagos. O dia de São Jorge, ao contrário, é dia de igrejas lotadas e várias festas pela cidade toda.
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Eu vou tradicionalmente à Igreja Matriz de Quintino, por duas razões afetivas. A primeira é que foi lá que eu pisei numa Igreja pela primeira vez, no tempo em que eu ainda era um moleque endiabrado que as catequistas tentavam consertar, sem conseguir. Além disso, o bairro de Quintino Bocaiúva, no subúrbio do Rio, é uma espécie de Jerusalém rubro-negra, terra onde nasceu o nosso salvador. Zico, astro maior da história do Flamengo, é nascido e criado no bairro, o que torna obrigatória para qualquer torcedor uma visita de peregrinação.
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Como São Jorge, é padroeiro de várias escolas de samba, como o Império Serrano e a Mocidade Independente de Padre Miguel, são realizadas várias rodas de samba pela cidade toda. Em volta da Igreja, sempre tem barracas com comidas típicas, cerveja gelada e batucada da melhor qualidade. E, nunca é demais lembrar, pra a galera das religiões afro, São Jorge é Ogum, a quem se celebra com cerveja. Um motivo a mais pra mandar uma gelada pra dentro.
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Tomara que o Santo Guerreiro ajude a trazer uma energia positiva pra toda a galera que visita e dá uma força aqui pro Ogro Online. Axé pra todos, e Salve Jorge!
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14 de abr de 2009

Consultório sentimental do Ogro: Coma alguém agora, pergunte-me como

Da Silva, meu velho, sou um cara muito tímido e tenho muitas dificuldades na minha vida amorosa. Como eu posso fazer sucesso com as mulheres?
(Travado, Piracicaba-SP)
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Travado, meu caro, talvez a sua abordagem só precise de um pequeno detalhe, uma palavrinha pequena muito repetida nesses livros de auto-ajuda empresarial (um dia ainda vou ficar rico escrevendo uma porra dessas). Seu problema é foco.
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Você precisa descobrir o seu nicho de mercado, o seu público específico. Você ficaria surpreso em saber como é variado o rol de características físicas e de personalidade que as mulheres querem num homem.
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Obviamente, caras saradões, com grana e levemente canalhas sairão na frente, mas você vai ficar besta de como podem existir mulheres para gostar de todos os tipos de homem. Mulheres que gostem de caras tímidos ou atirados, gordos ou magros, baixos ou altos, pretos ou brancos, casados ou solteiros, ricos ou até mesmo pobres (ainda bem). Esse último pode parecer inacreditável, mas você não faz idéia de quantas mulheres fantasiam sexualmente com trabalhadores braçais. Eu já tive uma namorada que se excitou ao me ver trocar um pneu. O relacionamento acabou quando eu ganhei uma ação na justiça e, com a grana, reformei a casa e não sobrou mais nada para eu consertar.
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No seu caso, sugiro alguma mulher mais velha, que goste de tomar a iniciativa e se encante com rapazes mais jovens e (com todo respeito) mais bobos. Com certeza, você vai encontrar. Só sugiro que você não alimente ilusões sobre um relacionamento longo e duradouro, pois boa parte das mulheres com essa descrição já é casada.
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A partir do momento que você encontrou a sua mulher ideal (ou seja, a que quis dar pra você), o seu primeiro sucesso vai abrir as portas para outros, sucessivamente. Não estou sugerindo que você conte para todo mundo, obviamente. Você apenas vai ter que dar algum jeito de todo mundo saber sem se expôr ao desgaste de ter contado pra todo mundo. Basta ser visto uma ou duas vezes com a sua benfeitora que alguma amiga fofoqueira vai tratar de espalhar a notícia. E, muito possivelmente, entrar numa lista de futuras vítimas.
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No mais é aproveitar. Pelo menos até o dia em que você vai seguir o meu exemplo e abraçar esta estranha tara, esse fetiche doentio do qual eu sou adepto, chamado monogamia. Não ria, seu dia vai chegar.
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5 de abr de 2009

Em volta da mesa

Quando eu ainda era adolescente, caí na asneira de perguntar à minha mãe sobre como eu deveria me portar diante da família de alguma potencial namorada. Ela falou maravilhas sobre o quanto a família é importante na vida de uma pessoa, que você ganha uma nova família quando se casa, que eu deveria conquistar a família da candidata, e por aí vai.
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Não satisfeito, fiz a mesma pergunta ao meu pai, a pessoa a quem eu deveria ter perguntado desde o princípio. A resposta foi curta e grossa, na forma de um conselho que, em alguns momentos, eu me arrependo de não ter seguido:
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_ Namore uma órfã, de preferência filha única.
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Inevitável pensar no conselho paterno depois de hoje, quando eu acabo de chegar de um daqueles famigerados almoços de família. E vocês sabem: pior que almoço com a sua família, só almoço com a família da esposa.
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O script foi o mesmo dos mil almoços anteriores: A cada parente novo que chegava, os mesmo assuntos iam sendo repetidos, nessa ordem:
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a) Críticas às minhas escolhas profissionais, principalmente ao fato de eu ter abandonado o Direito para ser professor de História.
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b) Algum comentário enojado sobre as minhas convicções políticas. Aqui cabe um esclarecimento: A maioria dos homens da família da minha esposa é de militares da ativa ou militares aposentados, quase todos da Marinha. Para eles, quem é de esquerda deveria ser fuzilado, o Geisel era um Deus e o Golpe de 64 livrou o Brasil da ameaça dos malditos comunistas comedores de criancinhas.
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c) Uma irritante insistência para que eu coma de tudo, inclusive do que eu não gosto, até sair pelas orelhas, sem que ninguém se importe com o fato de que eu tenho um colesterol pornográfico de tão alto.
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d) Alguma piadinha idiota sobre desempenho do Flamengo, esteja ele bem ou mal. Pois é, a família ainda é esmagadoramente vascaína.
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e) E, pra fechar com chave de ouro, cobranças sobre o fato de eu minha mulher ainda não termos filhos. Como se algum dos parentes fosse bancar o estudo das crianças até a faculdade. O pior é que nem senso de humor eles têm. Até hoje repercute mal uma brincadeira que eu fiz sobre esse assunto. Foi num dia em que, já muito puto pelos comentários intrometidos (e com umas caipirinhas nas idéias), eu sugeri adotarmos uma adolescente do Camboja, amiga da Angelina Jolie. Eu me diverti pra cacete, mas o mal-estar se arrastou por muitas reuniões em família. E não se pode dizer que esteja totalmente cicatrizado.
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O fato é que eu sigo o ditado popular: Família é como cu, cada um com o seu. E, mesmo assim, ainda saem umas merdas de lá.
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A liberdade de escolha feminina
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Diálogo verídico presenciado pelo Ogro numa fila de cinema. Os personagens são um casal de namorados, aparentado algo entre 20 e 22 anos.
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_ Querida, qual filme que você quer ver?
_ Qualquer um, amor. Confio no bom gosto do meu namoradinho, o que você escolher tá bom.
_ É que, nesse horário, tem esses quatro filmes que a gente pode ver.
_ Não tem problema, pode escolher qualquer um.
_ Que tal esse primeiro aqui? Ouvi dizer que é muito bom.
_ Ah, esse não.
_ Tem esse outro aqui, com aquele ator que foi indicado ao Oscar.
_ Logo esse? É muito violento.
_ No mesmo horário tem esse outro, com aquela atriz que você gosta (o namorado já faz a proposta meio irritado).
_ Não sei, eu não senti nada demais quando eu vi a propaganda desse filme.
Já muito puto, o namorado conclui:
_ Então vamos ver esse último aqui, pelo jeito.
_ Ah, esse é perfeito
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E os dois se encaminham para a bilheteria, mas o namorado não se contém e, num gesto de puro masoquismo, pergunta:
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_ Você já queria ver esse filme desde o começo, por que não falou logo?
_ Ah, amor, eu queria que você escolhesse.
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