6 de dez de 2009

Se beber, não atualize o blog (II)


Por razões mais do que óbvias, ficarei devendo uma postagem mais sóbria. Um abraço do blogueiro, sem voz e sem fígado, mas feliz da vida.

28 de nov de 2009

Garçom, desce um conhaque e um porrete

Namorado em casa, só depois dos cinquenta anos, ouviu?
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Eu sou suspeito pra falar. Não tenho filhos (nem filhas), tampouco posso ser chamado de moralista ou conservador, não só pelas minhas conhecidas opiniões, quanto pelo meu passado, que me condena bastante. Mas, ainda assim, eu acho que certas coisas têm limite, e as novas gerações às vezes passam do ponto. Foi a conclusão a que eu cheguei diante do relato do Abreu, companheiro de muitas bebedeiras, que chegou com ar desolado no bar nesta sexta-feira. No lugar do chope habitual, ele pediu um conhaque. Para quem o conhece, era um sinal claro de que ele não estava num bom dia.
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Desolado, ele contou a desventura por que passou com a Marianinha, sua filha mais velha, que numa conversa franca e direta, lhe expôs suas intenções de dormir com o namorado em casa, dividindo quarto, cama e fluidos corporais. Pro Abreu e pra esposa, foi um choque. Ele, militar aposentado. Ela, coordenadora da Congregação Mariana da Igreja. Pelos perfis já deu pra sentir que foi muita modernidade de uma vez só.
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Mas ele não se deixou abater. Num esforço de tolerância e compreensão, o Abreu fez um genuíno esforço para aceitar que, hoje em dia, os tempos são outros. Que vivemos num ambiente democrático e sem tabus, no qual as mulheres estão conquistando a independência financeira e a liberdade para decidir sobre a própria vida e sobre o próprio corpo. Também pesou para a rendição do nosso amigo o argumento irrespondível da garota: “Você prefere que isso aconteça aqui ou na rua?
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Pois bem, chegou o grande dia. O garotão que já havia sido apresentado à família do Abreu numa ocasião anterior, instalou-se na casa do sogrão de armas e bagagens numa sexta-feira, a pretexto de dormir lá para ele e a namorada não perderem o horário do passeio que fariam no sábado.
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Depois de dormir mal a noite inteira, com algodão nos ouvidos para que nenhum som vindo do quarto ao lado ferisse seu instinto paterno superprotetor, o Abreu levantou cedo e foi pra cozinha fazer o café. Não achava justo que, depois de levantar cedo a semana inteira, a senhora Abreu ainda ficasse responsável pelo desjejum dos finais de semana. Ele já estava entretido com a vitamina e os ovos mexidos quando o pior aconteceu.
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A primeira estocada no coração do nosso companheiro de copo foi dada no momento em que o candidato a genro entrou na cozinha, com aquela expressão de quem fareja comida pronta. E pior, com um sorrisão enorme, de uma orelha a outra. Estava na cara, literalmente, que ele teve uma noite maravilhosa.
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Só aquele sorriso já seria capaz de deixar marcas psicológicas profundas no Abreu, papo de fazer análise e o cacete. Aquele sorriso falava por si só, aquele sorriso já dizia tudo. Infelizmente o desgraçado, o fiodaputa, o safardana, o meliante, o miserável do garotão achou que não. Ele realmente achou que tinha que dizer alguma coisa. Não sei se ele quis ser engraçado, quebrar o gelo, sei lá, mas ele acabou começando (e terminando) a conversa com essa pérola:
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_ Pô, vai ser legal mesmo tomar uma vitamina caprichada. Sua filha me deixou acabadão essa noite.
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Pelas informações que tivemos, o rapaz ainda sente algumas dores, mas já voltou a mastigar os alimentos normalmente. E o Abreu deve comparecer à delegacia ainda essa semana.
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21 de nov de 2009

A volta do morto-vivo

Michael Jackson, em uma foto muito antiga. Ou muito recente, sei lá, acho que dá na mesma.
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Putz, foi penoso. Um período infernal no trabalho somado a uma doída adaptação a essa desgraça chamada horário de verão deixaram esse blog inviável por semanas. O blogueiro, coitado, se arrasta pela casa e de casa para o trabalho como um morto-vivo, num estado similar ao sobrevivente de uma ressaca épica. O que nos leva, aliás, a uma constatação tão escrota quanto paradoxal: eu nunca me senti tão mal bebendo tão pouco. Sim, porque o expediente nos meus bares habituais ficou severamente prejudicado.
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Tomei um susto me olhando no espelho, ontem. Pálido e com olheiras, eu estava parecendo uma dessas criancinhas de filme de terror japonês. O fato é que eu nunca fui tão Ogro quanto agora, seja no humor ou na aparência.
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Em todo esse tempo de ausência do blog, muita água rolou embaixo da ponte. A energia elétrica já faltou sem explicações convincentes dos governantes, os tiroteios no Rio de Janeiro continuam com assiduidade religiosa (com direito a derrubada de helicóptero), e, em São Paulo, neguim já tá vaiando até mulher gostosa de minissaia. O que salva é que a temporada pré-carnavalesca (com escolhas de sambas, lançamento de CD e ensaios) já está bombando. Sem falar no Flamengo de Andrade que, independentemente do desfecho do Brasileirão, está jogando o fino, disparado o melhor futebol do Brasil.
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Esse final de semana, entretanto, vai dar pra desanuviar um pouco. A patroa está momentaneamente destacada, passando uns dias na casa da mãe, que se recupera de uma cirurgia. Por conta disso, o Ogro aqui está liberado para ver futebol, coçar o saco, arrotar e andar de ceroula à vontade enquanto a bagunça impera por essas bandas. Vai ser o feriadão inteiro assistindo filmes de gângster (Scarface, o Poderoso Chefão, Os Intocáveis), vendo futebol e fazendo refeições sadias e balanceadas, como pizza, ovo frito, cerveja e miojo.
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Só vou precisar reunir forças para limpar a bagunça na segunda de manhã antes de ir trabalhar. Sabe como é, pra não correr o risco de ver cantar o rolo de pastel e eu passar de morto-vivo a morto-morto.
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1 de nov de 2009

Horário de Ogro

Horário de verão fiadaputa!
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Como já deu pra perceber, o blog e o blogueiro se arrastam com ritmo de processo judicial. A razão é das mais prosaicas, nada muito sério. É apenas sono, causado pela conhecida dificuldade do Ogro aqui em adaptar-se ao famigerado horário de verão. Prometo que ainda vou dançar um xaxado na sepultura do filho de rapariga que inventou esta porra.

* Sobre o horário de verão, aliás, eu faço minhas as palavras do Blog da Luta:

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“O Horário de Verão é uma amostra perfeita de como funciona o Brasil: O pobre tem menos uma hora de sono pro rico ter mais uma hora de praia.”

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20 de out de 2009

Quem souber me explica

Pode crer, cinema é a maior diversão...
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Cinema sempre foi um dos meus programas preferidos. Ainda mais agora em que eu já deixei pra trás a época das casas noturnas, espantado com os altos preços e com a violência imperante. Ver um filme, dependendo do cinema, ainda é um programa barato se comparado com algumas peças de teatro ou shows. E, se o preço, o tempo ou a distância não permitirem a ida ao cinema, sempre haverá a videolocadora.
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A sétima arte, pra mim, tem duas funções básicas, e em função do meu estado de espírito na ocasião, eu busco uma ou outra. Resumindo, filmes servem pra duas coisas:
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A primeira, como não poderia deixar de ser, é botar o tico e o teco para trabalhar. É quando eu procuro ver filmes que fazem pensar, que fazem refletir. Pode ser um documentário sobre algum grande tema da atualidade ou sobre a vida de algum grande artista. Pode ser um thriller político, um suspense com roteiro bem amarrado e com um final surpreendente, ou um filme alternativo com exercícios de estilo que dialoguem com outras formas de arte.
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Nessa linha, eu gosto dos suspenses do Hitchcock, nos filmes politicamente inquietantes do Spike Lee e do Oliver Stone e de alguns filmes fora do grande circuito hollywoodiano. É impressionante como tem vindo coisas boas de alguns lugares inesperados, como do Irã, da Argentina. Sem falar no cinema nacional, de onde sempre surgem filmes bons, principalmente quando tratam da nossa realidade. Fora alguns documentários musicais excelentes como o Buena Vista Social Club e as cinebiografias de Cartola, Vinicius de Morais, Wilson Simonal.
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A outra grande utilidade de qualquer filme é a extrema oposta: Meter o pé na jaca, com objetivo puro e simples de divertir. Pra isso valem todos os filmes de Ogro em geral, a começar pelos filmes de ação que eu vi a minha infância inteira, como todos os Rockys, Rambos e Duros de Matar. Sem falar nos épicos, com aquelas batalhas campais enormes e cheias de figurantes, e nos clássicos, como os de gângster e os de faroeste.
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Aqueles das antigas, como O poderoso Chefão, os Intocáveis e Scarface. Eu também gosto dos filmes de ação absolutamente inverossímeis do John Woo (MI-2, A Outra Face) e de adaptações de heróis de quadrinhos. Gosto de todos os filmes do Quentin Tarantino e do Clint Eastwood Além, de comédias, principalmente as mais sem noção, como Borat e as do Monty Python.
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Tem alguns poucos filmes que aliam as duas coisas, como os documentários do Michael Moore, os clássicos do Charles Chaplin e alguns poucos filmes de ação, como V de Vingança, mas é raro.
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Fica combinado assim: Filme é com conteúdo pra fazer pensar ou com sangue e bagaceira pra se divertir.
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Assim, alguém me explica, pelamordedeus, por que cargas d’água as mulheres (com as devidas exceções, evidentemente) gostam tanto de filmes que não fazem uma coisa nem outra, como as malfadadas comédias românticas? Dos filmes da Meg Ryan ao Sex and the City, são horas de discussão de relação, fala sério. Não satisfeitas em criar fantasmas e traumas para os próprios relacionamentos, elas ainda têm que assistir filmes em que outras mulheres fazem isso? Quem tiver uma boa resposta, eu passo a palavra.
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11 de out de 2009

Conversas de botequim

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Conversa de Botequim (Noel Rosa)
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Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo
e um copo d'água bem gelada
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Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
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Não vai ficar muito gelada, mas e daí?
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Fazendo jus ao cabeçalho desse blog vão só alguns comentários rápidos e pertinentes sobre cada uma das editorias que compõem a razão de ser desse cafofo virtual, filial blogueira do meu pântano. Não vou me alongar, mesmo porque eu tenho que me recuperar depois da ressaca causada pela vitória do Flamengo sobre o São Paulo. Aqui vai tudo o que eu tenho a dizer sobre mulher, política, samba, futebol e cerveja, os papos de botequim por excelência.
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Taí um reality show que eu assisto. O Casa Bonita do Multishow não difere muito da maioria dos que a gente vê por aí, como os Big Brothers e Fazendas da vida. É tão idiota quanto todos eles, com aquelas intriguinhas idiotas e participantes com QI inferior ao de alguns grandes primatas.
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Eu tenho que reconhecer, entretanto a honestidade. Esse pelo menos admite que o que interessa são as gostosonas seminuas e não fica querendo pagar uma de que tem algum conteúdo. Não tem aqueles acessos pretensiosos de quem tenta posar de inteligente como aquelas edições engraçadinhas, ou pior, as crônicas do Pedro Bial. O Big Brother esta para o Casa Bonita mais ou menos como o jogo está para o compacto com os melhores momentos. Pra ficar perfeito só faltava mais interatividade...
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Acho que quem tem que sair da casa... são as roupas!

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Definitivamente, é época de preparar o corpo. Já estamos em plena temporada pré-carnavalesca com as Escolas de Samba chegando às finais em suas disputas de samba-enredo. A primeira foi a Vila Isabel, o Salgueiro também já seu samba e, nas próximas semanas, a maioria das escolas já vai estar com o samba escolhido. Mais pra frente eu presto esse serviço de utilidade pública e divulgo o calendário de ensaios (técnicos, de quadra e de rua), podem me cobrar.
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Por enquanto, segue aqui o samba vencedor da Vila. Guardando o respeito devido a um samba sobre Noel Rosa, de autoria de Martinho da Vila. Tem que respeitar.

Para o pessoal de São Paulo, isso aí chama-se tamborim. Serve pra batucar.

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E O Obama, hein? Já ganhou um prêmio Nobel da Paz, com menos de um ano de governo, mesmo mandando bombardear o Afeganistão diariamente, com freqüência religiosa. O engraçado é que os responsáveis pelo prêmio admitiram, sem maiores pudores, que ele ganhou o prêmio pura e simplesmente pelos apelos que tem feito pela paz e por um mundo mais plural, mais do que por qualquer ação concreta. Em suma, o presidente ganhou um Nobel pura e simplesmente pelas boas intenções.
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Pôxa, eu sempre desejei ardentemente a paz mundial, já até fiz pronunciamentos nesse sentido, o pessoal do botequim é testemunha. Logo, o prêmio de mais um milhão de dólares também não me cairia mal. Eu prometo que não gastaria tudo de cerveja, claro que não. Também mandaria vir uns tira-gostos.
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Na foto, o Obama é o cara que está com a cueca por dentro da calça.


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E eu que sempre impliquei com a matemática. Olha só essa pérola que eu pesquei na Internet ontem. Ao que parece, é um estudo sério:
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“Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (UniFeSP) mostrou que cada brasileiro caminha em média 1.440 km ao ano. Outro estudo feito pela Associação Médica Brasileira (AMB) mostrou que o brasileiro consome, em média, 86 litros de cerveja ao ano. A conclusão é animadora: o brasileiro faz 16,7 km por litro”.
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A única ressalva que eu faço é que nem todo mundo é tão econômico. Tem gente que anda bem menos e bebe bem mais.

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Tenho que admitir que o meu consumo é de Opalão ou de Dodge Dart.


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Por fim, a foto abaixo, pescada no
Urublog, é a única coisa que me ocorre quando penso no Flamengo X São Paulo do último sábado. Como a torcida do São Paulo elegeu o Jason como mascote, acho que o Flamengo pode ter encerrado a série Sexta-feira 13 nesse sábado 10. Sem possibilidade de se filmar continuações.
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O Bambi pelo menos não morre no fim do filme...

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E eu tenho que poupar o fígado, pois hoje ainda tem Bolívia x Brasil. Tudo bem que o fígado é um órgão capaz de se regenerar, mas dessa vez ele vai ter ser melhor que o do Wolverine.
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4 de out de 2009

Que comecem os jogos!

Etilismo livre sem barreiras: Será que vira esporte olímpico até 2016?
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Bom, a essa altura, o mundo inteiro (literalmente) já sabe que o Rio foi escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Teve festa em Copacabana, o Lula já chorou e aquele bando de malucos fantasiados (que são mais ou menos os mesmos que você vê no Maracanã ou no Largo da Carioca) já deu vazão ao seu desejo patológico de aparecer. Tudo dentro da mais perfeita ordem, ou pelo menos do que a gente entende por ordem em terras cariocas.
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Sei não, eu queria me entusiasmar mais com esse troço. Eu tenho um desconfiômetro ativo demais, talvez seja o tal legado dos jogos Pan-Americanos, algo que foi muito alardeado e ficou só na promessa. Quem não é do Rio de Janeiro não sabe, mas a única grande instalação esportiva construída para o Pan e que continuou sendo utilizada regularmente depois é o Estádio Olímpico João Havelange, vulgo Engenhão (o nome deve-se ao bairro, o Engenho de Dentro). No mais, tem um velódromo, um stand de tiro e um parque aquático novinhos em folha, que estão fechados desde que acabou o Pan. A pista de equitação e a arena do basquete já receberam um ou dois eventos e só.
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Fora a penca de problemas a serem resolvidos. Todos relacionados ao transporte e a segurança basicamente, além da despoluição da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía de Guanabara. Mas até nisso o Rio dá sorte, pois basta ficar alguns dias sem chover que muitos desses acidentes geográficos já ficam limpos naturalmente.
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Evidentemente que nós confiamos que nossas autoridades, com o empenho e honestidade que lhe são inatas, acharão formas criativas de maquiar todos os nossos problemas por quinze dias, de maneira a que tudo funcione maravilhosamente durante os Jogos e volte a ser como antes tão logo se apague a pira. No mais, é só deixar os gringos embasbacados com a paisagem. Afinal, o Rio de Janeiro continua um lugar muito bonito, pois as belezas naturais (graças a Deus!) não precisaram ser feitas pelas autoridades.
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Termino esse post palpiteiro com um exercício de adivinhação: Como eu estarei em 2016? Com mais barriga e menos cabelo, certamente. Com filhos, pelo menos essa é a idéia. Talvez com carro, mas isso eu ainda preciso pensar (Mais que as razões financeiras, eu não tenho carro por uma resolução pessoal, um dia eu ainda conto minhas tristes desventuras a bordo do meu finado Ogromóvel).
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Duas coisas, entretanto, eu posso afirmar com 110% de certeza: Eu ainda serei Flamengo. E estarei longe de tomar a saideira.
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Pra fechar com chave de ouro, essa charge satirizando a campanha do Obama já está correndo a Internet, excelente.
Nem Obama nem Lula. O Mussum é que era o cara!
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27 de set de 2009

Crise diplomática: Do Vinicius ao Jonas Brothers

Pedindo abrigo na embaixada em Honduras, será que eu escapo da festa?
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É grave crise. Ao que parece, chegou-se a um impasse e, gradativamente, estão se esgotando todas as possibilidades de resolver o problema pelas vias diplomáticas. Não, não estamos falando de Honduras, mas da prima golpista da patroa, que marcou a festinha de aniversário do filho de um ano para esse domingão à tarde, dia e horário de futebol. E a patroa, é claro, quer que eu vá junto.
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Devo admitir que, ainda que o Flamengo não estivesse jogando, eu não morreria de amores pelo programa. Nunca fui fã de festas de criança. Nem quando eu era criança. Minha mãe ainda lembra, horrorizada, de quando eu mostrei a língua e dei um chute bem dado na canela do animador vestido de Mickey, acho que foi no meu aniversário de cinco anos. Foi desagradável, o cara apertou minha bochecha, algo que eu sempre odiei, e de forma reiterada. No final das contas, o meu kichute foi parar na canela do Mickey Mouse, que chegou a soltar um palavrão, segundo testemunhas próximas. A festa acabou mais cedo, com o aniversariante arremessando brigadeiros e trocando impropérios com um personagem de desenho animado. Bem pastelão.
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Outra coisa que me incomoda muito é a indigência da qualidade musical. Vocês podem achar que é rabugice pura, mas a criançada de hoje escuta muita porcaria. Pra começar que música infantil propriamente dita não existe mais. As crianças em geral, principalmente as meninas, já se consideram grandes demais e consomem avidamente produtos que seriam pra jovens e adolescentes. Normalmente ouvem boy bands, principalmente as da própria Disney, como os jonas brothers da vida.
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Vocês vão entender o meu drama. Eu tive oportunidade recentemente de re-adquirir uma das minhas melhores recordações de infância. Eu já tinha em LP (porra, Da Silva, tu é velho, hein?), e agora comprei em CD, a trilha sonora de um especial infantil produzido pela Globo, décadas atrás, vocês já devem ter ouvido falar, chamava-se Arca de Noé.
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Pra vocês terem idéia do quanto a gente despencou de nível cultural, basta olhar os artistas participantes. Sim, era música para crianças, mas com participação de Alceu Valença, MPB-4, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Marina Lima, Chico Buarque e Milton Nascimento, entre outros. Com músicas de Vinicius de Moraes. Hoje em dia, acho que é intelectual demais até pra muitos adultos.
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Pra piorar, a tal prima já manifestou a intenção de não servir cerveja no aniversário. Sabe como é, festa de criança, não seria adequado. Sei. Quer dizer que cerveja não é adequado, mas Hanna Montana é?
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De Vinicius de Morais a Jonas Brothers, putz, nós descemos muito.
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18 de set de 2009

Nunca é tarde demais para uma loura

Essa aí também não deixa de ser uma loura gostosa
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Um belo dia eu estava assistindo um clipe antigo do Black Eyed Peas (Acho que era Shut Up) e dando uma conferida das mais gulosas na Fergie, que naquela época estava no auge da forma. E lá estava ela, com uma calça estupidamente justa, estalando de gostosa. Toda firme, nutritiva, tenra, macia e suculenta, parecia um Chester da Perdigão.
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Eu devo ter dado algum sinal, sei lá, devo ter feito uma cara muito tarada ou devo ter deixado claro em alguma outra parte da minha anatomia que eu estava imaginando aquele filezão lá em casa. O fato é que uma amiga que assistia o videoclipe ao meu lado não só percebeu as minhas intenções como ainda se deu ao requinte de cortar o meu barato:
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_ Nem adianta, Da Silva. Você é muito novo pra ela.
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Num primeiro momento, não entendi o comentário. Ela podia citar milhões de razões para a Fergie ignorar a minha existência, como por exemplo, os milhões de reais de diferença entre a minha conta bancária e a dela. Ou a distância geográfica. Mas não entendi porque a idade seria exatamente um problema. Eu ando pelos trinta e poucos, a Fergie nasceu em em 1975, nossa diferença de idade é mínima.
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O pior é que a danada também percebeu, só de olhar pra minha cara, que eu não entendi o comentário. Em resposta, ela só pediu para olhar de novo para a tela. Já era um outro clipe, agora era o My Humps. Foi aí que eu entendi exatamente o que ela quis dizer com aquele papo de eu ser muito novo para dar conta da Fergie.
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A cantora é um típico exemplar do que os americanos chamam de Dumb Blondie, aquelas loiras de cinema com um (falso) jeito de boba, gostosas pra cacete, falando com vozinha de criança. Não é a toa que são o sonho de consumo da taradice masculina da terceira idade. Todo tiozão, quando sente o desabrochar da impotência, sonha em ter uma dessas a tiracolo chamando de ele de papi ou coisa parecida. O exemplo mais bem acabado é a Marilyn Monroe cantando parabéns e quase esfregando a bochechuda na cara do presidente Keneddy durante o aniversário dele.
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No fundo, o comentário foi um elogio. Ela quis dizer que eu ainda não estou nessa fase de querer compensar os cabelos brancos ou perdidos com a companhia de garotinhas. Sinceramente, eu espero não chegar a esse ponto, mas muita gente diz que é inevitável. E o pior é que, se eu chegar lá, a Fergie realmente vai estar muito velha pra mim.
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Todo esse texto foi a penas um preâmbulo pra lamentar o quanto as mulheres podem se destruir pela escravidão aos ditames da moda e da vaidade. Evidentemente, meu interesse carnal pela Fergie não se extinguiu, mas ele sofreu um severo abalo diante do que a cantora fez com a própria cara, provavelmente por um Botox exagerado ou algum outro tratamento estético desastroso. Se você olhar esse anúncio da C&A em que ela parece que está com uma bola de pingue-pongue em cada lado da cara vai entender o que eu estou dizendo. Se ela se deixasse envelhecer naturalmente ainda seria uma coroa de parar o trânsito. Mas preferiu parecer que sofreu um acidente de trânsito. Aí fica difícil.


7 de set de 2009

Olhos famintos e a semana da pátria

Eu vou pegar Vossa Excelência lá fora!

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Eu lembro exatamente onde eu estava quando vi as imagens daquela sessão no Senado em que o Collor deu a primeira grande surtada: Tomando uma Bohemia encostado no balcão do Parnasiano, em São Cristóvão, um dos meus bares credenciados. E comecei a achar que estava bebendo demais quando o Collor, espumando de raiva, com o dedo em riste e aqueles olhos esbugalhados, disse pro Pedro Simon que engolisse, e digerisse as palavras (“engula e digira!”).

* Como todos sabem, a imagem não era um delírio alcoólico deste Ogro, ela realmente aconteceu. E nem foi o pior de tudo, já no dia seguinte teve aquela outra com o Tasso Jereissati e o Renan Calheiros chamando-se, entre outras coisas, de cangaceiro e coronel de merda, além de entrarem numa infindável discussão sobre quem tinha os dedos mais sujos. *

O meu primeiro pensamento foi sentir-me um babaca, já que eu, ainda moleque, me dispus a perder uma manhã de sol para ir a uma passeata no Centro do Rio exigindo que aquele psicopata do Collor pedisse pra sair. Eu só não posso dizer que fui um cara-pintada porque acordei muito em cima da hora e não deu pra catar nenhuma roupa preta ou tinta. Eu estava mais para um cara-remelenta, que tinha acabado de acordar. Tudo isso pra, mais de quinze anos depois, ver o Fernandinho fazendo e acontecendo, estragando o meu dia e fazendo a minha cerveja descer quadrada. * Putz, assim fica foda de postar alguma coisa patriótica nesse sete de setembro. Pra não dizer que eu não tentei, segue aí o link do Hino Nacional versão remix by Vanusa, sucesso do You Tube dessa semana. E eu que achava que as piores interpretações do Hino eram dos jogadores da Seleção.

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29 de ago de 2009

Deus abençoe essa bagunça

Melhor chamar uma equipe de resgate pra achar o Da Silva aí no meio...
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Dessa, não deu pra escapar. Já estava eu rascunhando uma pequena lista de compras (pequena mesmo, só tinha cerveja e uma peça de carne) com os itens necessários pra queimar uma carne no meu grill genérico (pela pechincha que custou, deve ser do Maguila, não do George Foreman), quando a patroa apitou e parou a jogada. Sutilmente, eu fui lembrado de uma promessa, feita alguns dias atrás, de dar uma faxina no quarto do computador, uma espécie de escritório que mantemos aqui no cafofo.
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Eu não faço o gênero maridão sentado na poltrona com o pé em cima do móvel assistindo o futebol esperando a mulher trazer mais uma cerveja, longe disso. Costumo dar uma mão boa na hora de botar ordem no pântano, chegando até a contribuir com meus talentos na cozinha, bem acima da média masculina. Tudo bem que minha especialidade é comida de Ogro: Rabada, Feijoada, Churrasco e por aí vai. Não sei fazer nenhum foie Grass com Sauté de Alcachofras, mas fome eu não passo.
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Eu não me incomodo de ajudar com tarefas domésticas, mas eu e a patroa temos uma sensível diferença no grau de tolerância com a bagunça, o que leva nos leva a algumas DRs que, embora sejam devidamente contornadas, enchem o saco. Tanto eu quanto ela achamos que não se deve deixar casa bagunçada, o único problema é o que cada um entende como sendo uma casa bagunçada.
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Ela não gosta de ver coisas espalhadas pela casa, principalmente aquelas que eu sou especialista em deixar por aí, como livros, jornais e materiais da faculdade. Pra mim, bem, a casa só vai estar bagunçada quando as coisas espalhadas não me deixarem entrar.
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As negociações sobre o grau de bagunça tolerável continuam. Já aceitei guardar o material de estudo, mas o livro do Elio Gaspari que eu ainda não terminei de reler tem que ficar à mão. Ela é uma negociadora dura, mas a gente vai se entendendo.
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Quer saber? Esses probleminhas por causa da arrumação da casa são fichinha. Coisas bobas. Como diz o meu pai, isso aí sai na urina. Nesse exato momento em que eu teclo aqui, o casal do apartamento de cima está brigando com troca de ofensas pesadas, acusações de infidelidade, palavrões e sons de objetos quebrando.
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Sei não, acho que em algum momento, neguinho tem que perceber que tem alguma coisa errada com o relacionamento. Que fique bem claro, algum momento antes desse que eu estou ouvindo aqui em cima. Agora acabou de fazer um barulho parecido com o prato de uma bateria, talvez seja alguém jogando uma baixela, ou uma bandeja.
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Já ouvi dizer que muitos casais resolvem seus problemas no quarto. Não sei. Acho que pode ser uma boa mas, se não for no quarto, que ao menos seja na sala, onde não há tantos objetos quebradiços ou cortantes. Definitivamente, não se deve discutir a relação na cozinha. Pensem nisso enquanto eu ligo pro síndico. Ou pra polícia.
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23 de ago de 2009

Knocking on heaven's door

Da Silva, você não tem jeito...
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Lá vou eu nesse domingo, fazer mais uma tentativa de direcionar essa alma corrompida para o caminho da luz. Depois de algumas esquivadas aqui e ali, eu sei que não vai dar pra escapar, a patroa já bateu o pé e decretou que vamos à missa, doa a quem doer.
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Notem bem, eu não tenho nada contra quem freqüenta, mas ir à Igreja, pelo menos aqui na minha vizinhança, é um dos programas dos mais indigestos. A começar pelo pároco, o padre Joubert, que me conhece desde moleque e, apesar disso (ou exatamente por isso), me detesta. Acho que ele só não pede a minha excomunhão por causa do restante da minha família, bastante carola. Principalmente a minha avó (sim, eu ainda tenho avó viva, já na casa dos oitenta), contribuinte regular das obras sociais da paróquia e respeitadíssima em toda a comunidade. Provavelmente ela vai ser meu pistolão quando eu morrer e for barrado na porta do céu. Vou ter que pedir pra chamá-la no alto-falante na hora em que o anjo da portaria não quiser me deixar entrar.
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Reconheço que o religioso tem lá suas razões para não ir muito com a minha cara. Ele ainda deve ter fresco na memória todo o repertório de traquinagens que me quase me fez ser expulso das aulas de catecismo, como as brigas com os coleguinhas, as fugas das aulas para jogar futebol ou as caricaturas das professoras. Cheguei até a ser suspenso de algumas aulas, punição que é bastante comum nos colégios, mas que eu nunca tinha visto ser aplicada num curso de catequese. Deve ser algo inédito em mais de dois mil anos de cristianismo.
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Na minha adolescência, durante o curso de crisma, o relacionamento com o padre azedou ainda mais por conta de minhas investidas amorosas sobre algumas menininhas da paróquia. Com direito ao desencaminhamento comprovado de algumas vocações religiosas aparentemente promissoras. Incluindo a própria patroa, que considerava fortemente a idéia de ir para um convento antes de me conhecer.
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Meu conceito junto ao Padre Joubert não melhorou nem depois que eu virei burro velho e casei. Acho que ele deve ter percebido que, em algumas missas, eu ouvia jogos de futebol pelo walkman. Isso não costumava render maiores problemas, à exceção de umas duas ou três ocasiões em que quase xinguei o juiz ou comemorei o gol, o que me rendeu certeiras cotoveladas no baço, aplicadas pela patroa com precisão.
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O fato é que eu realmente me esforço, mas ainda me sinto um peixe bastante fora d’água em cerimônias religiosas. Eu acredito em Deus e costumo rezar, não sou um cara ateu, mas me incomoda bastante a insistência de algumas instituições religiosas em permanecer agarradas a idéias preconceituosas e ultrapassadas, como faz a maioria das denominações cristãs. Só tento comparecer com alguma regularidade porque sei que isso é do agrado de algumas pessoas muito queridas, principalmente minha mãe e minha avó.
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De qualquer forma, eu procuro fazer minhas orações em casa e peço, antecipadamente, compreensão divina para qualquer gafe que eu venha a cometer na Igreja. E procuro ir às missas da manhã, em horários que não coincidem com o futebol. Sabe como é, só pra garantir.
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15 de ago de 2009

Em nome do pai

Saudade das aulas de etiqueta paternas...
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Eu já estava sentindo falta disso aqui, esse blog é uma cachaça. Evidentemente, foi impossível fazer a habitual postagem do último fim de semana, envolvido que estava com as festividades do Dia dos Pais. Nunca é demais celebrar o sujeito que botou este Ogro no bom caminho a base da disciplina férrea, de muito diálogo e de alguns cascudos, todos merecidos e necessários, reconheço. Sem falar nas valiosas dicas sobre o relacionamento com as mulheres, muitas das quais eu reproduzo aqui. Também não custa lembrar o segredo do perfeito passe de trivela que me rendeu muito sucesso nos campinhos de pelada.
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A festança em torno do patriarca do clã, o Grão-Ogro, foi no melhor estilo família grande em casa com quintal no subúrbio do Rio: Churrascada, pagode e familiares e amigos acampados o final de semana inteiro. O blog ficou um pouco de lado, mas o motivo foi nobre. Valeu, pai.
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Eu até tive um breve momento em que poderia ter cuidado do meu cafofo virtual. Foi na manhã de sábado, quando uma vizinha passou aqui em casa para trocar umas receitas com a patroa. O problema é que ela veio acompanhada de um aprendiz de delinqüente: o filho de quatro anos de idade.
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No exato momento, em que me sentei diante do PC, o meliante se aproveitou de uma distração da vizinha e da patroa e já estava manuseando meus CDs, uma das poucas coisas na vida sobre as quais eu tenho um zelo muito parecido com a frescura. Qualquer inspiração para escrever alguma coisa foi-se embora depois que eu vi o pilantra abrindo o meu CD do Nelson Cavaquinho com as mãos cobertas de alguma coisa gordurosa e achocolatada.
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Tive que ficar vigiando ele até a hora da mãe ir embora. Na saída, o biltre ainda teve tempo de me lançar um olhar ameaçador, no melhor estilo isso não vai ficar assim. Estarei esperando.
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1 de ago de 2009

Lição de humildade do Mestre Ogro-san

Não faça das suas chuteiras uma arma
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Putz, não adiantou nada fazer caridade nem ajudar um monte de velhinhas a atravessar a rua. Sem falar nos telefonemas pro Criança Esperança. Anos de esforço em fazer o bem em busca de alguma evolução espiritual foram por água abaixo em uma pelada de quarenta minutos.
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Claro que a culpa maior não foi minha. Mais culpado foi quem deixou aquele garotão, na flor dos seus vinte anos, sem vícios e sem dívidas, tomar parte da nossa pelada. Qualquer observador mais atento perceberia que a escalação dos nossos times segue um padrão. Basta dizer que eu, aos trinta e três anos, fã de comida de boteco, cervejeiro contumaz, com um evidente sobrepeso, sou o jogador mais jovem, mais magro e mais saudável dentre os participantes. Aquilo não podia acabar bem.
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E não acabou. Antes da metade da partida, enquanto a maioria dos “atletas” já pagava os pecados, com um palmo de língua de fora, o desgraçado corria como um possuído e ia fazendo um gol atrás do outro. O que não era vantagem alguma, visto que o cara não atendia os requisitos de idade mínima e de barriga mínima pra jogar conosco. Como medida de emergência, pra impedir um desastre maior, fui deslocado da meia-direita para a zaga, como o último homem de marcação.
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E o que eu mais receava aconteceu a dois minutos do fim da partida. O sacripanta passou sem dó nem piedade pelo Serjão, o penúltimo homem da defesa, como se não tivesse corpo físico. Parecia o tal espírito do Michael Jackson que avistaram flutuando em Neverland. Sacanagem com o Serjão, ele ainda estava se recuperando da quinta cirurgia no joelho, sem falar nos trinta quilos que ele ainda precisa perder, mesmo depois de já ter perdido doze. No final das contas, só sobrei eu entre o garotão voador e o nosso gol.
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Há momentos da vida em que um homem faz o que ele tem que fazer. Foi uma pena que as coisas precisassem chegar a esse ponto, mas eu não tive dúvida. Quando ele abriu pro lado pra me driblar para direita, dei aquele tostão clássico, com o joelho batendo na coxa do cara. É o tipo da pancada que não quebra o osso, não rompe tendão e nem lesiona músculo nem ligamento. Não machuca, enfim. Mas dói pra caralho. Pena. Foi mal, garoto. Sorry, kid. Naquele momento foi necessário, mas doeu mais em mim do que em você.
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Vá lá, talvez tenha doído mais em você, mas ainda assim, você deve ter tirado algum ensinamento dessa situação. Você teve uma linda lição de humildade, pela qual você ainda vai me agradecer. Eu é que compliquei um pouco mais a minha ida pro céu. Mas eu acho que ainda tenho mais tempo pra me redimir do que os meus companheiros de pelada.
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25 de jul de 2009

Consultório sentimental do Ogro: muito sexo para os principiantes, ou sexo para os muito principiantes

Sugiro que você leia as dicas um pouco antes de chegar aí
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Da Silva, meu velho, me socorre. Como eu posso para levar as mulheres ao delírio na cama?
(Garanhão preocupado – Roraima)
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Essa é a pergunta de um milhão de dólares. A primeira providência, que eu presumo que já tenha sido tomada, é descartar mulheres que se excitam com coisas que você não tem, como um abdômen sarado, carros de luxo ou grana. Reconheço que o conselho pode ser meio redundante. Afinal, se você não descartá-las, é bem provável que elas façam isso pra você.
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Isto posto, agora é hora pensar na criatura em quem você vai dar um trato. Em primeiro lugar, vou chover no molhado, dizendo para você se concentrar nas preliminares. Note que preliminares não são aquelas partidas de juvenis disputadas antes dos jogos da rodada. Falo das carícias preliminares, as carícias que vão esquentar o clima para a conjunção fodal propriamente dita. Se você tem dúvidas sobre no que consistem as carícias preliminares, pense em tudo que você fazia na adolescência com a sua namoradinha, com um olho na menina e outro no pai dela que podia chegar a qualquer momento. Claro que, como não passava disso, você nunca viu aquilo como preliminar de nada, a não ser de uma bronha frenética. Mas o esquema de mão naquilo e boca naquilo é mais ou menos ou mesmo, mas sem tanta urgência. E sem a preocupação de ver chegar o pai dela. Só tome cuidado, pois em alguns casos não vai chegar o pai, mas pode chegar um marido, com conseqüências ainda piores.
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Você também deve ficar atento aos sinais emitidos pela sua parceira, o que significa prestar atenção. Se necessário, desligando a TV, mesmo na hora da cobrança do pênalti. Não vai ser difícil identificar, pelas reações dela, as regiões preferidas para o toque e o ritmo ideal para qualquer carícia, seja com a mão, com a boca, com os tornozelos ou sabe-se lá que parte do corpo mais a situação vai pedir. Além é claro de dosar a mistura entre tapas e beijos, algo cujo o ponto de equilíbrio ela também sinaliza facilmente.
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No mais, é dedicar-se à ação propriamente dita, onde sua parceira só precisa de duas coisas pra gozar: Tempo e posição adequada. Sobre as posições, aliás, alguma variedade é bem vinda, mas você não precisa desfiar todo o Kama Sutra. Com seis ou sete posições básicas dá pra ter um resultado satisfatório sem ninguém se ferir. Deixando ela ficar por cima, é gozo quase garantido.
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Cessados os trabalhos, é de bom tom ficar acordado o suficiente para dois dedos de prosa. Quando a sujeita se transformar numa foda regular, vocês já terão intimidade o suficiente para ela entender que virar para o lado e dormir, uma vez ou outra, não é crime hediondo nem inafiançável.
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Em relacionamentos estáveis, alguma conversa já funciona para fazer qualquer ajuste que seja necessário. No mais, lembre-se que, se uma mulher já está pelada com você num quarto, é sinal de que a etapa mais difícil você já venceu: Você a convenceu a ir até lá.
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Ogro também chora
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Citei aqui, numa postagem anterior, uma série de responsáveis pelos domingos felizes da minha infância. A lista era encabeçada pelo Zico e os muitos craques que desfilaram com a camisa do Flamengo ao longo da década de 80. Pois bem, é com tristeza que registro que um desses craques nos deixou esta semana.
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Morreu nesta sexta-feira o goleiro Zé Carlos, o Zé Grandão, titular do time que venceu o Brasileiro de 87 e a Copa do Brasil de 90, além de vencedor de três campeonatos cariocas, todos pelo Mengão. Como diz o Muhlenberg, do blog do Flamengo na Globo.com, um minuto de silêncio e dez minutos de palmas para o Zé Grandão.
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19 de jul de 2009

Menopausa transviada

Roberto Carlos na década de 60. De 1860.
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Sei que a minha opinião é polêmica, já estou até preparado para ouvir uma esculhambação. Mas Nelson Rodrigues já disse que toda a unanimidade é burra. Assim, eu tenho que admitir que ao contrário da imensa maioria da galera com quem eu convivo, dentro e fora da web, não consegui compartilhar de toda essa emoção do show do Roberto Carlos no Maracanã.
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Pra começo de conversa, eu não gosto de shows no Maracanã. Aquilo ainda é um estádio de futebol e o que esses shows fazem com a grama deveria ser punido pela lei de crimes ambientais. Quem assistiu ao Flamengo x Palmeiras da quarta-feira seguinte, disputado em um estranho gramado quadriculado e colorido, vai entender o que eu estou dizendo.
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Sem falar que poucas coisas podem ser tão ridículas quanto a tietagem descontrolada. Eu sempre olhei com absoluta desconfiança qualquer coisa que atraia um bando de adolescentes gritando e chorando, sejam boy bands ou a seleção de vôlei do Bernardinho. Só Deus sabe o que eu passei quando tive que levar minha sobrinha ao show daquela banda de irmãos de cabelinho engomado fabricada pela Disney (Jonas Brothers, eu acho). E, convenhamos, uma coisa que já fica ridícula com adolescentes, não vai ficar melhor com as avós delas. O show do Maracanã foi uma verdadeira celebração da menopausa, com direito a hordas de senhoras sexagenárias com os hormônios fora de controle.
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Isso tudo pra não falar do artista em si. Eu acho que nunca dividi isso com vocês, mas o Roberto Carlos morreu para mim no dia 21 de Abril de 2007. A data, inesquecível, foi quando eu assisti aquele documentário sobre o Cartola, Música para os olhos. A certa altura do filme, o grande gênio que era o Cartola revela, todo humilde, que gostaria que um dia o Roberto Carlos gravasse uma música sua. O pedido nunca foi atendido. Mas o pior veio depois.
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A razão para a negativa, revelada no mesmo filme, foi tão escrota que me deu vontade de arrancar a tal perna mecânica do Roberto e bater nele com ela. A música que a gravadora guardou para o RC gravar seria a imortal As Rosas não falam, que talvez seja a mais linda do Cartola. Roberto Carlos recusou a idéia de gravar a música alegando uma ridícula questão de princípios, pois pra ele as rosas falam, sim. O que eu sei é que se as rosas falassem mesmo, as roseiras que a patroa rega aqui em casa teriam mandado ele ir à merda.
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Por essas e outras eu deixei o Robertão de lado, com o perdão da Cruela, que, apesar de ser fanzoca do Rei conta com o meu amor incondicional.
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12 de jul de 2009

Resolvendo dois problemas

Essa aí achou uma roupa que não lhe engorda
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_ Amor, pede pra ela trazer a blusa cáqui.
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Nem precisei me mexer. A própria vendedora ouviu o pedido e foi levar a tal blusa até o provador. Ainda bem, porque eu nem desconfio o que seja cáqui, assim como eu não faço a menor a idéia de que cores sejam marfim, champagne, mostarda, salmão, pêssego, cobre e todas essas cores modernosas que só existem em cabeça de estilista. Cores, pra mim, são aquelas que eu aprendi no colégio como cores primárias e secundárias. Sabe como é, azul, verde, amarelo, vermelho... essas cores ultrapassadas.
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E o pior de sair pra comprar roupa com a patroa nem é aturar essas cores alienígenas. O problema é que tudo tem que ser experimentado, tem que combinar com as peças de roupa que ela já tenha ou pior: não pode engordá-la. Com os micromanequins de hoje em dia e, depois de alguns anos de casado, a tendência natural é que roupas que não nos engordem sejam uma espécie em extinção. Ora, existe um enorme ramo da economia que vive de vender coisas que prometem emagrecer as mulheres. Logo, eles precisam que a mulher se sinta gorda. Se as mulheres não engordarem, eles diminuem a roupa, mas vai explicar isso pra qualquer uma delas. Mesmo que ela seja esclarecida e pós-graduada, como a minha.
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A última peça de roupa que eu levei pra casa, uma camisa do Flamengo, nem precisou ser experimentada. Levei cinco minutos entre escolher e pagar e só me dirigi ao vendedor pra perguntar quanto era e se tinha GG. Nessa compra com a patroa, eu parei de cronometrar quando chegou a quarenta minutos, dois minutos depois de ela recusar uma blusa dizendo pra vendedora que a peça estava “sei lá, meio sem vida”. Claro que estava sem vida, era uma blusa, não um peixe ornamental. Só vejo gente recusar produtos com esse argumento em floriculturas. Ou em pet-shops.
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Outra coisa que me impressionou foi o quanto essas redes de moda feminina estão de bobeira ao não pensarem em nenhuma distração para o bando de maridos carrancudos amontoados no canto da loja. Visivelmente entediados, eles tinham como passatempo olhar para as bundas das vendedoras. Sem muito entusiasmo, já que a maioria era de senhoras de meia-idade, sem a firmeza nadegal de outrora. Podiam botar um Playstation pro pessoal jogar um GTA, ou, sei lá, uma TV passando os gols da rodada. Ou uma mesa de sinuca.
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Podiam também vender roupa pra mulheres em botequins, aí estariam resolvidos dois problemas de uma vez. Os maridos não reclamariam da demora nas compras e as mulheres não reclamariam do mau humor dos maridos. O problema seria a rapaziada comprando roupa para a mulher de segunda a segunda.
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4 de jul de 2009

Domingos de ontem e hoje

Esses aí acabam com qualquer domingo...
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Quem olha pra mim hoje em dia, talvez não acredite. Afinal eu tenho medidas de ogro literalmente, com a altura e força que fazem qualquer um pensar duas vezes antes de me falar algum desaforo. Eu fazia até um razoável sucesso com a mulherada antes de a minha barriga prosperar e do meu cabelo começar a mostrar tendências suicidas. Mas o fato é que eu não nasci desse tamanho. Sim, eu já fui um pirralho, um moleque (dos mais endiabrados, por sinal) na distante década de 80.
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Naquela época, o domingo era, disparado, o melhor dia da semana, ou pelo menos o mais divertido. Em grande parte por conta de seis pessoas, que faziam o meu domingo televisivo interessante o suficiente para deixar a bola de lado ou desligar o meu Atari (Atari? Pô, Da Silva, tu é velho, hein!). Qualquer um que tenha sido criança no subúrbio do Rio de Janeiro, nos anos oitenta, vai se lembrar dessas seis pessoas com facilidade.
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Pela ordem em que se apresentavam, o primeiro responsável pelos grandes domingos da minha infância atendia por Arthur Antunes Coimbra. Ou simplesmente Zico, o Galinho de Quintino. Os jogos do Flamengo eram o espetáculo por excelência da tarde de domingo com o Galinho e seus companheiros jogando o fino. Prato cheio para quem gostasse de futebol, independente de que time para qual o telespectador torcesse.
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Um pouco depois, às sete da noite, era de lei sentar com a família inteira para ver os Trapalhões. Criativo, inteligente e iconoclasta até a medula, era uma ótima pedida de diversão levinha, não só para as crianças. Por sinal, eu tenho pena das crianças mais novas, que só conhecem o Renato Aragão através desse substrato desidratado de pó de fezes que é a “Turma do Didi”. Impressionante como um sujeito consegue escarrar tanto em cima da própria biografia. Melhor fizeram o Mussum e o Zacarias, que não viveram pra tomar parte disso.
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Como os Trapalhões eram quatro, só restou um grande fornecedor de domingos felizes da minha molequice. E ele morreu nesses dias. Se você que está lendo isso agora só tem vinte anos, provavelmente não vai entender porque tanta celeuma em torno da morte desse sujeito sem nariz, de cara ossuda e incolor sobre o qual recaem acusações de pedofilia. Mas, acredite, Michael Jackson era um artista absolutamente fuderoso e fez a festa no domingo televisivo durante muito tempo.
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Praticamente todos os programas de auditório tinham concursos de covers do cantor, sem falar nos videoclipes que sempre estreavam em rede nacional no Fantástico, com audiências comparáveis a finais de Copa ou último capítulo de novela. Se você, amiguinha adolescente que lê o Ogro Online sem a sua mãe saber, acha que essas boy bands que você gosta fazem sucesso, você não sabe o que é fazer sucesso. O álbum Thriller vendeu porrilhões de cópias e os meios de comunicação inundavam nossas casas de Michael Jackson o dia inteiro. E ninguém enjoava! A molecada se arvorava em fazer aquele bendito moonwalk com o mesmo empenho que imita o penteado do Ronaldinho ou usa lancheiras desses heróis de desenho japonês. Michael Jackson foi uma pandemia muito maior que a gripe suína. E muito mais sadia.
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Me peguei pensando nisso, depois do último domingo na casa da sogra, enchendo o bucho de macarrão e assistindo ao Raul Gil. Nossa, os domingos pioraram muito.
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26 de jun de 2009

Pagando pra ver

Invisível? Cês tão de sacanagem.
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Taí, ninguém pode dizer que eu não dou uma moral pra patroa, nem que eu não sou um marido justo, ou que eu não sei ouvir e respeitar as opiniões de minha companheira. Contrariando as minhas preferências cinematográficas reveladas alguns dias atrás, deixei minha cara-metade escolher o filme e acabamos numa comédia romântica. Assistimos “A mulher invisível”, filme com Selton Melo e Luana Piovani. E o pior é que a experiência me saiu melhor que a encomenda.
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A essa altura, todo mundo já conhece a sinopse. Depois de ser traído e largado pela esposa, sujeito engrena um relacionamento com uma mulher perfeita. Bonita, gostosa, provocante, inteligente, ótima dona-de-casa, e compreensiva com todos os seus gostos e atitudes. Capaz de relevar traições e assistir, com conhecimento de causa, a um futebolzinho. Pena que a perfeição de lingerie só existe na imaginação do cara, o que o coloca em situações de um ridículo hilariante.
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Tenho que admitir, entretanto, que saí do filme encucado. A maioria dos comentários que eu li sobre o filme trazia uma psicologia de botequim das mais rasteiras, onde a personagem de Luana Piovani é apresentada como não podendo ser de carne e osso, como sendo um arquétipo da mulher ideal para qualquer homem, que só existe na imaginação. Até admito que não se um encontra um corpo como aquele em qualquer esquina. Mas, putz, se uma mulher bonita, capaz de relevar nossas bobagens, curtir um futebol conosco e nos dar uma mãozinha com a casa só existe na imaginação, então este mundo está perdido. Me recuso a crer que tais mulheres sejam tão invisíveis e tão irreais assim.
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De qualquer forma, fecho inteiramente com a outra grande lição do filme, que aliás passou quase despercebida (como passaria despercebida qualquer coisa diante da Luana Piovani de calcinha): O hábito de ler e escrever ajuda muito a pôr ordem na maluquice (quem assistiu ao filme entenderá o que estou dizendo). Talvez seja esta a maior razão de eu estar agora diante de uma tela de computador.
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Aguentei esse tempo todo fazendo uma análise fundamentada do filme, mas agora não dá mais, eu tenho que desabafar. CARALHO, a Luana Piovani está estalando de GOSTOSA, um açougue completo, com peito, lombo e coxa de primeira. Ela tá que é pura saúde, com vitaminas, proteínas e sais minerais, parece um composto nutricional, um desses shakes pra marombeiro. E o pior é que ela existe de verdade.
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20 de jun de 2009

Preto, branco e rosa-pink

Nosso céu é mais azul. Nossas matas são mais verdes. E nossa frescura é mais rosa.

O mundo seria um lugar melhor se as pessoas tivessem o saudável costume de fazer um mínimo de auto-crítica. Esse comentário não é à toa. Depois de não ficar muito à vontade ao assistir na TV as imagens da Parada Gay, gastei uns bons minutos fazendo um exame de consciência, pensando se eu tenho preconceito contra esse pessoal.

A primeira pulga atrás da orelha veio com o fato de que alguns dos ambientes que eu mais detesto são apinhados de homossexuais. Salões de beleza, passarelas de moda ou lojas de grife, em geral são lugares que eu sou capaz de pagar pra não ir. Pra piorar, uma das poucas coisas que me aborrecem dentro do universo do samba (onde eu me criei) é exatamente a convivência com os caprichos de alguns carnavalescos, que enchem as fantasias de tanta firula que mal dá pra o pessoal da comunidade se mexer.

Contudo, a convivência no meu dia a dia é tranqüila e eu tenho homossexuais no meu círculo de amizades. O meu próprio cafofo virtual é um espaço acolhedor para gente de todo o tipo de orientação sexual.

Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que o meu problema não é com os homossexuais, mas com uma característica presente em pessoas de todos os sexos, raças, credos e opções sexuais: Eu não suporto frescura. Eu não estou nem aí se o meu abdômen está sarado ou se o sapato combina com a bermuda. Não acho nada de mais que a mulher tenha celulite ou uma gordurinha aqui e ali e nem troco uma feijoada por caviar.

No fundo, eu não tenho nenhum problema com os bissexuais, transexuais ou homossexuais. O problema são os metrossexuais.

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11 de jun de 2009

Cheio de dedos

Depois de longo e tenebroso inverno, eis que o Ogro volta aos seus afazeres blogueiros depois de um afastamento causado por um acidente dos mais bizarros. Evidentemente, não foi a minha primeira contusão futebolística, visto que sou um incorrigível atleta de fim de semana. O inusitado foi a natureza da contusão. Uma luxação no dedo indicador da MÃO direita. O pior é que eu nem estava no gol.
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Eu estava lá, no meio-campo, com a camisa dez, distribuindo jogadas com a categoria que me fez célebre nos campos de pelada do Rio, quando, depois de pisar num buraco, caí e torci o dedo tentando me apoiar na queda. Me machuquei sozinho num lance tão ridículo quanto fortuito, que me deixou incapaz de teclar qualquer coisa, durante quinze dias.
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Pra piorar, como é de praxe nesse quadro clínico, lá estou eu tomando antiinflamatórios, o que também me deixa sem poder tomar cerveja. O resultado final é que estou fora das situações em que estou mais à vontade (depois da minha casa, evidentemente). Estou longe dos campos, dos bares e dos computadores.
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A suspensão acaba esse fim de semana, mas eu não consegui ficar longe do PC e digitei este texto que deve ter sido o mais demorado da História da informática. No sábado, entretanto, já estarei à disposição do professor.
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Senso de humor escroto. Piada idem.
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Como se o fato de eu estar no bar sendo obrigado a beber suco de laranja não fosse tragédia suficiente. Eis que me chega o Abreu (irmão do já famoso Torquato, o da peruca, que eu mencionei algumas postagens atrás) com ar pesaroso, se encosta no balcão e solta a seguinte pérola:
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_ Impressionante, dois acidentes aéreos em menos de um mês.
_ Dois? Qual foi o outro?
_ Cê num soube? Foi o helicóptero que caiu em Portugal. Ele caiu nos arredores de Lisboa, por uma mórbida coincidência, bem no meio de um cemitério.

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Eu que sou babaca, ainda dou conversa. Ingenuamente, acabei perguntando.
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_ Caramba, o helicóptero caiu em cima do cemitério? E morreu alguém?
_ As autoridades portuguesas já resgataram mais de cinco mil corpos.
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Seu eu estivesse com a mão boa, juro que eu dava uma porrada.
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23 de mai de 2009

Pequenas e grandes batalhas

Dilema clássico da relação. Se você é homem casado, noivo, namorado, companheiro ou tem qualquer forma de relacionamento estável com uma mulher já passou por esse dilema típico dos casais em momentos de lazer. Filme Ogro ou filme mulherzinha?
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Vocês vão entender o que estou dizendo diante da situação prática: Domingão. Você acordou tarde, deu uma bela trepada matinal, e depois de malhar o páuceps, tomou aquele puta café da manhã, típico de hotel fazenda, com bolo, ovo mexido e tudo mais. Leu o jornal, viu todos os programas de esporte possíveis e imagináveis durante toda a manhã. No almoço, comeu como um Ogro e tirou uma sesta pesada, só acordando para ver o futebol acompanhado da cerveja de praxe.
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Na etapa seguinte é que começa o problema. A continuação lógica da programação dominical seria um filme, mas não qualquer filme. Eu não sei bem definir o meu gênero preferido, alguns chamam de épico. Eu acho o termo meio inadequado, na medida em que este se refere a sagas heróicas em geral. O meu gosto é mais específico. Pra resumir, eu gosto daqueles filmes com mega batalhas campais, onde, depois de um discurso motivacional dos seus líderes, os dois exércitos erguem espadas, gritam (o grito é importante, sem ele não teria a mesma graça) e correm a se estripar. O sangue jorra, a cerveja desce e o cérebro fica descansando em cima da estante, depois de ter trabalhado muito a semana toda.
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Vocês sabem como é, filmes como Coração Valente, Gladiador, A Cruzada, Tróia ou 300, embora a este último eu faça ressalvas pela forte mensagem GLS subliminar. Nada contra, este é um blog sem preconceitos, mas ela prejudica a própria coerência histórica do filme. Por mais que os gregos prezassem a beleza física, não dá pra engolir que qualquer exército vá para uma batalha travada com armas perfuro-cortantes trajando uma sunga e uma capa. No contexto do filme, uma armadura seria tão necessária quanto água, comida ou espadas e escudos.
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De qualquer forma, o filme épico é o desfecho perfeito do Domingão etílico-futebolístico. Ou seria, se sua cara-metade não estivesse a fim de ver Divã, Ele não está tão afim de você, ou qualquer outra melosidade do gênero. Afinal, a coisa mais chata do mundo depois de discutir a relação é ver filmes com pessoas discutindo suas relações.
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Não preciso dizer que você não vai discutir, com mulher não se discute. A gente nunca ganha, mesmo. Você pode tentar negociar, adiar, fingir doença ou, se tudo mais falhar, apelar para os subornos de praxe, como flores ou jóias. O que, em algumas vezes, não vai adiantar. E convenhamos, se você garantiu as primeiras etapas do domingo (mencionadas no segundo parágrafo) você pode ceder em relação ao filme de vez em quando.
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16 de mai de 2009

Bobagens da semana

Bizarro. Mesmo com o monte de besteiras que toma os jornais, não há dúvida de que essa campanha do Xixi no Banho, promovida pelo pessoal do SOS Mata Atlântica é uma forte concorrente ao título de maior bobagem das últimas semanas. Vocês já devem ter ouvido falar, é uma campanha ecológica que incentiva as pessoas a mijar (quem faz xixi é mulher ou criança) durante o banho, de maneira a usar menos a descarga e economizar a água doce do planeta.
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O negócio já começa estapafúrdio, na medida em que condiciona uma necessidade fisiológica a uma necessidade social. Eu posso não estar com vontade de mijar durante os meus dois banhos diários, um quando eu saio de casa pela manhã, e outro à noite, quando eu chego. E, mesmo que eu esteja em casa, os dois atos podem não coincidir. A não ser que eu resolva tomar banho cada vez que eu tiver vontade de mijar, o que pode acabar com a água do planeta numa única tarde de cervejada.
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O pior é que, numa hipótese muito otimista, o sujeito que levar a campanha a ferro e a fogo não vai economizar mais do que uma descarga ao dia. Muitas pessoas já mijam no banho naturalmente, o que torna a campanha inútil e com resultados potencialmente desprezíveis. Deve ter alguém nessas ONGs precisando muito justificar algum dinheiro de patrocínio, não tem outra explicação.
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O mais escroto é que os caras que tiveram essa idéia genial poderiam evitar um grande consumo de energia elétrica e muitos danos à natureza se fizessem algumas simples alterações no site da campanha. Como o bicho é repleto de animações e efeitos sonoros, ele é pesadíssimo, levando um tempo maior para abrir e fazendo o internauta gastar mais luz. Tudo isso para conseguir um ganho estético pra lá de duvidoso, com animações protagonizadas por simpáticas gotinhas de urina saltitantes. Ridículo.
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Ao que parece, o lema da campanha é xixi no banho e cocô nos meios de comunicação.
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Ao escrever esse anti-manifesto contra essa campanha ridícula, eu pude perceber uma outra coisa igualmente ridícula (e igualmente inútil): Vocês já repararam nos acessos de moralismo do Word 2007?
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Explico melhor. Vocês já sabem que o Word tem algumas funções de correção. Quando a ortografia da palavra está errada, ela aparece sublinhada em vermelho e quando há algum erro na estrutura da frase, como um erro de concordância, ele aparece sublinhado em verde. Nos dois casos, o programa oferece sugestões de correção para que você faça a substituição pela forma correta da palavra ou da expressão. Até aí, nenhuma novidade.
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O ridículo aparece em determinadas expressões que poderiam ser consideradas como agressivas, ou de baixo calão. Se você escrever a palavra “mijar”, por exemplo, ela vai aparecer sublinhada em verde, como se estivesse errada. Ao acessar as sugestões de correção, você vai encontrar o verbo “urinar”. O mais engraçado é se você tentar usar o verbo trepar, cuja substituição sugerida é “ter relações sexuais”.
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Santa babaquice, será que não viram que, apesar de sinônimas, essas expressões serão usadas em contextos absolutamente diferentes e quase nunca intercambiáveis? O fato é que ainda se gasta muito tempo, papel e memória de computador com bobagem.
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E pensar que todos esses recursos humanos e materiais poderiam ser usados para alguma causa nobre como encontrar a cura pro câncer, acabar com o analfabetismo ou ensinar os atacantes do Flamengo a chutar em gol.
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10 de mai de 2009

A adorável esposa abduzida, ou "os dias sobre os quais não falamos"

O ânimo pra escrever nessas horas é quase nenhum, mas serve pelo menos como desabafo. Digo isso porque minha adorável esposa foi abduzida. Essa situação não é nova. Uma vez por mês, minha esposa simpática, adorável e bem-humorada é abduzida, levada para alguma galáxia distante, onde permanece durante uns quatro dias mais ou menos. Em seu lugar, fica um monstro choramingão, carrancudo e mal-humorado, que reclama de tudo o que eu fizer, inclusive se eu não fizer nada.
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Por essas e outras é que as pessoas nem gostam de dizer o nome dessa situação, referindo-se vagamente a esse período como “aqueles dias”. É como aquele filme do M. Night Shyalaman (sei lá como escreve essa porra), A Vila. O período da menstruação é aquele intervalo de dias “sobre os quais não falamos”.
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A minha opinião sobre o assunto é polêmica, e eu não sou louco de torná-la pública num recinto cheio de mulheres pra não tomar porrada. Mas eu tenho que admitir que, por mais que eu não conheça a sensação física, sempre tive a impressão de que muitas mulheres usam o incômodo natural de todo esse período como salvo-conduto para todo o tipo de grosseria, aporrinhação ou chantagem emocional.
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Num esforço para me pôr no lugar das mulheres, fico tentando me imaginar com um puta incômodo físico. Sei lá, uma diarréia incessante somada a uma crise de rins e uma ressaca, no dia seguinte a uma derrota do Flamengo, por exemplo. Ainda assim, eu não vou poder dizer tudo o que eu penso de alguns parentes malas, nem mandar meu chefe ir pastar, por mais que ele mereça. Vou ter que me esforçar para ser minimamente agradável e sorridente, mesmo convivendo com um montão de gente que eu tenho vontade de cobrir de porrada.
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Acho que não estou fazendo nenhuma reivindicação absurda quando peço que as mulheres visitantes tentem moderar a fúria tão comum nesse período. Afinal, pode ser muito difícil passar por isso. Mas conviver com quem passa por isso também é foda.
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Feliz dia das Mães!
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E o Ogro Online aproveita para deixar um abraço para essa santa criatura cujo dia celebramos nesse domingo. A pessoa capaz de relevar toda e qualquer merda que você fez, está fazendo ou ainda vai fazer. A santa mulher que riu de suas bolhas de cuspe e comemorou os primeiros monossílabos sem sentido que você proferiu como quem ganha um campeonato. A única mortal que te achou bonito desde o nascimento, mesmo quando você ainda era uma massa disforme de dois quilos, careca, banguela e analfabeta, que só sabia cagar e chorar.

Um abraço para todas as mães, principalmente aquelas que são muito lembradas pelo Brasil afora, como as dos árbitros de futebol e as de alguns economistas.

Beijo pra minha mãe e pras mães de todos vocês.

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