28 de mar de 2009

Ridicularize-se agora: Pergunte-me como

Meu médico me diz para evitar o stress e as emoções fortes, mas isso está cada vez mais difícil. Ontem, por exemplo, eu quase caí pra trás. Eu simplesmente não pude acreditar quando eu vi o Torquato, bom e velho bebedor de nossa confraria, de peruca!
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Da primeira vez, eu nem consegui falar com ele, o bar estava lotado e ele passou com pressa, mas eu achei que era alguma gaiatice. Ele sempre costuma ser um cara muito engraçado, principalmente quando bebe. O álcool sempre deixa ainda mais apurado o seu dom natural para gafes e peripécias inusitadas. Basta dizer que ele já tentou brigar com um sujeito usando como arma a sua própria perna mecânica. Artefato, aliás, que ele já esqueceu no bar mais de uma vez. Até motoboy para devolvê-la em casa nós já tivemos que arrumar. Pois foi esse mesmo Torquato que chegou de peruca no bar nessa sexta-feira.
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Coisa triste. Será que os caras que usam peruca realmente acham que vão enganar alguém? Será que esses sujeitos não percebem que aquele cabelo meticulosamente arrumado e encaixado na cabeça como o de um boneco playmobil soa tão falso como uma nota de três reais?
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É impressionante a capacidade que o homem tem de fazer coisas ridículas quando chega a certa idade. Exercitar-se além da sua capacidade física ou usar de meios absolutamente ridículos para esconder a calvície ou os cabelos grisalhos são as bobagens mais comuns. Sem falar naquelas tentativas absolutamente constrangedoras de paquerar meninas da idade de suas filhas ou netas, o que quase sempre acaba num fora desmoralizante. Enfim, coisas típicas de homens que já sentem o desabrochar da impotência.
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Tudo bem que a não aceitação do passar do tempo não é uma exclusividade masculina. Também há muitas mulheres que se deixam levar pelo ridículo absoluto na sua busca irracional pela fonte da juventude. Basta andar meia hora pelo calçadão de Copacabana que dá pra ver centenas de dondocas com os olhos quase lá nas orelhas, de tanta cirurgia plástica. Tá tudo tão esticado que, pra arregalar os olhos, têm que levantar a perna. Igualmente ridículo, mas pelo menos elas não frequentam os nossos botequins.
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E lá vai o Torquato, careca e portador de necessidades especiais. Pra falar a verdade, o cara que usa peruca já é portador de uma puta necessidade especial: Falta de senso de ridículo. E pra isso, ainda não inventaram uma prótese.
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21 de mar de 2009

Driblando a crise

Caralho, uma nota de cem reais! Ela existe!
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Eu sempre achei de uma babaquice sem tamanho o sujeito se lançar numa aventura pela aventura pura e simples. O Che Guevara queria libertar o mundo e morreu tentando. Ghandi queria a independência da Índia, Mandela queria acabar com o apartheid na África do Sul, e por aí vai. Todos eles botaram a vida em risco por algum ideal. Mas eu não consigo entender, por exemplo, porque o cara sobe o Everest ou resolve dar a volta ao mundo num barquinho.
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Ou pelo menos não entendia. Uma notícia que eu li essa semana no jornal fez a ficha começar a cair. Vocês devem já ter ouvido falar na família Schürman, aquela que resolveu morar num veleiro e dar a volta ao mundo nele. Na época, eu achei a idéia absolutamente estapafúrdia, coisa de quem comeu merda na infância às colheradas, com granola por cima. Nem dei importância.
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Pois bem, eu li numa nota essa semana num jornal aqui do Rio que eles estão faturando uma puta grana dando palestras de motivação e liderança para executivos de mega-empresas. Sem falar num livro de auto-ajuda para gerentes que eles estão escrevendo. Vai se chamar “Navegando para o sucesso”, ou algo assim.
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Depois eu fico reclamando da crise. Pela mais absoluta falta de tempo, acabei não dando seqüência a nenhum dos meus projetos literários: Um livro de auto-ajuda para gerentes, um livro sobre a minha emocionante relação com meu cachorro, um thriller de suspense sobre um segredo que poderia destruir a igreja, uma aventura fantástica com dragões, elfos e bruxos, e, supra-sumo da originalidade, um romance sobre vampiros adolescentes. Eu poderia já estar milionário a uma hora dessas, levando a vida como um interminável videoclipe de hip-hop, com carros de luxo, cordões de ouro e som no talo, rodeado por uma dúzia de gostosonas seminuas rebolando.
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Só o que me resta é tentar ver se toda a experiência adquirida nos botequins mais sórdidos do Rio me credencia a dar palestras para executivos. Pode ser algo tipo, sei lá, “Bebendo com excelência” ou “Porres homéricos com foco em resultados”. Já tenho currículo no assunto. Pra falar a verdade, já tenho até uma premiação. O negócio é tentar. E pedir mais uma gelada, pois o profissional precisa se manter sempre atualizado para fazer frente aos desafios de um mundo cada vez mais globalizado e competitivo.
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É, já estou pegando o jeito.
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14 de mar de 2009

Eu me rendo

Se é verdade que existe uma guerra dos sexos, dos homens de Marte contra as Mulheres de Vênus, eu sou o que poderia se chamar de um traidor. Estou entregando logo o ouro ao inimigo, admitindo a derrota e dando o caminho das pedras para que elas consigam nos controlar completamente. Vão aí algumas dicas preciosas no trato com os homens. Qualquer mulher que se lembre desses procedimentos na convivência do dia-a-dia vira nossa dona rapidinho.
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Talvez esse momento confessional seja efeito do álcool. Como dizem, no vinho, a verdade, embora eu só tenha bebido cerveja. É isso aí. Como dizem dois diferentes ditados populares (que ficam melhores misturados, como cachaça e limão), faça amor, mas olhai a quem. Podem anotar as dicas, aí vai o nosso modo de usar.
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Lembre-se sempre que estão gravadas no código genético de qualquer homem, entre outras informações, três necessidades básicas, tão vitais quanto comer, dormir ou ir ao banheiro. Todas as três podem ser traduzidas em palavras que começam pela letra S. Pela ordem, elas são sexo, solidão e sangue.
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Sobre sexo, eu não preciso falar muito. Da assistência da patroa propriamente dita à sacanagem na TV e no computador, o fato é que o sexo tem que estar sempre presente e/ou acessível. A solidão é o momento livre de qualquer encheção de saco, seja da parte do chefe, da esposa ou do restante da família. E o sangue está no entretenimento, que deve ter alguma violência, seja em filmes de ação ou em esportes de contato.
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Qualquer mulher que reclama da convivência com o marido vai se surpreender em como os homens são criaturas extremamente simples de se lidar (e de se dominar) se estas três necessidades estiverem atendidas.
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Homens não percebem, homens não sentem, não descobrem, não entendem e não adivinham. Em suma, homens não têm sexto sentido e, pra falar a verdade, mal sabem usar direito os outros cinco.
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Se você não quer sair, não quer ver aquele filme ou não quer dar no primeiro encontro (ou em nenhum outro), fale. Essa também é outra medida anti-desentendimentos cuja eficácia pode surpreender.
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Por fim, lembre-se: o seu vestido novo não te engorda. Câmeras não te engordam. Roupas claras não te engordam e espelhos não te engordam.
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Chá verde não emagrece. Listras não emagrecem. Roupas pretas, roupas largas ou roupas compridas não emagrecem. Cintas não emagrecem, nem tampouco usar dois casacos e três blusas.
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Só existem duas coisas capazes de fazer as pessoas engordarem ou emagrecerem: Ingerir mais ou menos calorias. E a maioria dos homens não é capaz de compreender, aceitar ou concordar com qualquer coisa que contrarie a verdade contida nas duas frases anteriores, principalmente se custar dinheiro.
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Qualquer homem que exija mais do que isso de você é um mala incorrígivel. Ou é maluco. Ou é gay. Em qualquer um dos casos, você pode mandar passear de consciência tranquila, sabendo que você fez tudo o que podia.
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8 de mar de 2009

Yes, I can!

Sinceramente, olhando pra mim, ninguém conseguiria me imaginar como um jogador de futebol profissional. Já passei dos trinta, tenho um evidente sobrepeso e pouquíssima velocidade. Sem falar em alguns problemas crônicos no joelho. Por mais que eu guarde uma razoável habilidade com a bola nos pés, não dá pra pensar nisso.
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Ou não dava. Pelo menos até a quarta-feira passada, quando eu vi o Ronaldo Fofômeno tentando pedalar diante dos zagueiros do Itumbiara. Pesado, lento e gritantemente fora de forma, Ronaldo contou com uma cobertura camarada da imprensa, que preferiu dizer que ele fez uma estréia tímida, que está recuperando a forma aos poucos, etc. Eu só posso dizer que, na minha pelada de casados e solteiros, se ele entrar se arrastando daquele jeito, vai esquentar o banco.
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Por isso eu estou lançando uma campanha: Queremos Da Silva no Flamengo. Se o Ronaldo pode no Corinthians, eu também posso no Flamengo. E faço tudo o que o Ronaldo fizer por um terço do salário. Se cuida, Ronaldo! Se cuida, Obina!
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