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Cinema sempre foi um dos meus programas preferidos. Ainda mais agora em que eu já deixei pra trás a época das casas noturnas, espantado com os altos preços e com a violência imperante. Ver um filme, dependendo do cinema, ainda é um programa barato se comparado com algumas peças de teatro ou shows. E, se o preço, o tempo ou a distância não permitirem a ida ao cinema, sempre haverá a videolocadora.
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A sétima arte, pra mim, tem duas funções básicas, e em função do meu estado de espírito na ocasião, eu busco uma ou outra. Resumindo, filmes servem pra duas coisas:
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A primeira, como não poderia deixar de ser, é botar o tico e o teco para trabalhar. É quando eu procuro ver filmes que fazem pensar, que fazem refletir. Pode ser um documentário sobre algum grande tema da atualidade ou sobre a vida de algum grande artista. Pode ser um thriller político, um suspense com roteiro bem amarrado e com um final surpreendente, ou um filme alternativo com exercícios de estilo que dialoguem com outras formas de arte.
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Nessa linha, eu gosto dos suspenses do Hitchcock, nos filmes politicamente inquietantes do Spike Lee e do Oliver Stone e de alguns filmes fora do grande circuito hollywoodiano. É impressionante como tem vindo coisas boas de alguns lugares inesperados, como do Irã, da Argentina. Sem falar no cinema nacional, de onde sempre surgem filmes bons, principalmente quando tratam da nossa realidade. Fora alguns documentários musicais excelentes como o Buena Vista Social Club e as cinebiografias de Cartola, Vinicius de Morais, Wilson Simonal.
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A outra grande utilidade de qualquer filme é a extrema oposta: Meter o pé na jaca, com objetivo puro e simples de divertir. Pra isso valem todos os filmes de Ogro em geral, a começar pelos filmes de ação que eu vi a minha infância inteira, como todos os Rockys, Rambos e Duros de Matar. Sem falar nos épicos, com aquelas batalhas campais enormes e cheias de figurantes, e nos clássicos, como os de gângster e os de faroeste.
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Aqueles das antigas, como O poderoso Chefão, os Intocáveis e Scarface. Eu também gosto dos filmes de ação absolutamente inverossímeis do John Woo (MI-2, A Outra Face) e de adaptações de heróis de quadrinhos. Gosto de todos os filmes do Quentin Tarantino e do Clint Eastwood Além, de comédias, principalmente as mais sem noção, como Borat e as do Monty Python.
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Tem alguns poucos filmes que aliam as duas coisas, como os documentários do Michael Moore, os clássicos do Charles Chaplin e alguns poucos filmes de ação, como V de Vingança, mas é raro.
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Fica combinado assim: Filme é com conteúdo pra fazer pensar ou com sangue e bagaceira pra se divertir.
Fica combinado assim: Filme é com conteúdo pra fazer pensar ou com sangue e bagaceira pra se divertir.
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Assim, alguém me explica, pelamordedeus, por que cargas d’água as mulheres (com as devidas exceções, evidentemente) gostam tanto de filmes que não fazem uma coisa nem outra, como as malfadadas comédias românticas? Dos filmes da Meg Ryan ao Sex and the City, são horas de discussão de relação, fala sério. Não satisfeitas em criar fantasmas e traumas para os próprios relacionamentos, elas ainda têm que assistir filmes em que outras mulheres fazem isso? Quem tiver uma boa resposta, eu passo a palavra.
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