27 de jan de 2010

Teje preso

Perdeu, meliante! A casa caiu!
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Os que visitam o cafofo virtual há mais tempo sabem um pouco da minha trajetória de vida. Inclusive uma das suas passagens mais polêmicas, quando, contrariando a família inteira, abandonei uma faculdade de Direito quase no fim para ir fazer História. Não se pode dizer, entretanto, que o que eu aprendi da ciência jurídica não serviu de nada.
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No fim do ano passado, por exemplo, eu cortei um dobrado para tentar livrar meu primo mais novo de garras bem piores do que as da justiça: As da minha tia, mãe dele, que queria comer-lhe o fígado com farofa, depois dele ter feito uma senhora merda. Como primo mais velho e padrinho do infeliz, acabei tendo que interceder junto à minha tia para que não o jogasse aos abutres depois que o muquirana tomou um ferro maiúsculo no fim do ano letivo.
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Ninguém aqui está sugerindo que o moleque deva passar impune. O mínimo que se espera de um marmanjo de quinze anos que tem casa, comida e roupa lavada, e que tem o estudo como obrigação única é que ele tenha um desempenho escolar minimamente satisfatório. Eventuais dificuldades poderão até ser toleradas se o estudante demonstrar algum empenho. Evidentemente, não foi o caso dele.
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Por outro lado, eu tentei fazer minha tia ver que esse não era o fim do mundo. O réu nem era reincidente. Meu primo, até aquele ano, vinha tendo uma vida escolar organizada. Tudo bem que ele não ajudou muito seu advogado de defesa. Ele poderia, por exemplo, ter sido aprovado em alguma coisa além de Educação Física. E também podia ter ficado de boca fechada. Quando minha tia perguntou o que ele queria da vida, a resposta foi algo do tipo eu e uns amigos estamos aí com um projeto maneiro, vamos montar uma banda e... e minha tia não deixou nem ele terminar, já foi logo dando-lhe um tapão no pé da orelha. Mas, apesar de tudo, ele não é um mau garoto.
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Caralho, eu também já tive quinze anos. Com a idade dele, eu queria ser rapper. Ia dormir todas as noites sonhando que estava no banco de trás dum carrão conversível, com o som nas alturas, usando um cordão de ouro maciço com elos da grossura do meu punho. Parece que eu ainda posso ouvir os tapas que estou dando na bunda das gostosonas popozudas seminuas rebolando ao meu redor usando micro-shortinhos enquanto eu as molho com champanhe importado. Ah, bons tempos.
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(Nossa, as meninas que me acharam tão sensível com aquele post sobre o ponto G devem ter ficado horrorizadas. Mas dêem um desconto, pôxa, eu tinha quinze anos!).
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Mas o fato é que fazer algumas merdas faz parte do aprendizado. Não se aprende as diferentes conseqüências das atitudes certas e erradas se você não fizer um pouco de ambas. É só cuidar para que as erradas sejam menos freqüentes que as certas e que não prejudiquem seriamente a sua vida ou a de terceiros. No mais, é botar o garotão pra estudar mais ano que vem e estamos conversados.
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E eu, decididamente fiz a escolha certa porque eu não nasci pra advogado, mesmo. Perdi a causa retumbantemente, já que meu cliente vai ficar um bom tempo sem saber o que é rua, balada, ou futebol. Se ele se comportar bem, a gente tenta passar ele prum regime semi-aberto, lá pro meio do ano.
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19 de jan de 2010

Fazendo alguma coisa de útil


Se aprume, seu cabra! Levanta daí e vai fazer alguma coisa que preste!
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Sinceramente, eu não tenho problemas. Tudo bem, meu colesterol é pornográfico de alto, estou enfiado no meu cheque especial até o talo, não tenho tempo pra porra nenhuma e o Obina voltou pro Flamengo. Ainda assim, eu digo que não tenho problemas. Pelo menos é a conclusão que eu cheguei vendo aquela doideira em que se transformou o Haiti depois do terremoto de terça-feira. Aquele pessoal, sim, tem problemas. Muitos.
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Nesse exato momento, o Haiti não tem socorro, não tem luz, não tem água, não tem comida, telefone, remédios, abrigo, segurança, enterro para os mortos, governo, em suma, não tem país. Não tem nada.
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Se quiser algum ponto de partida pra ajudar em alguma coisa, tem duas contas para receber doações, uma é no Banco do Brasil, para a embaixada do Haiti (agência 1606-3, conta 91000-7), e a outra é na Caixa Econômica Federal, para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (agência 0647, conta 600-1, operação 003). Só não esquece de acompanhar as notícias pra ver como esse dinheiro está sendo aplicado, sabe como é.
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13 de jan de 2010

Consultório sentimental do Ogro: Ponto "O", de Ogro

Não, não é aí que fica o centro de prazer da mulher, seu machista.
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Da Silva, só você pode trazer luz a essa polêmica e pôr um ponto final à dúvida que aflige a humanidade nesse momento: Afinal, o ponto G existe ou não existe?
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(Desorientado, de Vila Velha-ES)
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Meu caro desorientado, compreendo a sua dúvida. Afinal, diante das incertezas inerentes ao mundo globalizado estamos ficando sem referências. Sumiu o futebol com pontas, sumiu o hífen e agora estão querendo sumir com o ponto G. O que mais podemos esperar? O que será do mundo como o conhecemos?
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Mas não se aflija. A resposta à sua pergunta é fácil. Sim, é claro que o ponto G existe. Ele consiste numa região do corpo feminino que, se bem estimulada, pode levar a mulher a um intenso prazer sexual e muitos orgasmos. Sua localização exata também não é nenhum mistério. Ele se situa numa região da mulher que vai desde o couro cabeludo até a sola do pé.
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Isso aí, você entendeu. Ficar procurando o ponto exato que se obtém o máximo de prazer de forma simples e rápida é bem o papo dessa garotada de hoje em dia, é coisa de quem não quer ler o livro inteiro e pula páginas pra descobrir logo a identidade do assassino. A mulher tem infinitas maneiras de dar e sentir prazer, em várias partes do corpo, mas descobrir isso pode levar um pouquinho de tempo e dar um pouco de trabalho, coisa que ninguém quer ter hoje em dia.
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Meu caro desorientado, mais dia, menos dia você vai entender que não tem que se preocupar em saber logo a localização exata do ponto G, pois a graça está exatamente em ficar procurando, nesse imenso ponto G cheio de possibilidades chamado mulher.
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É, um dia eu ainda vou cobrar pra escrever esse troço.
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4 de jan de 2010

Alegrem-se

Pelos meus modos, eu estou mais para Donkey Kong do que para Mario
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Passada a euforia, passada a bebedeira e, principalmente, passada a ressaca do título do Flamengo, já posso emitir opiniões mais normalmente. Contudo, uma questão de cunho moral se instalou por aqui: Como qualquer ser humano normal, eu gosto de dividir minhas alegrias com pessoas a quem eu estimo, até aí nada demais. O problema é que as pessoas a quem eu estimo têm gostos dos mais variados e, algumas delas, exercendo o seu sagrado direito de gostar ou desgostar do que bem entendem, não dão a mínima para o futebol. Daí surge a questão: como compartilhar uma alegria futebolística com quem não gosta de futebol?
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Tomei como referência uma pessoa a quem dedico grande admiração, embora só a conheça virtualmente. Falo da queridíssima Dama de Cinzas, que tem um blog dos mais interessantes e que fica ainda mais interessante quando ela lança sua perspicácia sobre os relacionamentos, sejam eles afetivos, fraternos, amorosos ou sexuais.
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Falo diretamente a ela, que já declarou não ser uma grande fã desse esporte, mas serve para qualquer homem ou mulher a quem o futebol seja algo tão digno de nota quanto o nascer e o pôr do sol. Sempre haverá algum espírito de porco me acusando de proselitismo e de tentar aliciar seguidores para a causa futebolística rubro-negra, mas procurei me deter em outros aspectos interessantes na conquista do Flamengo, que podem ser do agrado de gente que desconheça por completo a regra do impedimento. Se depois de ler essas mal-tecladas, alguém começar a freqüentar estádios, terá sido por sua conta.
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Cara Dama,
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Alegre-se. Eu sei que você não nutre a mesma paixão que eu em relação ao esporte mais popular desse país. Compreendo seu ponto de vista. Afinal, eu sei muito bem o quanto há de gente no mundo disposta a ridicularizar, agredir ou matar um semelhante por conta de uma opção futebolística diferente. Também sei do tanto de governantes marotos que se utilizam do futebol para desviar o foco de suas maracutaias, aproveitando-se da facilidade com que esse esporte mantém as massas distraídas num grau próximo da alienação. Ainda assim, diante do resultado final do Brasileirão, eu lhe digo: alegre-se.
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Alegre-se pela justiça do resultado final, que premiou a melhor equipe, que se mostrou aplicada e unida, mesmo em suas muitas diferenças. Uma equipe plural como o Brasil, onde há lugar para moleque criado nas favelas do Rio, para um migrante nordestino e até alguns estrangeiros, como dois descendentes de indígenas sul-americanos e um cidadão nascido no leste europeu.
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Alegre-se pela vitória de um sujeito cuja imagem está associada à seriedade, à humildade e ao trabalho duro, como o técnico Andrade. Sobre ele, aliás, é fundamental destacar sua absoluta educação no trato com os que o cercam e com a imprensa. Quem já viu alguma entrevista desses técnicos tão incensados pela imprensa, como o Muricy Ramalho, o Dunga ou o Luxemburgo vai entender o que eu estou falando. Falta educação e sobra grosseria e auto-louvação por parte dos professores. Tudo o que o Andrade não faz.
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Acima de tudo, minha cara Dama, alegre-se por que alguém que muito lhe admira teve momentos dos mais felizes. Alguém que gosta muito de você riu, bebeu, comemorou e esqueceu dos problemas em companhia dos amigos.
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E que venham outras dessas alegrias em 2010!
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O pior é que eu emendei uma comemoração na outra. Logo depois do Hexa, vieram o aniversário da minha sobrinha (uma das grandes paixões que eu tenho na vida), as festas de fim de ano e férias no trabalho. Que me perdoe o Euclides da Cunha, mas sertanejo que nada. O meu fígado é que é antes de tudo um forte.
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