20 de jun de 2009

Preto, branco e rosa-pink

Nosso céu é mais azul. Nossas matas são mais verdes. E nossa frescura é mais rosa.

O mundo seria um lugar melhor se as pessoas tivessem o saudável costume de fazer um mínimo de auto-crítica. Esse comentário não é à toa. Depois de não ficar muito à vontade ao assistir na TV as imagens da Parada Gay, gastei uns bons minutos fazendo um exame de consciência, pensando se eu tenho preconceito contra esse pessoal.

A primeira pulga atrás da orelha veio com o fato de que alguns dos ambientes que eu mais detesto são apinhados de homossexuais. Salões de beleza, passarelas de moda ou lojas de grife, em geral são lugares que eu sou capaz de pagar pra não ir. Pra piorar, uma das poucas coisas que me aborrecem dentro do universo do samba (onde eu me criei) é exatamente a convivência com os caprichos de alguns carnavalescos, que enchem as fantasias de tanta firula que mal dá pra o pessoal da comunidade se mexer.

Contudo, a convivência no meu dia a dia é tranqüila e eu tenho homossexuais no meu círculo de amizades. O meu próprio cafofo virtual é um espaço acolhedor para gente de todo o tipo de orientação sexual.

Depois de muito pensar, cheguei à conclusão de que o meu problema não é com os homossexuais, mas com uma característica presente em pessoas de todos os sexos, raças, credos e opções sexuais: Eu não suporto frescura. Eu não estou nem aí se o meu abdômen está sarado ou se o sapato combina com a bermuda. Não acho nada de mais que a mulher tenha celulite ou uma gordurinha aqui e ali e nem troco uma feijoada por caviar.

No fundo, eu não tenho nenhum problema com os bissexuais, transexuais ou homossexuais. O problema são os metrossexuais.

*

20 comentários:

Estava Perdida no Mar disse...

Frescura é realmente um saco. Quanto à questão dos homossexuais, tenho minhas dúvidas se o caminho para a defesa de uma causa é uma passeata q mostrar q "tudo" acaba em rosa e fornicação com música eletrônica.

MAs...enfim

Mauro Sérgio disse...

Esse comentário aí de cima é uma puta verdade. Falta um caráter mais político e menos festivo à Parada Gay

Cruela Cruel Veneno da Silva disse...

bem... eu sou uma Slim Fóbica assumida.

odeio as magras, principalmente as "come e não engorda"

Dama de Cinzas disse...

É um jeito de ver a situação... rs

Eu gosto dos gays porque são divertidos, inteligentes, sensíveis e geralmente são os melhores amigos das mulheres, claro que estou falando do geral, têm as exceções...

Mas frescura não é muito meu forte, sou mais objetiva, mas tenho os meus dias de frescura... rs

Beijocas

Aninha Leme disse...

um pouco de zelo pelo nosso corpo é importante, porém, vejo que hoje em dia os homens estão cada vez mais bichinhas, acham que os papéis de homens e mulheres se inverteram...
hoje a mulher troca o chuveiro que queimou porque o bichinha tá ocupado na academia malhando os músculos sarados. afff
tá foda!

beijos

Sâmia disse...

A Parada Gay de São Paulo se tornou o carnaval que os paulistanos não têm. Carnaval aqui acontece exclusivamente dentro dos lugares: dentro do Sambódromo, dentro das escolas, dentro de um ou outro clube. E nada mais. É de uma tristeza só. A consequência disso nos últimos anos tem sido o povão se fantasiar e ir pra rua brincar carnaval na Parada. Com isso o que deveria ser um ato de auto-afirmação, passa a ser um desfile de auto-queimação de filme. Eu acho uma pena.

Quanto a frescura, convenhamos, não é exclusividade de metrosseexuais. Detesto aquelas menininhas fresquinhas que dão gritinhos e xiliques. Principalmente se tiver sotaque de paulista... Dá logo vontade de dar um tapa na testa, e ensinar a ser mulher de verdade.

Quanto àquele outro assunto, obrigada, adorei! :)

beijoca

disse...

Nem eu gosto de salões.

Aninha Leme disse...

obrigada pelo comentário! vc tem razão, até que é fácil reconhecermos os amigos de verdade... mas já caí numas ciladas que pelamor!!! me fodi de verdeeamarelo! kk

beijos

Ana disse...

Todos nós temos preconceitos que muitas vezes nem percebemos, pois são pré-conceitos que nos são impostos desde a mais tenra idade que pode ser por gays, por negros, por nordestinos, por patricinhas e mauricinhos. Acho que o ponto importante é percebermos esses preconceitos e aprender a lidar com eles: cada um na sua, mas com respeito e cordialidade, certo? rs
Beijos,

disse...

Eu não uso óculos. \o/

Menina de óculos disse...

Sou toda fresca e adoro rosa. Logo, vc me odeia ogro da silva?

Lágrimas nos olhoss desde já...


kkkkkkkkkkkkkkk

MateusDka disse...

Entre os círculos de debates compostos por homossexuais, a opinião também pode variar sobre a Parada. Quem já participou, sabe que o “desfile” pela Paulista é apenas parte do evento... ele engloba ciclos de palestras, debates e etc. O tema deste ano foram os direitos civis, que abrangem desde o direito de celebrar o matrimônio legalmente até a transformar em crime a ofensa pela orientação sexual. Por exemplo, hoje, quem bate em gays pelo simples fato deles o serem, apenas respondem pelo crime de agressão... mas não pelos crimes de humilhação, preconceito, ódio etc (Advogados de plantão, me corrijam se julgarem necessário).

O objetivo da passeata em si é o de trazer para fora de suas casas (armários) uma massa de pessoas que, por falta dessa proteção legal e pela ignorância disseminada, tem medo de se assumir. A passeata mostra para essas pessoas – e para os preconceituosos – que existem MILHARES de gays por aí (“Ei, você não está sozinho como pensa! Venha que a gente se ajuda”).

O grande drama, porém, é que QUALQUER tipo de pessoa pode ser gay. Judeus, negros, brancos, crentes, católicos, ricos, pobres etc. Afinal, ser gay é tão natural – e genético – quanto ter olho verde ou castanho, cabelos cacheados ou lisos etc. Não é atoa que o símbolo do grupo é o arco-íris (tem mais tipos de gente que matizes no arco-íris). E, consequentemente, torna extremamente difícil e confuso unir todo mundo em prol de seus direitos. É como a ONU! Rssss

Ou seja, a mídia, no ápice do seu conservadorismo cheio de teias de aranha e ferrugem, foca apenas os aspectos da “festa” que podem distorcer todo o conceito. É como supor que os ponteiros do relógio funcionam sozinhos, já que não vemos suas engrenagens. Fiquem atentos com o que lêem e assistem sobre isso, minha gente! Para ser crítico, é necessário conhecimento.

Desarranjo Sintético disse...

Bah...pior!
Realmente! Acho que tudo tem um limite...até frescura...pq é um saco ver certos tipos de exagero e esse é um deles.
Ah, e também adoro 'Os Simpsons' e 'Uma família da pesada', apesar que quando olhei de madrugada (olhei em TV aberta) pela primeira vez, eles dizem que é proibido para menores de 10 anos...eu fiquei tão chocado com as barbaridades que eles diziam e faziam que eu achei que devia ser proibido para menores de 18...mas depois que quebrou o gelo eu achei muito legal...é diferente!

Jean Baptiste disse...

Não basta ser contra a homofobia, tem que ser contra o capitalismo.

E contra os metrossexualismos!

Arthur Rotta disse...

MateusDka
Tem uma agravante no codigo penal(Art.61, II, a) pra crime realizado por motivo torpe. Pode-se inclur aí os cometidos em razão de homofobia. Mas existe um projeto que crimaliza esse tipo de preconceito mais claramente, veja aqui: http://www.aliadas.org.br/site/arquivos/PLC122_2006.pdf

Estava perdida no Mar: Qual o problema de música eletronica e fornicação gay? A parada não deixa de ser uma forma de se exorcizar o preconceito...

Agora tb não sou nenhum pouco adepto a frescura. Não suporto aquele tipo de gente que é cheia de dedos pra comer, por exemplo.

Alías, tem muito valentão por aí que de fresco não tem nada, mas que preferem transar com pessoas do mesmo sexo. Ruim? Não. Ruim é violência, não sexo.

Francisco disse...

Meu caro Ogro!
Escrevi algo parecido no meu blog, há mais ou menos 15 dias. Tomei tanta chinelada, que dói até agora.
É incrível como é difícil expor nossa maneira de ver as coisas e opiniões.
Os "Politicamente Corretos" de plantão, não admitem.
Gosteri do post. Autêntico, claro e direto. E sem frescuras!
Um abração!

яαiℓezα disse...

Eu não gosto de frescuras também.
Nao tenho problemas com metrosexuais nao, muuuuito menos com homosexuais!
Até porque eu estaria rengando meu mundo!
Otimo texto!

CARLA ROCHA disse...

Nada melhor do que o próprio post para ilustrar a falta de frescura:direto e reto! Semana de luz!

Quem é ela? disse...

iiiih, gostei deveras do seu blog.Ainda que seja, o inverso do meu.É o avesso do meu, na verdade. Bem, eu sou capaz de pagar pra ir num salão, e adoro passarelas de moda, afinal estudo moda,e sou consumista compulsiva. E pelo jeito, isso parece o mundo de futilidades pra vc. Eu não gosto de frescura, e frescura não tem nada a ver com moda, ou salões de beleza. Sou meio princesa fiona.rs. Não vamos ter frescura, mas poxa, mulheres tem que ter vaidade. E isso não significa ser magra.E sim ter personalidade, e um pouquinho de rímel e blush.rs. E não pode esquecer, que até comendo uma coxa de frango com a mão, ela tem ser feminina,afinal, ser ogro, ficou para os homens,não é?

ah..e samba é muito bom.

Miss X disse...

Por um segundo tive medo de continuar lendo seu post...