29 de nov de 2008

Ogro fashion week

Esse é apenas o primeiro de alguns posts que, futuramente, irão compor um guia de estilo que pretendo publicar e enriquecer, tipo a Gloria Kalil. Esse guia de estilo começa exatamente pelo vestuário e trata de um acessório específico, não só por razões estéticas, mas pelo que ele tem de simbólico. Estamos falando da boa e velha pochete.
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Nenhum acessório de vestuário é tão simbólico das diferentes visões que homens e mulheres têm da vida. O fato de o homem usar ou tolerar o uso da pochete sem maiores problemas, enquanto a maioria das mulheres o abomina, tem a ver com as próprias concepções que cada sexo nutre em relação ao vestuário.
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A pochete é tão representativa dessa discussão exatamente porque ela é zero em matéria de beleza e dez em matéria de praticidade e utilidade. Enquanto as mulheres enfatizam a primeira característica, os homens justificam o seu uso com base na segunda.
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Obviamente, eu tenho opinião formada nessa discussão. Sempre achei que bolsa, pochete, sacola ou mochila não são feitas para combinar, são feitas pra carregar coisas. Todas as vezes que minha mulher esquece algum utensílio, como chaves ou telefone celular, é fácil adivinhar o motivo: Ficou na outra bolsa, que foi deixada em casa por não combinar com a roupa ou o sapato daquele dia. O mero risco de esquecer alguma coisa desaconselharia a troca, mas tente explicar isso a uma mulher.
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Entretanto, nós homens, semana após semana, estamos nas ruas, festas, bares e praias com um objetivo dos mais nobres: Comer alguém! Mulher, de preferência. E é claro que, sabendo da ojeriza que as mulheres sentem em relação à pochete, nós só vamos usá-la em programas estritamente masculinos, como o abençoado futebol de domingo. Eu devo admitir, porém, que ainda tenho dificuldades em crer que as mulheres não gostem de algo tão prático.
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Sem mais delongas, só há um modo de usar a pochete: longe de qualquer mulher. Se você desrespeitar a regra, meu amigo, corre o risco de acabar a festa, o baile, o churrasco, ou o que quer que seja, sem comer ninguém. E isso é razão mais que suficiente para a sua pochete ficar em casa. Ela não vai se magoar, se você explicar o motivo ela vai entender.
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Essa foi de uma amiga, tentando me demover do uso da pochete:

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_ Pode ser a mulher mais linda que for, você não vai olhar pra ela se ela estiver de pochete.
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Hum, sei não. Tente, por um minuto, imaginar qualquer homem dizendo essa frase:

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_ Não, Juliana Paes, eu não vou sair com você com essa pochete horrorosa!

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Pois é, não deu. O único homem que eu imagino que seja capaz de dizer isso, sei lá, deve ser o Clodovil.
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28 de nov de 2008

Ogro a rigor

Poucas pessoas têm um dom tão especial quanto o meu para se meter em verdadeiras roubadas. Vira e mexe, lá estou em uma situação na qual eu me sinto absolutamente desconfortável, sendo obrigado a sorrir amarelo para pessoas que não gosto ou não conheço e precisando civilizar, na marra, o ogro que eu sou. Como no último sábado, em que fui padrinho de casamento de um amigo.
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Mesmo quem não me conhece já percebeu, pelos meus escritos, que eu sou o cara mais sem frescura que já surgiu neste mundo. Meu habitat natural é qualquer um em que eu possa estar de bermudas, descalço e, se precisar de camisa, que ela esteja pra fora da calça. Onde eu possa comer com a mão e os pratos sejam simples e fartos, sem nenhum toque de chef francês, na apresentação ou na quantidade.

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Não que eu não saiba me portar. A mamãe ogra sempre me exigiu bons modos à mesa e ensinou muito bem o uso de todos os talheres, inclusive os de peixe. Eu também não faço feio num smoking, tenho altura e força de ogro e a barriga que eu cultivo com afinco ainda não está no ponto de me fazer passar vexame. Eu apenas não sou chegado em cerimoniais. Nada mais anti-Da Silva, portanto, que um casamento formal, com cerimônia religiosa e festa de gala depois.

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A última vez em que eu usei um smoking foi no meu casamento, no longínquo ano de 2005. Foi a última vez, aliás, que eu tirei totalmente a barba, que eu usei gel no cabelo, que passei fome em uma festa (qualquer um que já casou sabe que os noivos não têm tempo de comer nada) e que sorri tanto para gente que não gosto e/ou não conheço. Não é a toa que a Igreja frisa tanto que o casamento é um só pra vida inteira. É muita sacanagem passar por isso duas vezes.

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Felizmente, eu pude me recuperar no domingo, no repouso do meu sacrossanto lar. Queimei uma carne e tomei uma gelada enquanto falava palavrões à vontade, principalmente durante o jogo do Flamengo. O bom ogro à casa torna.
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25 de nov de 2008

20 de nov de 2008

Eu engordei?

_ Amor, você acha que eu engordei?
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Todo homem que é comprometido (pelo menos os que são comprometidos com mulheres), em algum dia na sua vida, já ouviu ou ainda ouvirá essa traiçoeira pergunta de sua cara-metade. A pergunta certamente virá quando você menos espera, como aconteceu comigo, durante o futebol com cerveja de domingo à tarde, bem no meio de uma jogada de ataque do meu time.
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_ Hein?
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É óbvio que eu ouvi a pergunta, eu só estava tentando ganhar tempo. Como vocês devem saber, poucas perguntas guardam tanta possibilidade de meter o respondedor numa roubada quanto essa. É claro que ela engordou, assim como eu, vocês e toda a humanidade quando se casa. Aquele antigo vestido soltinho que ela adorava, que fazia com que eu imaginasse suas formas por baixo dele, hoje parece estar embalando a coitada à vácuo.
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_ Eu perguntei se você acha que eu engordei.
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A essa altura, vocês podem perceber que não há resposta possível numa situação como essa. A resposta mais óbvia e verdadeira (sim, um pouco), ainda que suavizada, pode fazer com que você tenha que administrar uma mulher chorosa e/ou reclamona pelos próximos dias, numa espécie de TPM em edição extraordinária. Não vai adiantar você frisar que isso não é importante, que você a ama e continua achando ela bonita. Por mais que isso seja verdade, ela parou de ouvir quando você respondeu que sim, ela pode ter engordado um pouco.
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_ Se você engordou?
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Por mais que a mentira pareça reconfortante numa hora dessas, ela também guarda algumas armadilhas. Afinal, sua companheira não é o Drácula, ela tem espelho em casa e se olha bastante nele. Ela sabe que engordou, o que pode fazer com que uma negativa enfática, ainda que bem intencionada, soe como deboche. Mal sabe ela que é apenas desespero. E nem dá pra dizer que não percebeu nada de mais, pois ela pode interpretar como indiferença.
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_ É, acho que eu engordei, esse vestido tá ficando apertado.
_ É impressão sua, querida. Você está perto de menstruar, pode estar retendo líquido. Depois que passar esse período, você deve desinchar um pouco e vai dar pra ter uma noção melhor.

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Santo Discovery Channel! Você acabou de ganhar alguns dias para responder e uma tarde para ver o resto do futebol sossegado. Esteja prevenido, entretanto. Na próxima vez em que ela experimentar uma roupa no shopping, o assunto vai voltar à tona.
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15 de nov de 2008

Consultório sentimental do Ogro: A mulher quer sair com o marido

Da Silva, meu amor, por que meu marido nunca quer sair comigo para lugar nenhum? (Saidinha, Nova Iguaçu – RJ)
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Antes de mais nada, Saidinha, defina melhor esse lugar nenhum ao qual você quer ir e seu marido não quer lhe acompanhar. Sim, porque entre os lugares aos quais as mulheres querem levar os maridos, invariavelmente estão alguns indigestos programas em família, como almoço com pais ou sogros. Sem falar nas idas ao shopping, uma experiência que pode ser bastante desagradável tanto para ele quanto pra você. Afinal, se o seu marido é homem mesmo, ele tem uma visão de estilo bem peculiar. Para ele, sapatos foram feitos pra calçar, e não para combinar com nada, assim como a calça serve, tanto para vestir, quanto para limpar as mãos engorduradas. Não espere que este cidadão recém-saído das cavernas entenda a sua urgência em comprar o centésimo vestido só porque ele está em liquidação. “Se o seu vestido te engorda, não o coma” é tudo que ele vai dizer. Com razão.
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Além disso, muitas mulheres insistem em sair no dia e horário mais sagrados e importantes da semana, as tardes de domingo, culturalmente consagradas à cerveja e, principalmente, ao futebol. Há até mães que organizam festas infantis nesse dia, nesse sacrossanto horário! Nesse caso, saiba de antemão que a tarefa de levar os pentelhos, digo pimpolhos, a festas em domingos à tarde é toda sua. E você sequer poderá se vingar dando mole para o primeiro papai que encontrar porque ele provavelmente estará com a mulher, que o obrigou a ir. Se ele foi sozinho e com alegria, esqueça, ele é bicha.
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Para que você possa usufruir mais e melhor da companhia do seu personal ogro, aqui vão alguns critérios para que ele aceite o seu convite para sair: Em primeiro lugar, respeite as necessidades básicas do homem, evite querer sair se ele quiser trepar, beber ou assistir futebol. Além disso, tente intercalar programas cruelmente enfadonhos, como a formatura do seu irmão, com idas ao Maracanã (sem tecer comentários sobre a lei do impedimento e sem reprimir o lado ogro do seu marido que irá beber, xingar, cuspir, coçar o saco sem nenhum freio).
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Respeitando a natureza do seu marido, ele lhe dará muito mais atenção e, vá lá, fará até algum esforço para uma ida ocasional à casa dos seus pais. Mas não abuse.
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11 de nov de 2008

É... do Brasil!

Quero dedicar esse post ao meu amigo Maurão, que tem dois excelentes blogs dedicados às coisas da política, o Blog da Luta (http://daluta.blogspot.com/) e o Blog das Cotas (http://cotasparanegros.blogspot.com/). E que é também um grande companheiro de copo, razão pela qual eu o convidei para padrinho na insólita homenagem que recebi no último domingo.
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A homenagem a que me refiro foi feita pelo Bar Totem, no Cachambi, subúrbio do Rio, um dos muitos bares que frequento com regularidade. Além de tira-gostos e refeições da melhor qualidade e da cerveja gelada de marcas respeitáveis como Antarctica Original e Bohemia, o Totem ainda tem uma atração extra.
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Num apurado senso de marketing, a direção do estabelecimento homenageia seus bebedores mais assíduos com uma tulipa personalizada, com o nome do sujeito e um número, como na Academia Brasileira de Letras. As tulipas ficam expostas numa cristaleira localizada em área nobre do bar, com todos os nomes e números à mostra dos visitantes. E só sai de lá para ser usada pelo seu titular. Um verdadeiro hall of fame da cerveja.
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No último domingo, tive a honra de ter a minha assiduidade reconhecida e fui agraciado com a tulipa de número 72. Como a homenagem exige um padrinho, um portador de tulipa mais antiga, não titubeei em chamar o Maurão (tulipa 57) para me acompanhar ao palco improvisado.
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Com a tulipa nas mãos, pude fazer um discurso emocionado, ao melhor estilo "entrega do Oscar". Agradeci aos familiares e amigos e pedi apoio para as crianças pobres do Brasil. Ainda tive tempo de dedicar a honraria ao meu cardiologista, o Doutor José Piedade.
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No mais, eu só posso agradecer ao apoio de todos e prometo continuar me empenhando para fazer jus à premiação. Todos os amigos estão convidados a me acompanhar.
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E por falar em amigos...
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Respondendo ao meme carinhoso de "euzinha", nossa querida amiga gremista:
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Eis as regras:
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- Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir pra terra dos pés juntos;
- Convidar 8 blogueiros amigos para responder também;
- Comentar no blog de quem nos convidou;
- Comentar nos blogs dos nossos convidados para que saibam da "convocação";
- Mencionar as regras.
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Sobre as oito coisas a fazer, aí vão elas:
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1) Escrever livros (assim mesmo, no plural); 2) aprender a tocar (bem) cavaquinho; 3) Desfilar na Portela; 4) ter filho(s); 5) Conhecer a Europa; 6) me eleger vereador; 7) morrer velhinho, mas lúcido; 8) ter tempo de tomar a saideira
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Passando aos amigos, Menina de Óculos, Lívia, Jean Baptiste e Mauro Sérgio (não completei os oito porque alguns amigos não respondem memes, por princípio, ou superstição, sei lá). Os comentários ainda estou providenciando.
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8 de nov de 2008

O ogro e suas ogretes

Esse post se dedica especificamente a esclarecer o real sentido de algumas opiniões emitidas por este ogro no aconchego do seu segundo lar, o botequim Parnasiano, em São Cristóvão, mais conhecido como Porcão. Durante uma das muitas rodadas que desceram, emiti um comentário que repercutiu mal entre meus pares, de modo que venho prestar esclarecimentos a respeito.
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Não sei como o assunto surgiu, talvez tenha começado pelo futebol, sei lá. O fato é que era uma conversa de bêbados, não havendo como cobrar veracidade ou coerência. Só sei que enchi o peito e declarei em alto e bom som para os barrigudos presentes que, se a Raica Oliveira ou a Gianne Albertoni me dessem mole, eu não comia, mesmo que me esfregassem na cara suas prexecas piscantes.
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Metade do bar achou que eu era viado (logo o da Silva, que saiu com aquele trambolho da irmã do Aguiar, quem diria?). A outra metade me considerou um cara muito do seboso, metido a pirocudo que se acha em condições de dispensar top models internacionais. Como se elas batessem às dúzias na minha porta.

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Nem uma coisa nem outra. Eu não digo “desta água eu não beberei”, ninguém sabe o dia de amanhã. Eu apenas não acalento nenhum projeto no sentido de, um dia, comer uma top model. Por razões que eu me dou ao trabalho de enumerar abaixo. Para desfazer qualquer mal-entendido, principalmente entre os beberrões que tenham feito algum juízo errado sobre a minha pessoa. Afinal, este é um ogro espada. Vá lá, já não corta tanta gente, mas ainda tem precisão cirúrgica.

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Porque eu não como modelos:
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Modelos não se despenteiam - Ora, uma mulher extremamente preocupada com a aparência a ponto de parecer impecável em qualquer hora do dia, mesmo quando acorda, não vai topar nenhuma estripulia sexual mais ousada. Ela nunca irá para nenhum dos pardieiros freqüentados por este ogro ou seus amigos. Rapidinhas na moita ou dentro de um Fusca? Nem pensar, sem chance de ela ficar suja, amarrotada ou descabelada.


Modelos não comem – Uma mulher que se nega alguns dos grandes prazeres da vida, como um chope ou uma picanha, não está disposta a experimentar tudo de bom que a vida oferece. No máximo uma foda correta, ortodoxa, protocolar. Não dá pra compartilhar prazeres com alguém cujo conceito de prazer é tão restrito.

Modelos não são deste mundo – Convenhamos, as meras possibilidades de eu topar com uma mulher como a Raica virando a esquina é estatisticamente desprezível. Nós não freqüentamos os mesmos lugares, o que é uma pena. Para elas, é claro. Eu não vou a festas com música eletrônica onde barmans afeminados fazem malabarismos com garrafas para te servir um drinque fluorescente com um guarda-chuvinha (Sinceramente, eu não bebo nada que brilhe ou use guarda-chuva). Elas também não vão a rodas de samba nem freqüentam botequins. Seria o mesmo que um esquimó ser atacado por uma onça-pintada. Impossível, os habitats são diferentes.

Modelos são feias – Essa é a mais polêmica de todas. É provável que soe como o desdém de quem quer comprar, mas é sério. Numa boa, as mulheres bonitas não estão nas passarelas, nem nos catálogos de moda. Estão nas paredes de borracharia, nos grupos de axé, nos bailes funk. Mulheres carnudas, reboleantes, consistentes, firmes, fortes, protéicas e nutritivas, com vitaminas e ferro. Qualquer popozuda que aparece nos programas da Furacão 2000 dá de dez nas modelos do último Rio Fashion Week.

Consolem-se minhas caras visitantes que se entristecem por não terem o padrão de beleza de uma top model. São grandes as chances de eu achar qualquer uma de vocês mais bonita do que ela. E eu não estou sozinho nessa opinião.

Se você é uma top model e me lê, bem, não perca as esperanças.
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4 de nov de 2008

Pagando meus pecados

Eis que eu me vejo em meio a uma experiência mística. Entro em transe e, quando dou por mim, estou de volta a uma de minhas vidas passadas. O ano é 33 D.C. e eu estou em algum lugar do Oriente Médio, vestido como um centurião romano. Próximo a mim estão dois ladrões crucificados e, entre eles, está subindo uma terceira cruz, de um judeu de Nazaré metido a profeta, pelo que dizem.
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Bem, eu não estava fazendo nada, meus colegas já tinham praticamente terminado o serviço. E como cabeça vazia é oficina do cão, eu resolvi apurar a minha pontaria catando pedrinhas e acertando nas cruzes, exatamente como faz uma parte da multidão que se aglomera por ali. Na terceira tentativa, pof! Acerto o tal profeta nazareno bem na testa. Ao chegar perto da cruz pra avaliar a precisão do arremesso, posso ouvi-lo dizer nitidamente em bom aramaico (que eu transcrevo depois de uma tradução livre):
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_ Vai ter volta, filhadaputa! Deixa quieto que eu te pego na curva, seu viado!
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Corta o flashback. Volta pra 2008. É 01 de novembro, dia do jogo Flamengo x Portuguesa e eu já saí do meu transe. E agora eu entendo qual é a razão de eu estar nas cadeiras azuis do Maracanã vendo o Obina, gordo e desajeitado como uma foca, tentar dominar a bola sem sucesso e ainda cair sozinho. Eu estou expiando maldades feitas em vidas passadas!
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Não há outra justificativa para eu dar 20 reais num ingresso e perder um sábado de sol forte e céu obscenamente azul vendo o Ibson errar mais um passe. Deve ser o milésimo, não sei como ainda não fizeram uma placa comemorativa. Podiam botar o pé dele (torto) na calçada da fama do Maracanã enquanto ele dedica o milésimo erro de passe aos familiares, aos amigos, às criancinhas pobres e a todo mundo que sempre o apoiou.
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Não bastasse o pífio futebol apresentado pelo rubro-negro contra a Portuguesa no último sábado, a ida ao Maracanã ainda guardou outras modalidades de sofrimento. Fiquei com os cornos ao sol, no calor senegalês característico do verão carioca, alimentando-me apenas de um cachorro-quente superfaturado que tinha salsicha e pão como ingredientes únicos. E toda a cerveja à venda, obedecendo a uma determinação da CBF, era (puta que pariu) SEM ÁLCOOL!
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O resultado, um insosso 2 a 2, praticamente sepultou as chances de o Flamengo ser campeão. Sinceramente, depois de tudo isso, acho que eu já posso entrar no céu pela porta da frente sem o anjo da portaria me fazer perguntas.

2 de nov de 2008

É domingo, vamos sorrir e cantar

A patroa bateu pé firme e lá estão vocês à mesa, na casa dos seus sogros, num daqueles enfadonhos almoços familiares. Você já sabe como termina. Seus sogros brigarão o tempo inteiro e aquele filho birrento da sua cunhada vai encher o saco e ficar berrando até levar uns tapas, quando então berrará com força redobrada. Ainda assim, sua esposa vai ficar insensível aos seus apelos de ir embora cedo, mesmo sabendo que você terá um dia miserável no trabalho na segunda-feira.
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Como dizem os antigos, "na briga do rochedo com o mar, quem se fode é o marisco". E é verdade. Depois que cessar a troca de ofensas entre seu sogro e sua sogra, haverá uma paz aparente, mas bem mais breve do que você gostaria. Logo eles voltarão à carga, agora divididos. Você não terá para onde correr. De um lado, o gosto televisivo indigente da sua sogra, para quem os programas de auditório dominicais são sagrados. Do outro, os comentários políticos do seu sogro reaça, militar reformado saudoso da gloriosa revolução de 64, a redentora. Sua sogra encantada com aquelas criancinhas afetadas e hiperativas do Raul Gil e seu sogro repetindo que, bom mesmo, era no tempo do Médici. Tudo o que não deve haver num domingo.
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Para evitar que situações como essa se repitam, afetando sobremaneira a concórdia no ambiente doméstico, você pode mostrar o texto abaixo para a sua santa esposa, pelo bem de sua felicidade conjugal:
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Este Ogro que vos fala é defensor de valores tradicionais, como a família e o casamento. Assim, ele dá algumas valiosas dicas sobre os hábitos e anseios do homem casado para as mulheres que nos visitam. Sempre visando à paz e à harmonia no ambiente doméstico.
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O domingo perfeito do homem casado:
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9h - acordar e dar uma trepadinha
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10h - tomar um café da manhã daqueles de Hotel Fazenda, com omelete, frutas, pães, bolo, iogurte e o tudo mais
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10h30m - Ler o jornal, enquanto ouve música e assiste a programas de esporte
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13h30m - pedir comida a domicílio e almoçar, comendo como um animal (tanto na quantidade quanto nos modos à mesa)
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14h30m - fazer uma sesta, de preferência no sofá da sala ou, para os mais sortudos, deitado na rede
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16h - assistir ao futebol, com cerveja e alguns tira-gostos
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18h20m - assistir a mais futebol, com mais cerveja e mais tira-gostos
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20h30m - ver um filme, na TV aberta, na TV a cabo ou alugado na locadora
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22h30m - dormir (mas antes, se possível, outra trepadinha)
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Notem que o domingo perfeito do homem casado, em nenhum momento, contemplou missa, passeio no shopping, festas infantis, casamentos, formaturas, festa na escola das crianças nem visitas a pais ou sogros. Também deixo claro que não há qualquer vestígio de machismo em qualquer etapa descrita, visto que a mulher pode participar e usufruir tranquilamente de qualquer uma delas (pra falar a verdade, na primeira e na última, a presença dela é essencial).

Sugestões de programas diferentes podem ser consideradas, desde que não sejam as mencionadas no parágrafo anterior.
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