21/11/2009

A volta do morto-vivo

Michael Jackson, em uma foto muito antiga. Ou muito recente, sei lá, acho que dá na mesma.
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Putz, foi penoso. Um período infernal no trabalho somado a uma doída adaptação a essa desgraça chamada horário de verão deixaram esse blog inviável por semanas. O blogueiro, coitado, se arrasta pela casa e de casa para o trabalho como um morto-vivo, num estado similar ao sobrevivente de uma ressaca épica. O que nos leva, aliás, a uma constatação tão escrota quanto paradoxal: eu nunca me senti tão mal bebendo tão pouco. Sim, porque o expediente nos meus bares habituais ficou severamente prejudicado.
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Tomei um susto me olhando no espelho, ontem. Pálido e com olheiras, eu estava parecendo uma dessas criancinhas de filme de terror japonês. O fato é que eu nunca fui tão Ogro quanto agora, seja no humor ou na aparência.
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Em todo esse tempo de ausência do blog, muita água rolou embaixo da ponte. A energia elétrica já faltou sem explicações convincentes dos governantes, os tiroteios no Rio de Janeiro continuam com assiduidade religiosa (com direito a derrubada de helicóptero), e, em São Paulo, neguim já tá vaiando até mulher gostosa de minissaia. O que salva é que a temporada pré-carnavalesca (com escolhas de sambas, lançamento de CD e ensaios) já está bombando. Sem falar no Flamengo de Andrade que, independentemente do desfecho do Brasileirão, está jogando o fino, disparado o melhor futebol do Brasil.
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Esse final de semana, entretanto, vai dar pra desanuviar um pouco. A patroa está momentaneamente destacada, passando uns dias na casa da mãe, que se recupera de uma cirurgia. Por conta disso, o Ogro aqui está liberado para ver futebol, coçar o saco, arrotar e andar de ceroula à vontade enquanto a bagunça impera por essas bandas. Vai ser o feriadão inteiro assistindo filmes de gângster (Scarface, o Poderoso Chefão, Os Intocáveis), vendo futebol e fazendo refeições sadias e balanceadas, como pizza, ovo frito, cerveja e miojo.
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Só vou precisar reunir forças para limpar a bagunça na segunda de manhã antes de ir trabalhar. Sabe como é, pra não correr o risco de ver cantar o rolo de pastel e eu passar de morto-vivo a morto-morto.
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01/11/2009

Horário de Ogro

Horário de verão fiadaputa!
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Como já deu pra perceber, o blog e o blogueiro se arrastam com ritmo de processo judicial. A razão é das mais prosaicas, nada muito sério. É apenas sono, causado pela conhecida dificuldade do Ogro aqui em adaptar-se ao famigerado horário de verão. Prometo que ainda vou dançar um xaxado na sepultura do filho de rapariga que inventou esta porra.
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Sobre o horário de verão, aliás, eu faço minhas as palavras do
Blog da Luta:
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“O Horário de Verão é uma amostra perfeita de como funciona o Brasil: O pobre tem menos uma hora de sono pro rico ter mais uma hora de praia.”
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20/10/2009

Quem souber me explica

Pode crer, cinema é a maior diversão...
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Cinema sempre foi um dos meus programas preferidos. Ainda mais agora em que eu já deixei pra trás a época das casas noturnas, espantado com os altos preços e com a violência imperante. Ver um filme, dependendo do cinema, ainda é um programa barato se comparado com algumas peças de teatro ou shows. E, se o preço, o tempo ou a distância não permitirem a ida ao cinema, sempre haverá a videolocadora.
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A sétima arte, pra mim, tem duas funções básicas, e em função do meu estado de espírito na ocasião, eu busco uma ou outra. Resumindo, filmes servem pra duas coisas:
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A primeira, como não poderia deixar de ser, é botar o tico e o teco para trabalhar. É quando eu procuro ver filmes que fazem pensar, que fazem refletir. Pode ser um documentário sobre algum grande tema da atualidade ou sobre a vida de algum grande artista. Pode ser um thriller político, um suspense com roteiro bem amarrado e com um final surpreendente, ou um filme alternativo com exercícios de estilo que dialoguem com outras formas de arte.
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Nessa linha, eu gosto dos suspenses do Hitchcock, nos filmes politicamente inquietantes do Spike Lee e do Oliver Stone e de alguns filmes fora do grande circuito hollywoodiano. É impressionante como tem vindo coisas boas de alguns lugares inesperados, como do Irã, da Argentina. Sem falar no cinema nacional, de onde sempre surgem filmes bons, principalmente quando tratam da nossa realidade. Fora alguns documentários musicais excelentes como o Buena Vista Social Club e as cinebiografias de Cartola, Vinicius de Morais, Wilson Simonal.
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A outra grande utilidade de qualquer filme é a extrema oposta: Meter o pé na jaca, com objetivo puro e simples de divertir. Pra isso valem todos os filmes de Ogro em geral, a começar pelos filmes de ação que eu vi a minha infância inteira, como todos os Rockys, Rambos e Duros de Matar. Sem falar nos épicos, com aquelas batalhas campais enormes e cheias de figurantes, e nos clássicos, como os de gângster e os de faroeste.
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Aqueles das antigas, como O poderoso Chefão, os Intocáveis e Scarface. Eu também gosto dos filmes de ação absolutamente inverossímeis do John Woo (MI-2, A Outra Face) e de adaptações de heróis de quadrinhos. Gosto de todos os filmes do Quentin Tarantino e do Clint Eastwood Além, de comédias, principalmente as mais sem noção, como Borat e as do Monty Python.
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Tem alguns poucos filmes que aliam as duas coisas, como os documentários do Michael Moore, os clássicos do Charles Chaplin e alguns poucos filmes de ação, como V de Vingança, mas é raro.
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Fica combinado assim: Filme é com conteúdo pra fazer pensar ou com sangue e bagaceira pra se divertir.
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Assim, alguém me explica, pelamordedeus, por que cargas d’água as mulheres (com as devidas exceções, evidentemente) gostam tanto de filmes que não fazem uma coisa nem outra, como as malfadadas comédias românticas? Dos filmes da Meg Ryan ao Sex and the City, são horas de discussão de relação, fala sério. Não satisfeitas em criar fantasmas e traumas para os próprios relacionamentos, elas ainda têm que assistir filmes em que outras mulheres fazem isso? Quem tiver uma boa resposta, eu passo a palavra.
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11/10/2009

Conversas de botequim

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Conversa de Botequim (Noel Rosa)
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Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo
e um copo d'água bem gelada
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Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
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Não vai ficar muito gelada, mas e daí?
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Fazendo jus ao cabeçalho desse blog vão só alguns comentários rápidos e pertinentes sobre cada uma das editorias que compõem a razão de ser desse cafofo virtual, filial blogueira do meu pântano. Não vou me alongar, mesmo porque eu tenho que me recuperar depois da ressaca causada pela vitória do Flamengo sobre o São Paulo. Aqui vai tudo o que eu tenho a dizer sobre mulher, política, samba, futebol e cerveja, os papos de botequim por excelência.
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Taí um reality show que eu assisto. O Casa Bonita do Multishow não difere muito da maioria dos que a gente vê por aí, como os Big Brothers e Fazendas da vida. É tão idiota quanto todos eles, com aquelas intriguinhas idiotas e participantes com QI inferior ao de alguns grandes primatas.
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Eu tenho que reconhecer, entretanto a honestidade. Esse pelo menos admite que o que interessa são as gostosonas seminuas e não fica querendo pagar uma de que tem algum conteúdo. Não tem aqueles acessos pretensiosos de quem tenta posar de inteligente como aquelas edições engraçadinhas, ou pior, as crônicas do Pedro Bial. O Big Brother esta para o Casa Bonita mais ou menos como o jogo está para o compacto com os melhores momentos. Pra ficar perfeito só faltava mais interatividade...
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Acho que quem tem que sair da casa... são as roupas!

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Definitivamente, é época de preparar o corpo. Já estamos em plena temporada pré-carnavalesca com as Escolas de Samba chegando às finais em suas disputas de samba-enredo. A primeira foi a Vila Isabel, o Salgueiro também já seu samba e, nas próximas semanas, a maioria das escolas já vai estar com o samba escolhido. Mais pra frente eu presto esse serviço de utilidade pública e divulgo o calendário de ensaios (técnicos, de quadra e de rua), podem me cobrar.
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Por enquanto, segue aqui o samba vencedor da Vila. Guardando o respeito devido a um samba sobre Noel Rosa, de autoria de Martinho da Vila. Tem que respeitar.

Para o pessoal de São Paulo, isso aí chama-se tamborim. Serve pra batucar.

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E O Obama, hein? Já ganhou um prêmio Nobel da Paz, com menos de um ano de governo, mesmo mandando bombardear o Afeganistão diariamente, com freqüência religiosa. O engraçado é que os responsáveis pelo prêmio admitiram, sem maiores pudores, que ele ganhou o prêmio pura e simplesmente pelos apelos que tem feito pela paz e por um mundo mais plural, mais do que por qualquer ação concreta. Em suma, o presidente ganhou um Nobel pura e simplesmente pelas boas intenções.
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Pôxa, eu sempre desejei ardentemente a paz mundial, já até fiz pronunciamentos nesse sentido, o pessoal do botequim é testemunha. Logo, o prêmio de mais um milhão de dólares também não me cairia mal. Eu prometo que não gastaria tudo de cerveja, claro que não. Também mandaria vir uns tira-gostos.
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Na foto, o Obama é o cara que está com a cueca por dentro da calça.


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E eu que sempre impliquei com a matemática. Olha só essa pérola que eu pesquei na Internet ontem. Ao que parece, é um estudo sério:
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“Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (UniFeSP) mostrou que cada brasileiro caminha em média 1.440 km ao ano. Outro estudo feito pela Associação Médica Brasileira (AMB) mostrou que o brasileiro consome, em média, 86 litros de cerveja ao ano. A conclusão é animadora: o brasileiro faz 16,7 km por litro”.
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A única ressalva que eu faço é que nem todo mundo é tão econômico. Tem gente que anda bem menos e bebe bem mais.

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Tenho que admitir que o meu consumo é de Opalão ou de Dodge Dart.


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Por fim, a foto abaixo, pescada no
Urublog, é a única coisa que me ocorre quando penso no Flamengo X São Paulo do último sábado. Como a torcida do São Paulo elegeu o Jason como mascote, acho que o Flamengo pode ter encerrado a série Sexta-feira 13 nesse sábado 10. Sem possibilidade de se filmar continuações.
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O Bambi pelo menos não morre no fim do filme...

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E eu tenho que poupar o fígado, pois hoje ainda tem Bolívia x Brasil. Tudo bem que o fígado é um órgão capaz de se regenerar, mas dessa vez ele vai ter ser melhor que o do Wolverine.
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04/10/2009

Que comecem os jogos!

Etilismo livre sem barreiras: Será que vira esporte olímpico até 2016?
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Bom, a essa altura, o mundo inteiro (literalmente) já sabe que o Rio foi escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Teve festa em Copacabana, o Lula já chorou e aquele bando de malucos fantasiados (que são mais ou menos os mesmos que você vê no Maracanã ou no Largo da Carioca) já deu vazão ao seu desejo patológico de aparecer. Tudo dentro da mais perfeita ordem, ou pelo menos do que a gente entende por ordem em terras cariocas.
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Sei não, eu queria me entusiasmar mais com esse troço. Eu tenho um desconfiômetro ativo demais, talvez seja o tal legado dos jogos Pan-Americanos, algo que foi muito alardeado e ficou só na promessa. Quem não é do Rio de Janeiro não sabe, mas a única grande instalação esportiva construída para o Pan e que continuou sendo utilizada regularmente depois é o Estádio Olímpico João Havelange, vulgo Engenhão (o nome deve-se ao bairro, o Engenho de Dentro). No mais, tem um velódromo, um stand de tiro e um parque aquático novinhos em folha, que estão fechados desde que acabou o Pan. A pista de equitação e a arena do basquete já receberam um ou dois eventos e só.
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Fora a penca de problemas a serem resolvidos. Todos relacionados ao transporte e a segurança basicamente, além da despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía de Guanabara. Mas até nisso o Rio dá sorte, pois basta ficar alguns dias sem chover que muitos desses acidentes geográficos já ficam limpos naturalmente.
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Evidentemente que nós confiamos que nossas autoridades, com o empenho e honestidade que lhe são inatas, acharão formas criativas de maquiar todos os nossos problemas por quinze dias, de maneira a que tudo funcione maravilhosamente durante os Jogos e volte a ser como antes tão logo se apague a pira. No mais, é só deixar os gringos embasbacados com a paisagem. Afinal, o Rio de Janeiro continua um lugar muito bonito, pois as belezas naturais (graças a Deus!) não precisaram ser feitas pelas autoridades.
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Termino esse post palpiteiro com um exercício de adivinhação: Como eu estarei em 2016? Com mais barriga e menos cabelo, certamente. Com filhos, pelo menos essa é a idéia. Talvez com carro, mas isso eu ainda preciso pensar (Mais que as razões financeiras, eu não tenho carro por uma resolução pessoal, um dia eu ainda conto minhas tristes desventuras a bordo do meu finado Ogromóvel).
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Duas coisas, entretanto, eu posso afirmar com 110% de certeza: Eu ainda serei Flamengo. E estarei longe de tomar a saideira.
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Pra fechar com chave de ouro, essa charge satirizando a campanha do Obama já está correndo a Internet, excelente.
Nem Obama nem Lula. O Mussum é que era o cara!
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27/09/2009

Crise diplomática: Do Vinicius ao Jonas Brothers

Pedindo abrigo na embaixada em Honduras, será que eu escapo da festa?
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É grave crise. Ao que parece, chegou-se a um impasse e, gradativamente, estão se esgotando todas as possibilidades de resolver o problema pelas vias diplomáticas. Não, não estamos falando de Honduras, mas da prima golpista da patroa, que marcou a festinha de aniversário do filho de um ano para esse domingão à tarde, dia e horário de futebol. E a patroa, é claro, quer que eu vá junto.
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Devo admitir que, ainda que o Flamengo não estivesse jogando, eu não morreria de amores pelo programa. Nunca fui fã de festas de criança. Nem quando eu era criança. Minha mãe ainda lembra, horrorizada, de quando eu mostrei a língua e dei um chute bem dado na canela do animador vestido de Mickey, acho que foi no meu aniversário de cinco anos. Foi desagradável, o cara apertou minha bochecha, algo que eu sempre odiei, e de forma reiterada. No final das contas, o meu kichute foi parar na canela do Mickey Mouse, que chegou a soltar um palavrão, segundo testemunhas próximas. A festa acabou mais cedo, com o aniversariante arremessando brigadeiros e trocando impropérios com um personagem de desenho animado. Bem pastelão.
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Outra coisa que me incomoda muito é a indigência da qualidade musical. Vocês podem achar que é rabugice pura, mas a criançada de hoje escuta muita porcaria. Pra começar que música infantil propriamente dita não existe mais. As crianças em geral, principalmente as meninas, já se consideram grandes demais e consomem avidamente produtos que seriam pra jovens e adolescentes. Normalmente ouvem boy bands, principalmente as da própria Disney, como os jonas brothers da vida.
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Vocês vão entender o meu drama. Eu tive oportunidade recentemente de re-adquirir uma das minhas melhores recordações de infância. Eu já tinha em LP (porra, Da Silva, tu é velho, hein?), e agora comprei em CD, a trilha sonora de um especial infantil produzido pela Globo, décadas atrás, vocês já devem ter ouvido falar, chamava-se Arca de Noé.
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Pra vocês terem idéia do quanto a gente despencou de nível cultural, basta olhar os artistas participantes. Sim, era música para crianças, mas com participação de Alceu Valença, MPB-4, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Marina Lima, Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros. Com músicas de Vinicius de Moraes. Hoje em dia, acho que é intelectual demais até pra muitos adultos.
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Pra piorar, a tal prima já manifestou a intenção de não servir cerveja no aniversário. Sabe como é, festa de criança, não seria adequado. Sei. Quer dizer que cerveja não é adequado, mas Hanna Montana é?
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De Vinicius de Morais a Jonas Brothers, putz, nós descemos muito.
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18/09/2009

Nunca é tarde demais para uma loura

Essa aí também não deixa de ser uma loura gostosa
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Um belo dia eu estava assistindo um clipe antigo do Black Eyed Peas (Acho que era Shut Up) e dando uma conferida das mais gulosas na Fergie, que naquela época estava no auge da forma. E lá estava ela, com uma calça estupidamente justa, estalando de gostosa. Toda firme, nutritiva, tenra, macia e suculenta, parecia um Chester da Perdigão.
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Eu devo ter dado algum sinal, sei lá, devo ter feito uma cara muito tarada ou devo ter deixado claro em alguma outra parte da minha anatomia que eu estava imaginando aquele filezão lá em casa. O fato é que uma amiga que assistia o videoclipe ao meu lado não só percebeu as minhas intenções como ainda se deu ao requinte de cortar o meu barato:
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_ Nem adianta, Da Silva. Você é muito novo pra ela.
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Num primeiro momento, não entendi o comentário. Ela podia citar milhões de razões para a Fergie ignorar a minha existência, como por exemplo, os milhões de reais de diferença entre a minha conta bancária e a dela. Ou a distância geográfica. Mas não entendi porque a idade seria exatamente um problema. Eu ando pelos trinta e poucos, a Fergie nasceu em em 1975, nossa diferença de idade é mínima.
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O pior é que a danada também percebeu, só de olhar pra minha cara, que eu não entendi o comentário. Em resposta, ela só pediu para olhar de novo para a tela. Já era um outro clipe, agora era o My Humps. Foi aí que eu entendi exatamente o que ela quis dizer com aquele papo de eu ser muito novo para dar conta da Fergie.
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A cantora é um típico exemplar do que os americanos chamam de Dumb Blondie, aquelas loiras de cinema com um (falso) jeito de boba, gostosas pra cacete, falando com vozinha de criança. Não é a toa que são o sonho de consumo da taradice masculina da terceira idade. Todo tiozão, quando sente o desabrochar da impotência, sonha em ter uma dessas a tiracolo chamando de ele de papi ou coisa parecida. O exemplo mais bem acabado é a Marilyn Monroe cantando parabéns e quase esfregando a bochechuda na cara do presidente Keneddy durante o aniversário dele.
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No fundo, o comentário foi um elogio. Ela quis dizer que eu ainda não estou nessa fase de querer compensar os cabelos brancos ou perdidos com a companhia de garotinhas. Sinceramente, eu espero não chegar a esse ponto, mas muita gente diz que é inevitável. E o pior é que, se eu chegar lá, a Fergie realmente vai estar muito velha pra mim.
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Todo esse texto foi a penas um preâmbulo pra lamentar o quanto as mulheres podem se destruir pela escravidão aos ditames da moda e da vaidade. Evidentemente, meu interesse carnal pela Fergie não se extinguiu, mas ele sofreu um severo abalo diante do que a cantora fez com a própria cara, provavelmente por um Botox exagerado ou algum outro tratamento estético desastroso. Se você olhar esse anúncio da C&A em que ela parece que está com uma bola de pingue-pongue em cada lado da cara vai entender o que eu estou dizendo. Se ela se deixasse envelhecer naturalmente ainda seria uma coroa de parar o trânsito. Mas preferiu parecer que sofreu um acidente de trânsito. Aí fica difícil.