27 de dez de 2008

TV em tempos de crise

Se o blogueiro tem uma alegria na vida é dar palpite. Pode ser sobre qualquer assunto, inclusive aqueles dos quais não entende patavina. Assim sendo, embora ninguém tenha pedido, aí vai um exercício de imaginação sobre como será o futuro próximo, em que as redes de tevê serão obrigadas a reduzir os custos por causa da crise.
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O negócio é seguir o exemplo do mercado, que já mostrou o caminho com a fusão do Itaú e do Unibanco. Para baratear suas produções milionárias, basta que as emissoras peguem duas atrações de grande apelo e juntem as duas numa só. Além de cortar custos, vai atrair a audiência das duas de uma única tacada! Aí, é só vender os breaks publicitários e faturar.
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Imaginem as seguintes fusões:
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Big Brother Brasil Urgente ( Brasil Urgente + Big Brother Brasil):
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Reality show nos mesmos moldes do Big Brother Brasil. Fechados numa casa, repletas de câmeras ficarão encarceradas as maiores celebridades criminosas do Brasil. Durante dois meses, o Lindemberg, o casal Nardoni, o Pimenta Neves, a Suzane Von Richtoffen e os irmãos Cravinhos e o Fernandinho Beira-Mar ficarão na casa mais famosa do país.
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O programa seria apresentado pelo José Luís Datena que apareceria na TV da casa falando com os participantes, que o saudariam com aqueles indefectíveis gritinhos de "u-hu!". O lado mais econômico é que dispensa a interatividade com o público, pois, no que depender dos participantes, sempre vai ter alguém sendo eliminado. Sem falar naquelas camisas do Datena pedindo o fim da impunidade, que seriam um sucesso de vendas.
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O vencedor ganha como prêmio a conversão de sua pena em doação de cestas básicas. A sentença-prêmio é entregue no dia da grande final pelo Ministro Gilmar Mendes e o vencedor já sai direto para posar para um ensaio sensual do Notícias Populares e do Jornal Meia Hora.
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Bem Favorita (A Favorita + Bem amigos):
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Vai resolver de tacada a questão da audiência na medida em que vai reunir o público masculino e o feminino em torno de uma mesma atração. Consiste apenas em analisar a novela, ao fim de cada capítulo, como se futebol fosse.
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Os crimes da Flora vão ser repetidos à exaustão, sob os mais variados ângulos, e, ao fim, o Arnaldo Cesar Coelho vai dizer que a regra é clara, a Flora não agiu em legítima defesa e o assassinato foi ilegal. Duro vai ser agüentar o Galvão Bueno torcendo pela Donatela.
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Zorra Eleitoral Total (Horário Eleitoral + Zorra Total):
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Nesse caso específico, não há muito que fazer. É só trocar o Zorra Total pelo Horário Eleitoral Gratuito, que, em regra, costuma ser bem mais engraçado. Basta manter as gostosonas seminuas do primeiro para ilustrar as criativas piadas proferidas no segundo.
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24 de dez de 2008

Notícias natalinas

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Infelizmente, o Natal de 2008 ficou marcado pela crise, da qual nem o Papai Noel, sócio-diretor da fábrica de brinquedos mais antiga do mundo, escapou.



Mas o Velho Noel não está de bobeira, ele sabe que a situação mundial não é brinquedo. Esse é um treinamento do esquema de segurança do Bom velhinho para quando ele passar pelo Rio de Janeiro.




Por fim, desejo um Natal Feliz para todo mundo que dá uma espiadinha aqui no cafofo deste Ogro. Principalmente as meninas que foram boazinhas ao longo do ano, como a da foto.

Ho, ho, ho!

(as imagens são do cartunista Samuca e do blog Caffé Brasil)

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18 de dez de 2008

Barba, cabelo e bigode

Quem lê esse troço aqui já sabe que a vaidade não é meu forte. Logo, eu não vou me sentir a vontade em lugares onde a vaidade tenha uma importância muito grande, o que faz com que cortar o cabelo não seja dos meus programas preferidos.
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A maior parte do pessoal que lê e comenta nisso aqui é mais nova que eu, a maioria mulheres. Provavelmente, não vão compartilhar do meu acesso de nostalgia em relação às barbearias de antigamente. Como a boa e velha barbearia do seu Nestor, no subúrbio do Rio, onde eu cortava o cabelo na minha infância cada vez mais distante.
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A barbearia era um ambiente mais masculino, no sentido de que era um lugar onde o homem ficava mais à vontade. As conversas gravitavam em torno de futebol e a leitura disponível para a espera era normalmente de jornais esportivos e revistas masculinas. Diferentemente dos salões de hoje em dia, ninguém lia Contigo, Caras ou similares. Os pôsteres da parede eram de futebol ou mulher pelada, não esses pôsteres de moda horrendos, com modelos anoréxicas ostentando penteados modernosos, cheios de fios arrepiados e mechas coloridas.
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Hoje, pela dificuldade em encontrar barbearias à moda antiga, eu corto o cabelo num lugar cujo nome eu nem lembro direito, mas sei que depois vem um Coiffeur. Putz, não consigo imaginar um Nestor Coiffeur, naquele tempo não tinha essas coisas. Ele morreria de desgosto se me visse hoje, cortando o cabelo num lugar decorado em tons de um rosa desbotado, tão anoréxico quanto as modelos (nem sei que porra de cor é aquela. Fúcsia? Salmão?).
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O dono é um gorducho de bigode, meio afetado. Sempre tenho a impressão que ele vai aparecer no saguão metido num vestido tubinho, com aquele bigodão, cantando I want to break free. Ah, saudades da boa velha barbearia.
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Bem, daqui há algumas décadas, eu provavelmente estarei careca e essa será uma preocupação a menos. Só me resta esperar.
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14 de dez de 2008

O Ogro animado para o Natal


"E aí, está animado pro Natal?"
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Poucas perguntas são tão irritantes quanto essa. Primeiro, pela freqüência; conforme vai chegando essa época do ano você ouve a fatídica pergunta todo santo dia. Segundo, pela razão óbvia: Você não está animado pro Natal coisa nenhuma. E nem poderia. Afinal, quem gosta de lojas cheias, tumulto, correria e dívidas?
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Andar por algum grande centro comercial nesta época do ano chega a ser uma ameaça à própria integridade física. Não estou exagerando, em Novembro, nos EUA, um funcionário do Wall Mart morreu pisoteado durante uma liquidação.
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Ao Ogro aqui só resta curtir a temporada pré-carnavalesca e a iminência das férias, enquanto espero a chegada daquele que veio para nos salvar: O décimo - terceiro salário!
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6 de dez de 2008

Consultório sentimental do Ogro: os maridos, as mulheres e o futebol

Da Silva, meu velho, como posso fazer minha mulher se interessar mais por futebol? (Bom Marido, São Paulo - SP e mais outras 431 mensagens)
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Ainda não somos maioria, mas muitos homens têm a felicidade de, assim como eu, ter uma mulher que se interessa minimamente por futebol. Eu tenho que admitir que fico de pau duro quando vejo minha esposa explicar para as amigas, de forma correta e pormenorizada, a regra do impedimento. Pobre do cara casado que nunca experimentou essa sensação.
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Já é bastante animador, portanto, perceber que já há muitas mulheres que não só não rejeitam como participam ativamente do sagrado ritual dominical de assistir aos jogos, seja em casa ou nos estádios.
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O grau de interesse por futebol varia de mulher pra mulher, mas ele oscila invariavelmente entre cinco estágios facilmente identificáveis. Em mais um esforço pela concórdia nos lares, O ogro aqui fornece uma descrição sucinta destes estágios, além de uma análise sobre os problemas inerentes a cada um deles e estratégias pra fazer sua cara-metade avançar de fase. Boa sorte!
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Estágio 1: A negação absoluta
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É quando mulher diz que odeia, não suporta futebol e quer que morra todo mundo que gosta, joga e assiste. É muito comum em mulheres mais velhas, traumatizadas por décadas de opressão machista, onde só lhes cabia o papel de garçonete do marido e dos amigos durante as transmissões esportivas. E elas bem que se esforçam para transmitir a rejeição às filhas.
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Como proceder: Em primeiro lugar, faça todo o possível para rarear as visitas à casa dos sogros (isso, aliás, é recomendável por várias outras razões). Além disso, faça ver a indigência das alternativas televisivas nos dias e horários de futebol na TV. Na maioria das vezes, quem abre mão do futebol fica exposto a programas de auditório, novelas ou reality shows. E, durante um tempo, não vá ao estádio; Do jeito que ela tem raiva disso, periga ela lhe dar um pé na bunda ou cornear você só de vingança.
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Estágio 2: A fuga
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Se não é um grande avanço, pelo menos torna a convivência mais fácil. É quando a mulher ainda não demonstra um pingo de entusiasmo, mas já não reclama. É a indiferença, em lugar da aversão. Costuma ser problemático, entretanto, na medida em que a mulher indiferente ao futebol vai buscar alternativas de lazer que podem ser onerosas, como um passeio no shopping com as amigas. Ou pior, ela pode passar a tarde na casa dos pais, sofrer uma lavagem cerebral da mãe e voltar cheia de implicâncias para com os seus hábitos de ogro.
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Como proceder: Tente oferecer, você mesmo, alguma alternativa barata e sadia ao futebol. Algum livro, revista ou Cd interessante para ela apreciar enquanto você vê o jogo, por exemplo. Também não dê motivo para a indiferença virar raiva. No caso de assistir ao futebol em casa, pegue você mesmo as suas cervejas. E, tendo ido ao estádio, não chegue muito bêbado, não faça muito barulho nem muita sujeira. Se não é contra nós, já está a nosso favor. Pelo menos é o que diz a Bíblia.
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Estágio 3: A Copa do Mundo
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São muitas as mulheres que dizem não gostar de futebol mas dão, entretanto, uma olhadinha na TV em época de Copa do Mundo. Já é um grande avanço em relação aos dois estágios anteriores, mas expõe você às bobagens típicas de quem não tem familiaridade com o esporte.
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Como proceder: Paciência absoluta com perguntas inoportunas sobre o esporte e seus regulamentos. Comentários estapafúrdios sobre uniformes ou beleza física dos jogadores também devem ser solenemente ignorados, sob pena de vocês discutirem e ela regredir a algum dos estágios anteriores. Ouvidos moucos são essenciais para essa fase ser superada.
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Estágio 4: Ela tem time!
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Agora está ficando interessante. Ela assiste e opina sobre futebol, e não só de quatro em quatro anos. Ela já tem até time, e xinga o juiz se ele for prejudicado. Essa fase só tem um problema básico: esse time pode não ser o seu, o que já fez muitos homens desejarem que suas mulheres voltassem para as fases 1, 2 ou 3.
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Como proceder: Se ela torce pelo seu time, é só assistir aos jogos com ela, relaxar e gozar. Se não for esse o caso, melhor ir devagar nas provocações. Nem pense em usar o mesmo tom que normalmente usa com torcedores de outros clubes, pois haverá um day-after, quando vocês terão que conviver. Já se imaginou passando o resto dos seus dias morando junto com aquele babaca do prédio em frente a quem você mandou enfiar na bunda a bandeira com mastro e tudo depois que o seu time arrasou o dele? Pois, é, não daria pra ser feliz. No mais, seja bem técnico nas análises e torça pra ela ainda entender de futebol menos que você.
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Estágio 5: O jogo neutro.
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O céu. Ela não só assiste aos jogos do time para o qual ela torce (se Deus quiser, o mesmo que o seu) como também consegue assistir a outros jogos. Finalmente você pode se dar ao luxo de sentar com a sua cara-metade para assistir a Austrália x Lituânia, por exemplo. Quando uma mulher consegue entender nossa urgência em assistir um jogo de futebol com equipes e jogadores dos quais nunca ouvimos falar, ela nos entende completamente.
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Como proceder: Não acorde, é possível que seja um sonho.
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