Dilema clássico da relação. Se você é homem casado, noivo, namorado, companheiro ou tem qualquer forma de relacionamento estável com uma mulher já passou por esse dilema típico dos casais em momentos de lazer. Filme Ogro ou filme mulherzinha?
*Vocês vão entender o que estou dizendo diante da situação prática: Domingão. Você acordou tarde, deu uma bela trepada matinal, e depois de malhar o páuceps, tomou aquele puta café da manhã, típico de hotel fazenda, com bolo, ovo mexido e tudo mais. Leu o jornal, viu todos os programas de esporte possíveis e imagináveis durante toda a manhã. No almoço, comeu como um Ogro e tirou uma sesta pesada, só acordando para ver o futebol acompanhado da cerveja de praxe.
*
Na etapa seguinte é que começa o problema. A continuação lógica da programação dominical seria um filme, mas não qualquer filme. Eu não sei bem definir o meu gênero preferido, alguns chamam de épico. Eu acho o termo meio inadequado, na medida em que este se refere a sagas heróicas em geral. O meu gosto é mais específico. Pra resumir, eu gosto daqueles filmes com mega batalhas campais, onde, depois de um discurso motivacional dos seus líderes, os dois exércitos erguem espadas, gritam (o grito é importante, sem ele não teria a mesma graça) e correm a se estripar. O sangue jorra, a cerveja desce e o cérebro fica descansando em cima da estante, depois de ter trabalhado muito a semana toda.
*
Vocês sabem como é, filmes como Coração Valente, Gladiador, A Cruzada, Tróia ou 300, embora a este último eu faça ressalvas pela forte mensagem GLS subliminar. Nada contra, este é um blog sem preconceitos, mas ela prejudica a própria coerência histórica do filme. Por mais que os gregos prezassem a beleza física, não dá pra engolir que qualquer exército vá para uma batalha travada com armas perfuro-cortantes trajando uma sunga e uma capa. No contexto do filme, uma armadura seria tão necessária quanto água, comida ou espadas e escudos.
*
De qualquer forma, o filme épico é o desfecho perfeito do Domingão etílico-futebolístico. Ou seria, se sua cara-metade não estivesse a fim de ver Divã, Ele não está tão afim de você, ou qualquer outra melosidade do gênero. Afinal, a coisa mais chata do mundo depois de discutir a relação é ver filmes com pessoas discutindo suas relações.
*
Não preciso dizer que você não vai discutir, com mulher não se discute. A gente nunca ganha, mesmo. Você pode tentar negociar, adiar, fingir doença ou, se tudo mais falhar, apelar para os subornos de praxe, como flores ou jóias. O que, em algumas vezes, não vai adiantar. E convenhamos, se você garantiu as primeiras etapas do domingo (mencionadas no segundo parágrafo) você pode ceder em relação ao filme de vez em quando.
*